Mais um Dakar, mais uma vez com novidades em relação ao anos anteriores. Desta vez, a entrada do percurso no Peru, o que se revelou uma surpresa agradável em termos de espetaculo. As dunas na zona de Nasca e as vistas para o Pacifico foram um regalo para os olhos e um desafio para os pilotos. Consta que para o ano, irá começar de Lima e depois descer para o deserto do Atacama; uma primeira semana muito dificil a confirmar-se.
Nas motos, desde cedo se percebeu que somente a dupla do costume iria lutar pelo titulo, metendo logo nos primeiros dias, uma diferença quase irrecuperável nos restantes pilotos. Rodrigues foi o "best of the rest" sem problemas em o conseguir, mas Chaleco Lopez já tinha abandonado, e poderia dar uma luta interessante. Destaco ainda o bom andamento de Paulo Gonçalves, terminando quase sempre no top10. Uma penalização diria estranha atirou-o para muito longe na geral. Sem as 6 horas dadas, faria 6º classificado final. Muito bom.
Ruben Faria, mais uma vez não pôde fazer uma prova "limpa", mas manteve um andamento regular, tal como Bianchi Prata, que no meio do pelotão não deu nas vistas, mas chegou a Lima o que é sempre um feito.
Quanto ao resto, os espanhois estiveram muito bem, entre os quais destaco o Barreda Port, que via constantemetne a fazer bons registos no live timing, e o Svitko no top5.
Nos carros, tal como se esperava, vitória da Mini, mas não foi o passeio no deserto como queriam fazer parecer. Bem, foi quase. O unico que poderia destruir a vitória Mini, seria Robby Gordon, que foi na primeira semana, muito regular, e na segunda semana, muito espetacular, o que lhe custou alguns dissabores como o ter-se perdido, o capotar do Hummer, ou o furo duplo quando tentava passar Peterhansel.
Carlos Sousa cumpriu o objectivo e meteu o GW no top10 sem grandes problemas, e também, sem arriscar. Leal dos Santos, o moço dos cafés, ao serviço da Mini foi pau para toda a obra, ajudou Nani Roma, ajudou Halloween, ou lá como o polaco se chama, e ainda teve tempo de se enfiar num charco de lama, talvez o unico sitio humido em kms. E ainda assim, faz um honroso 8º lugar. Cumpriu com distinção. Francisco Pita abandonou, contudo foi bastante mencionado, tendo a Eurosport lhe dado vários minutos aquando de um atascanso numa passagem de um rio em que quase ninguem lhe deu ajuda, ou quando andava perdido e teve um insolito acidente com um carro civil.
Nos camiões, todos falam do fim do dominio Kamaz (8 nos ultimos 9), mas prefiro destacar a dobradinha Iveco, que nunca tinha ganho, e surpreendeu meio mundo com esta vitoria de um camião ousado de um eixo bastante mais curto que os "superiores" Kamaz que estavam orfãos de Chagin e Kabirov.
Notas negativas:
- Um motard morto, é sempre de lamentar que aconteça.
- A suspeita de tendenciosismo da ASO. A verdade é que ficará sempre a duvida se houve realmente dois pesos e duas medidas. Peterhansel abalrou um motard e nada aconteceu, enquanto outros também o fizeram e foram penalizados. Despres, caí numa poça de lama e "ah, não vale, tava molhado" e corrige-se o tempo. Afinal, é só Todo-o-Terreno excepto os enlameados em que o francês caia. Afinal, nem precisaria desses minutos oferecidos para vencer o rally, e a AScO sairia, no que toca a este caso incólume.
- Al Attiyah: sim parece ter sido unanime a opinião que foi o piloto que mais espetaculo deu nas classificativas, mas fora delas também deu muito espetaculo. Qualquer pessoa que saíba fazer contas percebe que ele não estava ali para ganhar. O Dakar terminou dia 15 e dia 17 estava já inscrito no WRC, quase do outro lado do mundo. As farpas que atirou ao Gordon e ao Hummer, parecem apenas desculpas a querer ocultar o que realmente lhe ia na alma; que já era altura de estar na Europa a preparar MonteCarlo. Não creio estar muito longe da realidade se disser que o qatari só não abandonou o Dakar no primeiro dia, por insistencia de Gordon que lhe rebocou o Hummer. A partir daí, foi um esforçar do Hummer ao maximo, na esperança que parta. Só assim se percebe porque não trocou a tal correia enquanto era tempo.
para 2013, ficam algumas interrogações.
Gordon vai lutar pela vitória e tem carro para isso. Que concorrência terá?
Será que a Mini/BMW vai continuar o seu programa de Dakar sem rivalizar com nenhum outro construtor ?
Será que a overdrive vai continuar a desenvolver um Toyota para o De Villiers que o levou ao pódio?