Eutanásia

Nota-se logo por aqui.

Na Holanda, em 2015, 3,7% das mortes envolveram eutanásia.
E já agora convém perceber que os critérios para eutanásia são relativamente apertados.

Também existe uma grande confusão entre eutanásia, morte assistida e suicídio assistido. São termos diferentes e que geram muita confusão em quem comenta o assunto.

Em relação à eutanásia, e partindo do princípio de que os critérios são, mais uma vez, extensivamente definidos e apertados, totalmente a favor.
Ontem, na Antena Aberta da Antena 1, falou a mãe de uma rapariga portuguesa que passou por esse processo.
Explicou que aquilo é extremamente rigoroso e que, até à hora das 2 injecções, teve sempre o livre arbítrio de voltar atrás na decisão.

Pensei que era o primeiro caso de eutanásia na Bélgica, mas a pesquisar, dei com esta notícia:
https://www.dn.pt/mundo/medicos-bel...mulher-que-recorreu-a-eutanasia-11704000.html

Penso que em Portugal, a haver, seria a rotina de qualquer hospital... Atendendo a que a despenalização do aborto aparentemente fez com que haja abortos ilegais legalmente feitos...

De qualquer forma, penso que eu já referi algures aqui no motorguia que em Portugal temos a Lei do Testamento Vital que penso ser semelhante à lei da eutanásia.
Logo é haver 2 leis para o mesmo fim.

Edit: Afinal não é igual.

https://dre.pt/web/guest/legislacao...xportPdf/maximized/1/cacheLevelPage?rp=indice

[h=2]Regula as diretivas antecipadas de vontade, designadamente sob a forma de testamento vital, e a nomeação de procurador de cuidados de saúde e cria o Registo Nacional do Testamento Vital (RENTEV)[/h][h=1]Lei n.º 25/2012[/h]
Diário da República n.º 136/2012, Série I de 2012-07-16

Capítulo II

[FONT=&quot]Diretivas antecipadas de vontade

[/FONT]
Artigo 2.º[FONT=&quot]
[/FONT]
Definição e conteúdo do documento

1 - As diretivas antecipadas de vontade, designadamente sob a forma de testamento vital, são o documento unilateral elivremente revogável a qualquer momento pelo próprio, no qual uma pessoa maior de idade e capaz, que não se encontreinterdita ou inabilitada por anomalia psíquica, manifesta antecipadamente a sua vontade consciente, livre e esclarecida, noque concerne aos cuidados de saúde que deseja receber, ou não deseja receber, no caso de, por qualquer razão, seencontrar incapaz de expressar a sua vontade pessoal e autonomamente.

2 - Podem constar do documento de diretivas antecipadas de vontade as disposições que expressem a vontade clara einequívoca do outorgante, nomeadamente:
a) Não ser submetido a tratamento de suporte artificial das funções vitais;
b) Não ser submetido a tratamento fútil, inútil ou desproporcionado no seu quadro clínico e de acordo com as boas práticasprofissionais, nomeadamente no que concerne às medidas de suporte básico de vida e às medidas de alimentação ehidratação artificiais que apenas visem retardar o processo natural de morte;
c) Receber os cuidados paliativos adequados ao respeito pelo seu direito a uma intervenção global no sofrimentodeterminado por doença grave ou irreversível, em fase avançada, incluindo uma terapêutica sintomática apropriada;
d) Não ser submetido a tratamentos que se encontrem em fase experimental;e) Autorizar ou recusar a participação em programas de investigação científica ou ensaios clínicos.
 
Última edição:
Sobre isto, eu tenho esta posição. Nunca deixarei num referendo ou numa eleição, que o Estado tenha o poder de decidir sobre a minha vida ou a minha morte.

Decidir se quero viver ou morrer, é um direito APENAS meu!
 
Eutanásia num sentido etimológico e clássico do termo = "boa morte" = morte sem sofrimento. Os gregos e romanos referiam-se ao termo para expressar o desejo da felicidade de morrer "serenamente durante o sono, sem dor e sem consciência".

Na era moderna passou a designar o acto de matar sem dor em caso de doença terminal, incurável e com sofrimento (físico ou psicológico). Implica necessariamente a antecipação do momento da morte (através de uma acção praticada pelo próprio ou por outra parte).

Há 4 tipos principais de eutanásia:

- activa: com administração de substância letal por outra parte.

- passiva: suspensão de suportes/tratamentos activos que sustentam a vida.

