É preciso perceber uma coisa de base, sem a qual todo o discurso surge inquinado e não é possível discutir nada com nexo. A reciprocidade só funciona entre pares. Quando os planos são muito desiquilibrados, qualquer argumento de reciprocidade é vazio.
Levando as coisas ao absurdo: Existem Comissões de Protecção de Crianças e Jovens. Porque razão não existem Comissões de Protecção de Adultos? Porque a sociedade percebe que, no plano etário, as crianças e jovens estão mais desprotegidas que os adultos.
Com as associações de minorias passa-se o mesmo, salvaguardadas as devidas distâncias. Não existem por cá Institutos do Homem Branco, porquê? Porque o indivíduo de género masculino e pele caucasiana faz parte da comunidade dominante na sociedade, não sendo prejudicado em função da sua cor e do seu género. Porque é que se lembraram de criar um Instituto da Mulher Negra em Portugal? Porque resulta claro que ser mulher e ser negra em Portugal constitui um handicap à partida, e há trabalho a fazer nesse campo.
Esta constatação, relativa à mulher negra, mas também aos ciganos e a outras minorias, é evidente.
Objectivamente, faz sentido haver quem se preocupe em melhorar o acesso das mulheres negras ao mercado de trabalho, ao seue estatuto na sociedade e dentro da família, tal como faz sentido haver quem se preocupe em promover a integração da comunidade cigana. Pela simples razão de que os seus problemas são um facto.