Crise !? Satus !? Mais Olhos que Barriga???

Os bancos emprestaram dinheiro a longo prazo, 30 anos para cima... E considerando a instabilidade de emprego nos EUA, onde és despedido de um dia para o outro, sem subsídios, sem indemnização, sem nada, os americanos não conseguem pagar os empréstimos... E lá o processo de despejo é num piscar de olhos... Mesmo arranjando emprego uns meses mais tarde tens toda a dívida acumulada...

Em Portugal e na Europa, tens pessoas que contrairam empréstimos a longo prazo e ficaram desempregados, mas aguentam-se porque receberam uma indemnização e têm subsídio de desemprego...

Não me choca que o estado proteja o trabalhador pagando-lhe um subsídio de desemprego por tempo limitado, desde que promova ao mesmo tempo a eficiência do mercado de trabalho... (algo que não acontece por cá!) Por outras palavras, que não interfira artificialmente nas políticas contratuais das empresas e dos trabalhadores.
Eu sei que há muitos políticos e economistas da "ala liberal" que são contra qualquer intervenção estatal a nivel de subsídios de despedimento... mas o que se tem verificado nos países da "flexisegurança" é que estas políticas promoveram a rotatividade do emprego e principalmente a produtividade da economia num todo.
O desemprego torna-se de curta duração e por arrasto faz com que a confiança do próprio empregado melhore. Em termos práticos a troca de emprego resulta quase sempre a favor do trabalhador e este acaba por sair mais valorizado no próprio mercado.

Mercado pode ser uma palavra fria e desumana quando a aplicamos a pessoas... mas a realidade é que temos de tratar os bois pelos nomes e sem complexos.
Já agora, se os EUA tivessem um mercado de trabalho mais regulado, a crise surgiria à mesma! Mas o problema seria mais complicado de resolver visto termos um mercado mais fechado, menos flexivel e muito menos eficiente a adaptar-se à crise... Não ficava surpreendido que daqui a 4 ou 5 anos já ninguem se lembre desta crise... tivessem os EUA um mercado de trabalho regulado e fechado e creio que nos próximos 10 ou 15 anos não se falaria de outra coisa... ...olha estavam como nós... isto já dura e dura e dura e vai continuar enquanto os nossos políticos não perceberem que "It's the Economy Stupid!" neste caso, os Mercados....
 
Não me choca que o estado proteja o trabalhador pagando-lhe um subsídio de desemprego por tempo limitado, desde que promova ao mesmo tempo a eficiência do mercado de trabalho... (algo que não acontece por cá!) Por outras palavras, que não interfira artificialmente nas políticas contratuais das empresas e dos trabalhadores.
Eu sei que há muitos políticos e economistas da "ala liberal" que são contra qualquer intervenção estatal a nivel de subsídios de despedimento... mas o que se tem verificado nos países da "flexisegurança" é que estas políticas promoveram a rotatividade do emprego e principalmente a produtividade da economia num todo.
O desemprego torna-se de curta duração e por arrasto faz com que a confiança do próprio empregado melhore. Em termos práticos a troca de emprego resulta quase sempre a favor do trabalhador e este acaba por sair mais valorizado no próprio mercado.

Mercado pode ser uma palavra fria e desumana quando a aplicamos a pessoas... mas a realidade é que temos de tratar os bois pelos nomes e sem complexos.
Já agora, se os EUA tivessem um mercado de trabalho mais regulado, a crise surgiria à mesma! Mas o problema seria mais complicado de resolver visto termos um mercado mais fechado, menos flexivel e muito menos eficiente a adaptar-se à crise... Não ficava surpreendido que daqui a 4 ou 5 anos já ninguem se lembre desta crise... tivessem os EUA um mercado de trabalho regulado e fechado e creio que nos próximos 10 ou 15 anos não se falaria de outra coisa... ...olha estavam como nós... isto já dura e dura e dura e vai continuar enquanto os nossos políticos não perceberem que "It's the Economy Stupid!" neste caso, os Mercados....

O dificil é abrir os olhos das pessoas de forma a verem isso em ves da eterna miopia toldada pelas palas do socialismo/comunismo
 
Eu por acaso já aqui tinha falado disto, de que forma as politicas neo-liberais estavam a mudar as regras na economia mundial.

Agora estamos a assistir ao resultado, esperem só até ela bater com força na Irlanda, na Alemanha dependentes das relações comerciais com a UE e com os EUA e na França onde o fim das 35 horas fez disparar o desemprego.