- indirecta: administração de analgesia -que pode ser letal- num doente que não está num processo de morte imediata/de curto prazo.

- suicídio medicamente assistido: o próprio doente toma a substância letal, isto é, é auxiliado.

Outra coisa -QUE NÃO É EUTANÁSIA- é a sedação paliativa, isto é, a analgesia e promoção de um estado de semiconsciência/inconsciência quando se entrou num processo de morte imediata/de curto prazo inevitável. Neste caso não há antecipação da morte e culmina-se numa morte medicamente assistida.

Outra coisa - QUE NÃO É EUTANÁSIA- é interromper ou não efectuar medidas invasivas e que não antecipam mas que também não são capazes de modificar um processo de morte imediata/de curto prazo inevitável/inultrapassável. O exemplo típico é uma colheita de sangue ou outros procedimentos potencialmente invasivos (introdução de uma sonda para alimentação forçada) num doente que está neste tipo de processo de morte.

Portanto, por favor parem lá com as idiotices ignorantes de que o doente oncológico que está sob morfina ou outro qualquer opioide numa enfermaria de um qualquer hospital é "mais ou menos" eutanasiado.

São coisas demasiados sérias para serem discutidas como se fosse tudo igual. "Ou mais ou menos a mesma coisa".

P.S. O caso em discussão na Holanda do comprimido letal vendido gratuitamente após os 70 anos e sem prescrição médica para quem "está cansado de viver" nem sequer entra em qualquer tipo de eutanásia. A ser assim constitui simplesmente um meio de suicídio estatalmente promovido.


Ora cá está um post essencial para se começar a discutir o assunto. Bela intervenção.
Isto dito, trata-se de um assunto demasiado sério e grave, que vai muito além das liberdades individuais, para se poder resolver à pressa, na Assembleia da Republica, por uma maioria que conjunturalmente se formou, e zás... está feito... tão indolor como a própria eutanásia. Do meu ponto de vista, é uma sacanice que se está a fazer.
Também tenho dúvidas quanto ao referendo, atenta a tecnicidade do assunto. É engraçado ver como as posições acerca do referendo são opostas aos do tempo do aborto...
Quanto ao assunto em si, porque o resto (leia-se, referendo ou não) é ruído, penso que a decisão é iminentemente individual, do potencial eutanasiado. Trata-se da sua vida, sem sombra de dúvidas - por aqui se distinguindo radicalmente da questão do aborto.
Do que tenho as maiores reservas - e que se calhar são incontornáveis - é que se consagre numa comunidade ocidental evoluída, num Estado, a possibilidade de matar, de antecipar a morte de um ser humano, como solução para o que quer que seja.
O Estado deveria defender intransigentemente a vida, investindo, nos casos mais paradigmáticos da eutanásia, num SNS digno. E em vez disso, oferece a solução morte.
Reduzindo o assunto à sua expressão essencial, nuclear, está a oferecer-se uma solução para um problema induzindo a morte. E isso choca-me profundamente, que acho que não se deve matar nem o maior Hitler de todos...
Abrir a possibilidade de o Estado matar, ou permitir que se mate, é bem uma sinal da degradação civilizacional a que, queria-se ou não, se chegou. .. total relativismo, incluindo da vida, que deveria ser intransigentemente defendida.
Mas lá que se trata de um assunto tramado, trata!
Cumpts,
 
...

P.S. O caso em discussão na Holanda do comprimido letal vendido gratuitamente após os 70 anos e sem prescrição médica para quem "está cansado de viver" nem sequer entra em qualquer tipo de eutanásia. A ser assim constitui simplesmente um meio de suicídio estatalmente promovido.

ou homicídio...

depois de morto como ter a certeza que não foi "suicidado" por outra pessoa?

mas vale tudo para poupar alguma coisa

tanto dá, há mais marés que marinheiros e de qualquer modo a europa está moribunda

o doente terminal, profundamente dependente, não é tantas vezes facilmente influenciavel pela família próxima?
 
Casos sociais nos hospitais custam 68 milhões ao SNS


Quase sete centenas de pessoas estavam no início deste mês internadas em hospitais públicos não por estarem doentes, mas apenas por causas sociais, porque não tinham família para os acolher ou porque aguardavam vaga nos cuidados continuados ou lares de idosos.

Doentes abandonados entopem Urgências do Hospital de Viseu


Há doentes que são esquecidos e abandonados pelos familiares horas a fio - em alguns casos, dias - nas Urgências do Hospital de Viseu, fator que contribui para a situação de caos que se vive há vários meses no serviço e que não está prevista acabar a curto prazo.


