Nope. A culpa é NOSSA.
Toda a sociedade está em "sobreaquecimento": todos exigimos o melhor produto ao mais baixo preço, a melhor rentabilidade para as nossas poupanças, o melhor retorno para o nosso investimento.
Compramos carros, casas, electrodomésticos, férias, temos um nível de vida material cada vez melhor e se formos analisar a evolução salarial da generalidade da população, os salários reais caíram nos últimos 20 anos!
As bolsas andaram sobreaquecidas com o dinheiro dos nossos fundos de pensões, com o dinheiro do povo que sem perceber nada foi atrás das melhores rentabilidades ao menor esforço.
Este excesso de liquidez nos mercados e a cada vez maior exigência dos clientes pressurizaram as empresas em geral para produzir cada vez melhor ao menor preço - com um imapcto profundo nos níveis salariais e no desemprego, através da procura de mercados de oferta de trabalho cada vez mais baratos.
A tecnologia democratizou-se - felizmente! - e permitiu a redução drástica dos custos de produção e a fácil diluição dos custos de I&D (dando corpo à famosa Lei de Moore) e toda a industria elevou os padrões de produtividade e de rentabilidade das suas operações.
Os generalizados retornos financeiros contribuíram para um ciclo de crescimento global que está hoje a permitir que países subdesenvolvidos passem por uma crise como esta sem as costumeiras crises políticas que assolavam a América Latina de cada vez que o Presidente dos EUA tossia.
Mas paradoxalmente, esta pressão sobre os mercados tem origem no cidadão comum - enquanto consumidor e enquanto investidor.
Enquanto consumidor, pelo já explicado.
Enquanto investidor, porque todos nós temos as nossas poupanças - mesmo aqueles que pensam nada ter, têm: o Estado, a Seg. Social e o Tesouro.
Os fundos imensos provenientes dos planos de reforma de todos os países desenvolvidos (o welfare state na verdadeira acepção da palavra), inundaram os mercados financeiros pressurizando-os.
A necessidade de rentabilizar aqueles fundos, mesmo que depositados em aplicações seguras, potenciaram aplicações sucessivas desenvolvendo simultâneamente produtos de engenharia financeira sofisticadíssima.
O sistema capitalista vive montado num castelo insuflável que de vez em quando tem que despressurizar para ganhar novo fôlego - é feito de confiança no sistema, sistema que é composto por cada um de nós.
E embora com correcções marginais, o sistema vai continuar a evoluir no mesmo sentido. [

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