Para mim a saída do Nasser, ainda que envolta em polémica, acabou por retirar à prova o seu principal animador e show man. Por muito que ele diga mal do Hummer (deve ser no que dá estar mal habituado dos tempos da VW), o que é certo é que a equipa do Gordon teve, este ano, um destaque muito acima do que tinha tido noutros anos.
Ok que o Gordon nunca como este ano andou tantos dias na frente mas o espectáculo que o Nasser dava todos os dias fez com que os Hummer se tivessem tornado no fenómeno da prova deste ano, pois qualquer um mais interessado nestas coisas já viu ou ouviu falar das peripécias a voar baixinho destes carros. Basta ver que abundam vídeos na net com estes carros (na prova de 2012), sempre a fundo e com o pessoal quase em histeria. Por isso digo, por muito mal que o árabe diga, devem ser às dezenas os pilotos que devem sair deste Dakar a pensar em como montar um projecto, para o próximo ano, com este carro. É a tal questão, "...o que interessa é falar..."[

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Quanto às questões à volta de tempos perdoados e desclassificações (ou vista grossa feita às mesmas), isso não é novidade nenhuma. Já por múltiplas vezes, na já longa história do Dakar, se assistiu a "coisas" no mínimo estranhas. Quando lá andava a Citroen então aquilo quase que parecia feito por medida para os franceses. A Mitsubishi que o diga!
Já no que toca a esta edição, devo dizer que a cena do Despres não me espantou. Nunca o achei particularmente simpático ou galante para com os adversários. Já tive a oportunidade de falar com ele (encontrei-o num hotel em França) e achei-o de uma frieza que até meteu dó, parecendo fazer um frete (até para os seus compatriotas). Percebendo que ele estava na luta pela vitória, também o Paulo estava na sua luta muito própria. Por isso não acho que essa da "luta pela vitória" justifique o que quer que seja. Além disso, ficou a sensação que a organização tentou, de forma artificial, mantê-lo na luta. Ou muito me engano ou se fosse com o Coma...está-se a ver que seria o oposto.
Quanto ao Peterhansel, é outro tipicamente francês. Aquando de uma prova em Lisboa, em que as verificações técnicas eram no pavilhão Carlos Lopes, lá fui eu fotografar e tentar uns autografos. Dos que lá estavam (VW, X-Raid e Mitsubishi), o único que foi menos educado para os fãs foi ele. O Sainz e especialmente o Roma foram uns porreiros. Este último então é de uma simpatia impressionante. Mas voltando ao Peterhansel, aquele encosto num motard, em pleno curso de água, não lhe ficou mesmo nada bem. Por muito que me digam que aquilo foi para evitar alguma pedra que estava no rio e que a coisa lhe saiu mal, neste Dakar um dos Kamaz foi ao ar por algo parecido. E veja-se o Leal dos Santos, que ficou atascado num lamaçal porque teve de evitar um motard. Se fosse o francês, acho que o motard era passado a ferro pois para a frente é que é caminho.
Enfim, esta coisa de proteger os franceses é velha na A.S.O. Não me surpreende mas fica mal e mata o pouco que ainda resta do espírito desta prova.
Dito isto, que ganhe o Gordon (se a organização não conseguir dar a volta a cena dos restritores que "só" agora parecem ilegais!) ou o Roma! E na motos, não ganhando um português, que ganhe o Coma!