Hospitais podem vir a cobrar por doentes abandonados


Todos os dias há mil pessoas com alta clínica, mas que não têm para onde ir. Fim de taxas moderadoras em consultas programadas custa quase 30 milhões.
Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastam cem milhões/ano com as mais de mil pessoas por dia que têm alta clínica, mas continuam internadas por falta de respostas sociais. Há muito que o problema é denunciado pelos hospitais e, agora, o Ministério da Saúde quer encontrar um "modelo de responsabilidade financeira" por estes internados




É fácil para os filhos fazerem sentir a um pai ou uma mãe incapacitado que o facto de eles estarem vivos, mas na situação de incapacidade que as suas vidas serão muito melhores depois da morte do pai ou da mãe
É fácil empurrar uma pessoa nessa situação para pedir para morrer, fazê-lo sentir que é isso que deve fazer, pedir para morrer, para bem dos filhos que estão a ter trabalho, despesa e perda de rendimentos

é só somar isso a uma situação fisicamente dolorosa, por falta de cuidados paliativos adequados, e está feito
 
Última edição:
Um dia, se eu estiver com uma doença incurável que me faça sofrer e aos meus familiares, e se em pleno uso das minhas faculdades mentais e emocionais, de forma ponderada e refletida, eu decidir por termo à minha vida...

...quero lá saber da opinião dos médicos, dos políticos, da Igreja ou dos eleitores de freixo de espada à cinta !

Era só o que faltava essa gente toda ter mais poder de decisão sobre a minha vida que eu próprio.
 
(...)É fácil para os filhos fazerem sentir a um pai ou uma mãe incapacitado que o facto de eles estarem vivos, mas na situação de incapacidade que as suas vidas serão muito melhores depois da morte do pai ou da mãe
É fácil empurrar uma pessoa nessa situação para pedir para morrer, fazê-lo sentir que é isso que deve fazer, pedir para morrer, para bem dos filhos que estão a ter trabalho, despesa e perda de rendimentos(...)

Sim, isso pode ser de facto um problema. É de facto um assunto muito complexo, com diversas abordagens possíveis, muitas delas decorrentes da experiência de vida de cada um. É também um assunto propicio a estados de emotividade extremos.

Ainda ontem assisti na RTP3 a um juiz quase ser classificado de analfabeto por defender a eutanásia.

É complicado...
 
Um dia, se eu estiver com uma doença incurável que me faça sofrer e aos meus familiares, e se em pleno uso das minhas faculdades mentais e emocionais, de forma ponderada e refletida, eu decidir por termo à minha vida...

...quero lá saber da opinião dos médicos, dos políticos, da Igreja ou dos eleitores de freixo de espada à cinta !

Era só o que faltava essa gente toda ter mais poder de decisão sobre a minha vida que eu próprio.

É bem mais complexo que isso porque podes não ter a capacidade de pôr termo à tua própria vida nessas condições que enumeraste.

Podes, inclusive, não ter a capacidade de reconhecer esse momento (que traças agora de forma tão linear e bem definida, do conforto da tua actual situação/saúde [;)]) e a decisão ficar por tomar por outros ("sociedade" por meio do que a lei diz, família, quem seja...). Podes até mudar de opinião confrontado com uma qualquer situação concreta ou mudança na tua vida (e não teres a capacidade de manifestar essa mesma mudança de opinião).

Como tal, há uma discussão a ter na sociedade sobre uma matéria que, sendo de facto muito pessoal, pode e acaba muitas vezes a implicar os outros e que vai além da tua liberdade. Quer queiramos ou não.

Num mundo ideal todos decidíamos previamente sabendo todos os pormenores do futuro que nunca sabemos, não mudávamos de opinião, não precisávamos de ajuda para morrer ou cumprir os nossos desejos, etc. E nesse mundo ideal esta discussão realmente só dependeria de nós. Esse mundo ideal e dogmático não existe.
 
Última edição:
Um dia, se eu estiver com uma doença incurável que me faça sofrer e aos meus familiares, e se em pleno uso das minhas faculdades mentais e emocionais, de forma ponderada e refletida, eu decidir por termo à minha vida...

...quero lá saber da opinião dos médicos, dos políticos, da Igreja ou dos eleitores de freixo de espada à cinta !

Era só o que faltava essa gente toda ter mais poder de decisão sobre a minha vida que eu próprio.