Hoje o Banco do Japão injectou mais dinheiro nas instituições do país, como de resto tanto a Europa e os EUA já tinham feito.

Vocês sabem o que significa mais dinheiro na economia, não sabem?....
 
Jacaré e restantes que parecem não ter percebido o sentido da minha expressão «o último sonho do liberalismo ruíu»:

O sonho nuclear do liberalismo, enunciado desde o século XIX, era o distanciamento do Estado, o Estado como obstáculo. A linha mais ortodoxa propunha mesmo o anão-Estado antes da sua redução a um mero simbolismo institucional de nação organizada.

Neste sentido, o que se observa actualmente chega a ser patético: os bastiões do liberalismo económico mendigam a bóia de salvamento do Estado...

Esse sonho-alicerce e auto-motivador do liberalismo ruíu como castelo de areia em maré cheia...

O liberalismo económico sabe agora que perdeu a face.
 
Última edição:
Jacaré e restantes que parecem não ter percebido o sentido da minha expressão «o último sonho do liberalismo ruíu»:

O sonho nuclear do liberalismo, enunciado desde o século XIX, era o distanciamento do Estado, o Estado como obstáculo. A linha mais ortodoxa propunha mesmo o anão-Estado antes da sua redução a um mero simbolismo institucional de nação organizada.

Neste sentido, o que se observa actualmente chega a ser patético: os bastiões do liberalismo económico mendigam a bóia de salvamento do Estado...

Esse sonho-alicerece e auto-motivador do liberalismo ruíu como castelo de areia em maré cheia...

O liberalismo económico sabe agora que perdeu a face.

Quem parece não ter entendido nada foste tu!

O Liberalismo económico, ao contrário do que vacilas, não perdeu a face, pelo contrário.

Ou ainda não percebeste que não são os Liberais que pedem para o estado resolver a crise com injecção de capital no mercado?

Pelo contrário, dizem e pedem ao estado que simplesmente deixe de brincar aos mercados!

Ou não sabias que foram os Liberais os primeiros a alertar e a fazer o prognóstico para uma crise que se aproximava, CRIADA principalemtne por interferências estatais e da reserva federal nos mercados?
 
Jacaré e restantes que parecem não ter percebido o sentido da minha expressão «o último sonho do liberalismo ruíu»:

O sonho nuclear do liberalismo, enunciado desde o século XIX, era o distanciamento do Estado, o Estado como obstáculo. A linha mais ortodoxa propunha mesmo o anão-Estado antes da sua redução a um mero simbolismo institucional de nação organizada.

Neste sentido, o que se observa actualmente chega a ser patético: os bastiões do liberalismo económico mendigam a bóia de salvamento do Estado...

Esse sonho-alicerece e auto-motivador do liberalismo ruíu como castelo de areia em maré cheia...

O liberalismo económico sabe agora que perdeu a face.

Resta saber se esse liberalismo não tomou já conta do Estado.
 
Basicamente e de uma maneira geral são os intervencionistas estatais! Mais propriamente, o estado e a Reserva Federal por "regular" de forma artificial taxas de juro tão baixas ao longo de tanto tempo, não promovendo a poupança e a produção e fazendo com que o consumo e o recurso ao crédito subisse de forma incontrolável e artificialmente para aquilo que o mercado na realidade teria para oferecer. O preço das propriedades subiu, não devido ao seu valor correcto de mercado, mas porque era barato pedir um empréstimo ao Banco! Comprou-se caro porque era barato pedir emprestado, não se produziu nem se poupou... a bolha aumenta e agora rebenta! Não há dinheiro para pagar o que se deve.... Não há volta a dar por mais regulações que se queiram fazer. E o Irónico é que foram defensores do mercado Livre os primeiros a alertar que esta crise estava a surgir exactamente desta maneira e que o estado estava a regular de forma incorrecta fazendo com que o Mercado fica-se tão desvirtuado daquilo que era na realidade!

Discordo nas razões de fundo.
As taxas de juro não estiveram artificialmente baixas por intervencionismo estatal. Pelo contrário, a política da FED limitou-se a seguir as tendências mundiais e a evitar uma depressão, especialmente após o 11 de Setembro. A própria economia global é que empurrou as taxas para baixo, por via dos normais mecanismos de mercado, designadamente o crescimento económico rápido dos países emergentes que tradicionalmente têm elevadas taxas de poupança, originando a compressão das taxas. Isto é, houve um fenómeno de liquidez excessiva no mercado mundial. Só para dar uma ideia, no fim do mandato de Clinton os excedentes eram tantos que a Reserva Federal andou a estudar como poderia levar a cabo uma política monetária caso deixasse de haver Dívida Pública (as injecções de liquidez são, geralmente, feitas através de compras de dívida pública por parte do FED).
Este fenómeno foi exacerbado devido à falta de regulamentação dos mercados, que permitiu ir sustentando elevadíssimos níveis de liquidez através da dispersão do risco, nomeadamente através dos bancos de investimento, que recorrriam à securitização de activos por tudo e por nada.

