F1 - 2014

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Continental Circus: A situação de Michael Schumacher, um mês depois

A situação de Michael Schumacher, um mês depois



Cinco semanas após o seu acidente na estância de ski de Meribel, nos Alpes franceses, e no dia em que mais de duas mil fãs do piloto alemão estão em Spa-Francochamps para apoiar Michael Schumacher na sua recuperação, posso - infelizmente - afirmar que existem indícios fundamentados de que o piloto alemão está em estado vegetativo permanente. Apesar dos esforços dos médicos do Hospital Universitário de Grenoble, e apesar de ter sido colocado desde o primeiro momento em coma artificial, para evitar que o cérebro ficasse ainda mais lesionado, a equipa que segue Schumacher já chegou à conclusão de que as lesões foram bem mais extensas do que se esperava e causaram danos irreparáveis ao heptacampão do mundo de Formula 1, que fez 45 anos no passado dia 3 de janeiro.


Indo para além dos poucos comunicados oficiais, dos quais existe um muro de silêncio, pode-se ler que o mesmo padrão de noticias, em que se fala que o seu estado continua "sem alterações" e que "quaisquer noticias para além dos comunicados oficiais não poderão ser considerados", isto significa que, mesmo não dizendo nada, estão a dizer tudo. E este é um tipo de situação de que se pode entender que "no news is bad news". Nos bastidores, sabe-se que os médicos em Grenoble já chegaram à conclusão de que não vão tentar acordar do seu coma, devido à extensão e gravidade das suas lesões cerebrais sofridas no passado dia 29 de dezembro, que são muito piores do que se têm vindo a falar.

Poderia dizer que ouvi isto de uma fonte bem colocada, que conhece e falou com um dos médicos que acompanhou o caso, mas prefiro citar outra pessoa que têm acompanhado o caso de perto: Dr. Gary Hartstein. Há quatro dias, ao reagir no seu blog a uma noticia sobre o estado de saúde de Schumacher no Daily Mail - normalmente sou critico dos tablóides, mas parece que aqui eles podem ter razão - e no meio de uma longa explicação sobre o que poderá estar a acontecer em Grenoble, houve um parágrafo que fixou a minha atenção e corrobora tudo aquilo que ouvi depois. E veio de um dos médicos da equipa que segue Schumacher:
"O medico afirmou: 'não creio que evacuamos dois hematomas e está feito. Michael têm hematomas por toda parte, à esquerda, à direita, no centro'. Diabos. Sabem, o 'meio' é onde acontecem todas as coisas importantes: consciência, excitação, controle da pressão arterial, respiração, deglutição, etc. E a esquerda - bom, isso é geralmente a linguagem, etc. O neurocirurgião, intencionalmente ou não, pintou um quadro neurológico bastante catastrófico.
Primeiro, deixe-me dizer que é ALTAMENTE improvável(honestamente, até digo impossível) que o Michael que conhecemos voltará. E acho que, caso aconteça o impossivel, ele teria de ser considerado um triunfo da resistência física humana, e dos cuidados neurointensivos modernos, se Michael for capaz de voltar a andar, a alimentar-se, a vestir-se, e mantér elementos significativos da sua personalidade anterior."


E é com estes fundamentos que falo sobre o que vêm a seguir. Neste momento há uma conversação entre os advogados da família Schumacher e as seguradoras. E o assunto têm a ver com o facto de Schumacher estar a esquiar fora da pista de Meribel. Em qualquer ocasião, isso seria um facto a ter em conta para que as seguradoras não accionassem os seguros de vida que Schumacher fez ao longo da sua existência, mas neste caso em particular, ambas as partes estão a conversar e a tentar chegar a um acordo neste campo.


Quando chegarem a um acordo, provavelmente nos próximos dias, existe uma de duas hipóteses: ou a família pede aos médicos para que desliguem as máquinas que suportam o ex-piloto alemão, ou o transferem para uma clínica de reabilitação algures na Alemanha, onde Schumacher passaria, provavelmente, o resto dos seus dias. A segunda hipótese é a mais provável, e pode ser isso que ambas as partes podem estar a falar.




Uma coisa é certa: apesar de ninguém dizer ou comentar ou até pronunciar tal palavra, tudo aponta para a triste conclusão de que o Schumacher que nós conhecemos, pode estar morto. Porque mesmo que acorde, as hipóteses de voltar a ser uma pessoa normal são diminutas, senão nulas.

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