Não vás, fica mais um bocadinho....
 
É bem mais complexo que isso porque podes não ter a capacidade de pôr termo à tua própria vida nessas condições que enumeraste.

Podes, inclusive, não ter a capacidade de reconhecer esse momento (que traças agora de forma tão linear e bem definida, do conforto da tua actual situação/saúde [;)]) e a decisão ficar por tomar por outros ("sociedade" por meio do que a lei diz, família, quem seja...). Podes até mudar de opinião confrontado com uma qualquer situação concreta ou mudança na tua vida (e não teres a capacidade de manifestar essa mesma mudança de opinião).

Como tal, há uma discussão a ter na sociedade sobre uma matéria que, sendo de facto muito pessoal, pode e acaba muitas vezes a implicar os outros e que vai além da tua liberdade. Quer queiramos ou não.

Num mundo ideal todos decidíamos previamente sabendo todos os pormenores do futuro que nunca sabemos, não mudávamos de opinião, não precisávamos de ajuda para morrer ou cumprir os nossos desejos, etc. E nesse mundo ideal esta discussão realmente só dependeria de nós. Esse mundo ideal e dogmático não existe.

Se olhares para os países onde já é legal, vais ver que existem regras muito restritas para quem tem acesso e quem não tem.
Só estando em plena consciência e numa situação terminal e que tens acesso.

Eu apoio a 100%, deixar as pessoas morrerem com dignidade e se despedirem dos seus entes queridos com dignidade.
 
Quem apoia a eutanásia deve ter a humanidade em consideração demasiado boa.

Esta que sempre nos provou ser à prova de execução de atrocidades de qualquer tipo.


Por ser uma matéria pela qual tenho o maior respeito, não me deixa tranquilo que uma decisão importante destas fique nas nossas mãos.
 
é praticada todos os dias por acçao e omissao desde sempre nos lares e hospitais
alguem sem familia ou carenciado que va agora para o hospital e para vila real\porto é para abater
como sempre tenho dito
veja - se o ultimo caso no hospital de lamego, que ja tinha falado desse hospital mil vezes
2 coitados ficaram calados e morreu o homem pq nao tem peso e a mulher nao se soube mexer.
 
Quem apoia a eutanásia deve ter a humanidade em consideração demasiado boa.

Esta que sempre nos provou ser à prova de execução de atrocidades de qualquer tipo.


Por ser uma matéria pela qual tenho o maior respeito, não me deixa tranquilo que uma decisão importante destas fique nas nossas mãos.

Deve ficar nas mãos de quem? De Deus?
 
é praticada todos os dias por acçao e omissao desde sempre nos lares e hospitais
alguem sem familia ou carenciado que va agora para o hospital e para vila real\porto é para abater
como sempre tenho dito
veja - se o ultimo caso no hospital de lamego, que ja tinha falado desse hospital mil vezes
2 coitados ficaram calados e morreu o homem pq nao tem peso e a mulher nao se soube mexer.

O que é que isso tem a ver com o tema?
 
tem, é eutanásia, deixarem o pessoal morrer ou matarem mesmo logo directo para desocupar um corredor por ex.
nos lares, nas casas... tantos que matam os velhotes na aldeia do monte.
sp existiu e vai existir, se for legal pelo menos nao se anda as escondidas.
 
tem, é eutanásia, deixarem o pessoal morrer ou matarem mesmo logo directo para desocupar um corredor por ex.
nos lares, nas casas... tantos que matam os velhotes na aldeia do monte.
sp existiu e vai existir, se for legal pelo menos nao se anda as escondidas.

Mas o que é que isto tem a ver com o que se está a discutir? Matarem logo directo para desocupar um corredor? Eh pá menos
 
Em relação ao assunto em concreto a minha única preocupação / objecção é a da divergencia da vontade com as eventuais declarações \ assinaturas de minutas \ documentos de eutanásia.
Se familiares, notários e advogados roubam dinheiro , heranças e quintas as velhos \ doentes mentais... com a eutanásia fazem o mesmo. Dão o papel "sr zé assine aqui, é para vender as uvas a adega, ah ok". E assim vai um velhote a andar. Fica mais fácil. Agora esperam que o velhote morra e vão roubando aos poucos ou roubam logo tudo e metem numa garagem\loja ao abandono, com a eutanasia fazem logo tudo directo: mas também será bom que assim o velhote não sofre tanto. Muitos são roubados e deixados na pura da miséria.
 
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