Tudo certo.
Mas há coisas que me custam a compreender.
Façamos um paralelismo, já que estamos num fórum de automóveis.
Quando compro um automóvel, também quero (e é legítimo e lógico querê-lo) o menor consumo, a maior qualidade e a melhor garantia para o meu carro novo. Como eu, todos os outros consumidores também o querem.
No entanto, não conseguimos convencer o fabricante de automóveis a vender-nos um carro com prejuízo para eles, seja directamente no carro ou através de um contrato de manutenção, por exemplo!
Portanto, quem é que _obrigou_ a banca a emprestar dinheiro sem garantias de retorno? Cabe na cabeça que a banca venda produtos financeiros com prejuízo para eles?
Portanto, o "a culpa é NOSSA" deixa-me de facto muito desconfiado...
Bem, uma coisa é o rancho. Outra, é a associação! [

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1) o rancho: o melhor carro ao melhor preço.
A crescente exigência do consumidor + a mais crescente ainda competição das empresas no mercado + o exponencial desenvolvimento tecnológico dos últimos 60 anos fizeram com que o value-for-money da generalidade dos bens comercializados nos países ocidentais aumentasse fortemente.
O carro que é oferecido a preço decrescente com melhor value-for-money é o produto final de um sistema de optimização industrial, comercial e financeiro que foi exigido pelo consumidor e pelo mercado (accionistas que querem lucros crescentes).
O fabricante não teve prejuízo - se calhar até aumentou os lucros - porque se o carro é melhor e mais barato, vende-se de certeza. Se se vende bem, gera lucros, aumentando a confiança do mercado na empresa, o crédito oferecido pelos bancos e a atractividade dos capitais do accionista que compra acções em bolsa.
2) e agora a associação:
A máquina descrita no caso do carro entrou em sobrecarga - neste caso, aplicando-se ao mercado imobiliário nos EUA: foi quando alguém se lembrou que as soberbas casas suburbanas vendidas a hispânicos e negros que finalmente poderiam sair dos prédios decadentes arrendados e ter uma american-way-of-life como os brancos, afinal poderiam ser excessivas para o que o mercado comportava e não valer aquilo que os construtores, financiadores e compradores estavam a pagar por elas.
Quando foram ver, afinal não valiam nada porque o serviço de dívida era incomportável para os clientes-alvo e já havia casa em excesso para o segmento dos que poderiam ficar com elas.
E aqui, quando a confiança no mercado cai, vai tudo pelo cano - os culpados, os inocentes e os outros.
Quem obrigou a banca a emprestar dinheiro a quem não podia pagar?
O povo. Que sempre quis ter uma casinha com piscina e está disposto a tudo para a ter - nem que para isso deixe de comer.
E se esse negócio for rentável para o banco, porque não emprestar?
E aqui reside a culpa final: o dinheiro estave barato demais durante muito tempo - as taxas de juro historicamente baixas estão na raíz do problema, porque colocaram muito dinheiro no mercado bolsista (impulsionando o investimento) e ao mesmo tempo "desbarataram" o conceito de dinheiro.
Como dizia no fim-de-semana Warren Buffet: "o dinheiro é como o oxigénio - se não faltar, ninguém pensa nele [e utilizam-no mal]. Mas se faltar por 5 segundos fica tudo aflito".
Liquidez excessiva no mercado, esse foi o mote.
Depois, a pressão da sociedade em querer mais, mais e mais, accionou o gatilho.