Resumindo vivemos uma década em que havia liquidez excessiva que tinha de ser aplicada pressionando as taxas de juro de longo prazo. Como a globalização provocou numa primeira fase um cenário deflação nos preços globais, as taxas de curto prazo (aquelas que são controladas pelos bancos centrais) mantiveram-se igualmente baixas.


Se há culpa do Estado, esta reside sobretudo na demissão do seu papel de regulador. Ou seja, se alguma coisa fez falta, foi não ter havido maior intromissão do estado nas regras da economia. Estava na "moda" acenar com o neo-libealismo económico para tudo. Era quase uma heresia deixar os governos meterem um dedo sequer no caminho dos iluminados e todo-poderosos colossos financeiros. E veja-se no que deu.
Exemplos de desregulamentação são vários: a diminuição de reservas obrigatórias e redução dos limites da actividade bancária, por exemplo bancos que passaram a fazer factoring, leasing e coisas parecidas e que por essa via obrigaram as empresas que antes faziam isso para nichos de negócio mais arriscados. Claro que essas empresas se financiavam com empréstimos nos Bancos, aumentando assim, indirectamente a exposição dos bancos ao risco.




Toda esta situação acabou por deflagrar em primeiro lugar no sector imobiliário. Partindo do princípio que as casas não paravam de valorizar, e dadas a desregulamentação que lhes deu maior flexibilidade, os bancos puderam passar a emprestar dinheiro para comprar casa a quem, obviamente, não tinha dinheiro. A ideia era simples, mesmo que as pessoas não pagassem, a garantia (ou seja a casa) valeria sempre mais do que a dívida. Assim, o risco era mínimo. Este produto financeiro (as dívidas aos bancos e respectiva hipoteca) foram vendidas no mercado. Era assim que os bancos se protegiam da possibilidade de não se pagar o empréstimo. Estes produtos financeiros foram vendidos pelo mundo todo, ou seja, tivemos o mundo financeiro a pagar as casas dos americanos. De repente, as casas deixaram de valer o dinheiro que valiam e pelo mundo inteiro as instituições financeiras (incluindo os Bancos da Europa) descobriram que estavam cheios daquilo a que agora se chama "lixo tóxico".

A bolha rebenta e se os americanos tiverem bom senso, não será injectado dinheiro para "salvar" a economia. Muitos bancos irão fechar por falta de liquidez.
A curto prazo a moeda americana poderá se desvalorizar, o emprego irá aumentar e o mercado imobiliário deverá sofrer uma grande reviravolta.... Os preços das casas vão por aí abaixo até se ajustarem a valores que sejam os reais... Se o mercado estiver corrigido a economia deverá crescer a ritmos bastante elevados.
Caso fosse injectado dinheiro... corria-se o risco de em breve ter uma crise seguida a outra sem saber ao certo quando parava e correndo o risco de tal artificialidade estar a aumentar ainda mais as incorrecções do mercado. Corria-se o risco de haver uma forte desvalorização do dollar.

A intervenção é necessária e, a meu ver, mais tarde ou mais cedo vai ter que ocorrer. O problema aqui é que os custos económicos e sociais da não intervenção podem ser muito mais penalizadores para os contribuintes americanos (e de todo mundo), do que serão se houver intervenção de facto. Neste capítulo temos tudo a aprender com a crise de 1929, que apesar de ser diferente tem muitos pontos de contacto. Julgo que hoje em dia ninguém considera aceitável um ajustamento 100% efectuado pelo mercado, porque isto implicaria uma brutal recessão, com taxas de desemprego de 25 ou 30% durante 2 ou 3 anos.
É óbvio que a intervenção não pode ser incondicional, como previa o primeiro plano Bush/Paulson apresentado há dias. Felzimente, os Democratas e alguns Republicanos souberem impôr regras. Atirar simplesmente dinheiro para cima das instituições em dificuldades não é a melhor opção. A melhor opção será oferecer liquidez em troca de participações de capital nessas instituições. O estado poderá assim agir como se fosse uma Capital de Risco: entra no capital dos bancos, endireita o barco, e mais tarde re-privatiza. Se tudo for bem feito, o custo de médio prazo para o contribuinte pode ser zero, ou até dar lucro. Ou seja, os lucros futuros gerados pelas instituições intervencionadas, mais os encaixes do estado aquando da re-privatização, podem ser superiores ao esforço que agora se pede aos contribuintes.
Note-se que o Plando Bush/Paulson não é invenção nenhuma. Trata-se de um decalque de um plano Sueco, a que o Governo daquele país recorreu no início da década de 90, numa situação muito semelhante, com resultados comprovados. No caso da Suécia, os resultados de médio prazo até foram positivos para os cofres do Estado.
 
