IN FLEET MAGAZINE por Ricardo Sousa, engenheiro mecânico.
Fim do diesel dá energia aos híbridos e elétricos
Quando se analisam todos os movimentos decorridos após a divulgação das notícias sobre a discrepância das emissões nos motores do grupo Volkswagen, ocorrido há mais de um ano, um facto ressalta: desde então, todos os grandes construtores automóveis anunciaram o desenvolvimento de motores mais eficientes, maioritariamente a gasolina, ou movidos a formas alternativas de energia.
De maneira mais ou menos discreta, perante exigências ambientais mais exigentes, alguns construtores admitiram mesmo que os motores a gasóleo, pelo menos nos veículos ligeiros, têm os dias contados na Europa.
Por isso, acredito que a (ainda) fraca concorrência das motorizações híbridas e elétricas vai certamente fazer crescer significativamente a venda de carros com soluções alternativas ou complementares à gasolina e ao gasóleo, e as vendas deste ano já evidenciam a maior aceitação dos condutores europeus, sobretudo empresas, por este tipo de veículos.
Para isso, contribuiu não apenas algum desencanto com os acontecimentos no grupo Volkswagen, mas também o apertar das políticas ambientais com vista à redução de emissões nocivas para o ambiente, sendo que as empresas e o automóvel são os maiores contribuintes.
Para estimular a procura, a maioria dos Estados membros da UE têm assegurado um conjunto de normas e benefícios fiscais mais atrativos, mais uma vez com impacto junto dos consumidores profissionais.
Se a isto juntarmos as evoluções tecnológicas que aumentaram a autonomia dos veículos 100% elétricos, acredito que a relevância destas motorizações comece a ter impacto significativo na redução das emissões e no peso da frota global de cada construtor, sobretudo quando ela se aproximar dos 500 km.
E o que é que está a ser feito para isso?
Nova tecnologia híbrida
Se nos elétricos muito tem sido feito para aumentar a capacidade das baterias, reduzir os consumos energéticos dos motores e a fricção, já nos híbridos, a aposta dos construtores é conseguir desenvolver conjuntos eficientes, em que o acoplamento do motor elétrico ao térmico resulte realmente num benefício para os consumos e emissões.
Aquilo que a maioria dos fabricantes automóveis ambiciona é tão só conseguir implementar sistemas que permitam retirar 70% do benefício dos sistemas híbridos plug-in da Toyota e da Honda, por apenas 30% do seu custo!
Antes de mais, é importante lembrar que os dois principais fabricantes mundiais de veículos híbridos são a Toyota e a Honda, cada um deles com um sistema híbrido próprio.
O sistema utilizado pela Toyota nos modelos da marca e na Lexus é o Hybrid Synergy Drive (HSD). Conjuga o melhor do sistema paralelo, com o melhor do sistema em série , permitindo ao Prius melhor rendimento que o sistema Integrated Motor Assist (IMA) da Honda, que funciona em paralelo.
Bem recentemente, dois dos principais fabricantes de componentes da indústria – Bosch e Delphi – anunciaram estar a desenvolver novos sistemas elétricos de 48 volts.
As grandes vantagens dos sistemas de 48 volts são o peso e dimensão, e o facto de dispensarem sistemas de segurança caros, como acontece nos que se encontram instalados nos veículos elétricos, que trabalham sempre acima dos 400 Volts.
Pronto para produção em 2017, segundo a Bosch anunciou, a sua tecnologia permite ser muito facilmente integrada em motores já existentes.
Contém a funcionalidade Stop/Start e, quando atua como um gerador, converte a energia de travagem em eletricidade, que pode ser utilizada para carregamento de baterias ou para consumo dos sistemas elétricos, com auxílio de um conversor para 12 volts.
Com o auxílio de uma bateria de iões de lítio também significativamente menor, este novo conjunto elétrico fornece uma potência suplementar de até 10 kW (13,6 cv).
Durante a aceleração, o motor elétrico acoplado tem potencial para fornecer mais 50 Nm de binário ao motor de combustão.
A Bosch espera que cerca de 4 milhões de veículos novos, em todo o mundo, venham a ser equipado com este sistema híbrido.
Já a tecnologia híbrida de 48 volts da Delphi, permite, nas palavras do fabricante, “uma eletrificação inteligente” capaz de assegurar reduções de emissões de CO2 em mais de 10%.
Esta solução aproveita o que os engenheiros desta empresa americana chamam de “e-charger”, que melhora o arranque do veículo.
A Delphi garante também que o seu sistema é capaz de aumentar o binário de arranque, em média, 25% e, em Abril deste ano, demonstraram-no num Honda Civic com motor diesel de 1,6 litros.