SRLA
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É aqui que estás errado. Todos os esteróides anabólicos fazem exactamente a mesma coisa quando se "colam" ao receptor. O complexo hormona-receptor migra para o núcleo da célula e activa os genes específicos a esse receptor, no caso das células musculares a síntese de proteínas para hipertrofia muscular.Tens razão quando dizes que só há um receptor androgénico MAS diferentes substâncias interagem de maneira diferente com esse receptor o que produz efeitos diferentes.
As diferenças entre diferentes esteróides são basicamente:
- Afinidade para o receptor, numa dada "sopa" de hormonas e receptores as hormonas vão saltando de um lado para o outro e de vez em quando lá encaixam no receptor para fazer a sua função, certas hormonas encaixam mais facilmente que outras por isso vais ter mais moléculas agarradas ao receptor a fazer o que se quer e menos a circular livremente sem fazer nada. Mas um esteróide com menos afinidade pode resultar no mesmo número de hormonas e receptor emparelhados, apenas é preciso usar mais;
- Resistência a metabolismo e afinidade para proteínas com a função de aprisionar a hormona. Esteróides metilados são mais resistentes à decomposição no fígado, por isso duram mais tempo no organismo e ao longo da sua vida útil vão-se acabar por ter agarrado a mais receptores. Esteróides com menor afinidade para shgb (globina ligadora de hormonas sexuais - basicamente agarra-se a esteróides e torna-os inúteis) vão circular em maior quantidade na sua forma livre, havendo naturalmente mais moléculas disponíveis para se agarrar aos receptores. Tal como no primeiro ponto isto ajusta-se facilmente com uma dose diferente;
- Toxicidade, esteróides metilados por exemplo são conhecidamente tóxicos para o fígado, ao contrário das hormonas base, tipicamente injectáveis. Isto acaba por limitar a sua utilidade para utilizar em grandes quantidades ou a longo prazo;
- Capacidade de aromatizar (reagir com a enzima aromatase produzindo um estrogénio) e afinidade para a dita enzima. Para além da molécula aromatisada deixar de ser um androgénio e perder a sua capacidade de produzir hipertrofia, os estrogénios têm efeitos secundários como a retenção de líquidos, aumento da pressão sanguínea e ginecomastia;
- Afinidade para o receptor de progesterona. Certos esteróides, sobretudo derivados da nandrolona, são progestinas, ou seja têm alguma afinidade para o receptor da progesterona, embora não a sejam. Isto também cria efeitos secundários, como aumento de prolactina que pode causar disfunção eréctil, e um dos efeitos da progesterona é aumentar consideravelmente a sensibilidade aos estrogénios, aumentando os efeitos secundários destes indirectamente;
- Capacidade de reagir com a enzima 5a-redutase, que existe em tecidos relacionados com características sexuais secundárias masculinas como pele (sobretudo na cabeça e face), próstata, cordas vocais etc, e que converte a testosterona em dihidrotestosterona, um esteróide muito mais potente. Esteróides incapazes de reagir com esta enzima apresentam menos efeitos androgénicos (porque não podem ser convertidos numa forma mais potente nestes tecidos), e a nandrolona (ou hormonas muito próximas desta) tem a particularidade de reagir com esta enzima para formar esteróides muito mais fracos invés de mais fortes, ou seja efeitos androgénicos são quase inexistentes;
- Capacidade de reagir com a enzima 3a-HSD (o nome por extenso é um camião), presente em tecidos como células musculares, que reduz os derivados dihidro- resultantes 5a-reductease a compostos quase inertes. Esta existe apenas para prevenir que a DHT tenha um efeito excessivamente anabólico no organismo, dada a sua potência.
Acho que resumidamente é isto o mais importante. De qualquer das formas isto tudo para justificar a minha posição inicial que a diferença entre usar um só esteróide, ou dois ou três diferentes, vai estar sobretudo nos outros efeitos que virão juntamente com o crescimento muscular. Esse é sempre possível obtê-lo na mesma dose com um só esteróide, e qualquer um deles, é apenas uma questão de usar a quantidade certa.
Não há "sinais clássicos da hormona de crescimento", pelo menos não do ponto de vista muscular. Há sobretudo sinais clássicos de esteróides "secos" (que não retêm água) e sinais clássicos de esteróides "húmidos", que dão de facto um aspecto bastante diferente. Vai pesquisar fotos do Arnold no início da sua carreira, ou até nos seus primeiros Olympias, e fotos mais para o fim. Tem um aspecto completamente diferente, e a diferença não está em ter começado a usar hormona de crescimento, mas sim passar a usar esteróides secos como metenolona invés de nandrolona. Os "sinais clássicos da hormona de crescimento", falando daqueles que insistem nesta invés de esteróides, é nem parecer que se usa nada.
Uma vez que até me mandaste estudar, deixo a recomendação do livro Anabolics de William Llewellyn, uma boa fonte de conhecimentos sólidos, científicos mas de aplicação prática nesta área.