Resta saber se esse liberalismo não tomou já conta do Estado.


Porque é que achas que querem a bóia de salvamento em cenário de «a fundo perdido» e sem que o Estado controle verdadeiramente a injecção salvadora que mendigam?...

O sistema financeiro precisa de um sério «reset» que promova uma reorientação relacional que altere o funil distributivo e redistribuidor do seu output; Que altere o «mau uso» do capitalismo promovido pelo liberalismo económico mais ganacioso e autista.

Mas há resistentes...
 
Última edição:
Axxantis,
Não é isso que Peter Schiff diz.
E parece-me que o homem merece alguma credibilidade...

Também acho...
Estar a "viciar" o mercado com dinheiro dos contribuintes é para mim um erro, é estar a beneficiar os prevaricadores...
Hoje são 700 mil milhões, amanhã quanto sera?
Os problemas vão continuar e vai tudo voltar ao mesmo, o dinheiro so tapa, não resolve nada...
Se o plano for o estado comprar os que estão na falencia e implementar medidas para salvar essas intituições ficando as mesmas sobre tutela do estado... Funcionando como qualquer outra empresa que compre outra e lhe dê continuidade ai talvez seja um bom plano...
 
Nunca estiveram tão certos ehehe [:p] [;)]

(Em casa dos pais, os livros de economia são maioritariamente sobre economia planificada e coisas que tais [:D] maravilhas de se ter apanhado o PREC nos primeiros anos de curso [:D][:p])
 
E achas que a generalidade dos americanos, é assim?

Que tem propostas de emprego em carteira, e que se preocupam mais com Wall Street do que com o facto de terem perdido o emprego?

Não me parece....
A generalidade dos Americanos trabalha e vive à custa desse mesmo trabalho e confia nas suas capacidades para exercer o seu trabalho em qualquer sítio do mundo. Uma lição para alguns daqui, que deveriam fazer uma excursão de autocarro para ver como se comporta a classe trabalhadora dos USA e a ver se aprendiam alguma coisa de útil.

E as pessoas em geral estão irritadas com Wall Street. Basta ver na TV, não é preciso sequer ir aos USA.

Digo, repito e volto a dizer de novo. A questão de perder o emprego nos USA não é tão crítica como cá.
 
Os EUA têm actualmente que nível de desemprego?

Nos últimos 10, 20 anos tiveram que nível de desemprego?

Será mesmo que alguns querem dar lições de moral sobre...desemprego...aos EUA?

Aqui na Europa dita Social dos desempregos de 8 a 10%?

Será? [:D]
 
Não é nada prático ir de autocarro aos USA. [:D]
Não..., realmente não me tinha lembrado disso. [;)]

Mas é curioso que nos USA existem (dados de 2005) 25,000,000 de empresas.
Dessas, 19,000,000 têm 0 trabalhadores, ou seja, tirando as empresas de fachada, há por lá muita gente a trabalhar por conta própria e que não se pode queixar ao patrão. [:cool:]
 
Não..., realmente não me tinha lembrado disso. [;)]

Mas é curioso que nos USA existem (dados de 2005) 25,000,000 de empresas.
Dessas, 19,000,000 têm 0 trabalhadores, ou seja, tirando as empresas de fachada, há por lá muita gente a trabalhar por conta própria e que não se pode queixar ao patrão. [:cool:]

Nos EUA o mercado é extremamente dinamico e competitivo, não há lugar para sornas ou incompetentes.
Por lá tambem grande parte da economia baseia-se em pequenas e medias empresas, embora as grandes corporações tenham um grande peso e poder.
É muito mais facil qualquer pessoa competente, qualificada e trabalhadora vingar e ganhar dinheiro que na Europa.
 
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