Esta questão, como tantas outras, vai sempre bater na mesma tecla – CIVISMO, ou a falta dele.
Os donos não limpam porque, segundo pensam, eles nunca pisam essas coisas que calham sempre aos outros, além de lhes bastar o facto de não serem multados.
As câmaras raramente providenciam locais e equipamento de recolha porque isso não dá votos.
No fim, as pessoas empurram as culpas para os animais que apenas têm de fazer as necessidades fisiológicas.
Mas num país onde ao virar de cada esquina cheira a urina, do quê que se estava à espera?
Orgulhamo-nos de ser um povo de brandos costumes e de muita educação, mas o que é certo, é que as nossas gentes, que envaidecidas defendem a pátria amada, têm um comportamento condenável.
Ao volante apenas sabem que o carro serve para acelerar e que andar na estrada é um direito que lhes assiste. Serem ultrapassados por um carro é como se fossem passados para trás e humilhados na vida, e se a pessoa em causa for uma mulher, então é impensável, pois lá se vai a virilidade!
Não obedecem à sinalização, não fazem piscas, arriscam ultrapassagens perigosas a torto e a direito, passam semáforos vermelhos e stops e não respeitam os limites de velocidade.
Em vez da presença da polícia de trânsito ser vista com bons olhos, não, acaba por deixar toda a gente aflita, a levantar o pé do acelerador e a começar a cumprir, nem que seja apenas durante uns segundos.
Pela janela sai tudo e mais alguma coisa criando perigo aos outros condutores e semeando lixo por toda a parte.
As nossas ruas são uma imundice, onde abundam latas, beatas, maços de tabaco, papeis, pastilhas e, também, fezes dos animais que os donos não cuidam de arrecadar e depositar em sítio próprio.
O tuga urina em qualquer canto, mesmo que tenha um café próximo, cospe para o chão, limpa o nariz às mãos e avia borda fora todo o género de objetos, pelo que as nossas cidades cheiram que tresandam e nas beiras das estradas amontoam-se as lixeiras a céu aberto (até termos as habituais inundações sempre que chove mais um pouco).
Falamos alto, a forma como usamos a língua de Camões é miserável e não sabemos o que é civismo. Temos enorme dificuldade em ceder passagem, não somos capazes de formar uma fila de forma espontânea, e achamos que temos direito a tudo e obrigação a nada.
O nosso comportamento é fenomenal, por isso é que a nossa juventude finalista é sucessivamente expulsa de hotéis espanhóis devido à falta de educação e aos atos de vandalismo.
Isto é o pão nosso de cada dia numa terra povoada por gente rude que só olha para os seus direitos e esquece os dos outros.
Temos uma enorme dificuldade em pensar como um todo, em agir enquanto sociedade. Cada um pensa por si e os outros que se lixem.
O problema não está nos cães, mas em quem é responsável por eles, e num panorama mais amplo, acaba por ser culpa da nossa sociedade e da sua falta de civismo.
PS: E não se preocupem tanto por as pobres crianças poderem escorregar e cair de cara nas fezes, porque grande parte delas já espalham pelas ruas a bela educação dada pelos pais.