Depois de ler a exposição do amigo da s max 2.2, referente ao fap e depois ler coisas absurdas a seguir. Gostava que um pseudo entendido me explicasse cientificamente, e não á moda de conversa de mecânico comum onde se encontra a relação entre os filtros de partículas e óleo do motor. Não há relação nenhuma entre estes dois elementos. QUANDO O OLEO CHEGAR AO FAP MAL DESSE MOTOR. O OLEO DO MOTOR NUM MOTOR DE COMBUSTAO INTERNA APENAS PODE SAIR PELO BOJAO OU ENTAO POR ELEMENTOS VEDANTES GASTOS OU DANIFICADOS (ORRIGUES OU SEGMENTOS). Daí nao acreditem em espíritos que de análise crítica não teem na da.
Não me parece que tenhas tido a melhor abordagem na tua questão, mas mesmo assim acho que a tua pergunta tem alguma pertinência, por essa razão acho que faz sentido tentar explicar um pouco melhor a relação entre a contaminação do óleo por gasóleo e o filtro de partículas.
Nos sistemas Diesel com filtros de partículas existe uma coisa chamada de regeneração ativa.
Nos sistema sem injeção direta no escape, isto implica uma pós injeção de combustível para a câmara de combustão. Chama-se pós injeção, porque é realizada após a injeção principal, e por essa razão é gasóleo que é praticamente descartado durante a fase de escape, que é a fase que vem a seguir à combustão. Este combustível ao sair pelo escape, vai aquecer de forma substancial a linha de escape, e consequentemente o filtro de partículas. Esta temperatura elevada é o que vai ajudar à incineração das partículas alojadas no filtro, e a sua consequente regeneração.
Isto está relacionado com o óleo, pelo facto de que o gasóleo extra da pós injeção, não vai todo sair pelo escape, escorrendo algum pelas paredes do cilindro e consequentemente indo parar ao cárter. É um fenómeno mais que conhecido e previsto pelos fabricantes. Por esta razão é que as regenerações ativas são normalmente contabilizadas pela gestão de motor, e importantes para prever a vida útil restante do óleo.
Gostada também de adicionar mais uns pontos que não me parecem muito bem abordados nos posts acima.
* Os sistemas de "5º injetor", salvo erro, apenas estiveram presentes nos primeiros sistemas de filtros de partículas. Pelo menos nos sistemas de agora, e genericamente nos mais recentes, penso que não exista qualquer fabricante a implementar este tipo de solução.
* A utilização de um tipo de óleo próprio, nos sistemas com filtro de partículas, não está diretamente relacionado com a capacidade deste a sobreviver à diluição em gasóleo, como foi dito. As normas, nomeadamente as C2/C3/C4, assim como as proprietárias dos fabricantes (dexos2, MB 229.51, ...), implicam sim, uma quantidade reduzida em aditivos do tipo sulfitos, foforos, entre outros. Este tipo de aditivos, que serão sempre queimados na câmara de combustão, provocam uma quantidade elevada de partículas, e uma consequente saturação mais rápida do filtro de partículas.
Conheço alguns sistemas, nomeadamente implementados pela Ford, onde
não era recomendado um óleo com um valor baixo neste tipo de aditivos. A grande consequência disto, é que a substituição do filtro de partículas passava a fazer parte da revisão normal do veículo. Foi de certeza um compromisso que o fabricante teve que fazer. Não sei se eventualmente não será o caso neste modelo em concreto.
* Quanto ao facto de que um motor diesel actual não está dimensionado para viagens curtas, não é assim tão verdade quando isso. É verdade sim, que o sistema é menos propicio a apresentar sintomas relacionados com o filtro de partículas, se forem feitos maioritariamente ciclos de condução longos.Obviamente que é discutível, e carece de dados, mas o mais normal é passarem a existir problemas de saturação anormal em carros com idade ou quilometragem elevada, com utilização de óleo diferente do recomendado, ou com problemas extra por resolver. Tal como já disse, o fazer viagens longas, pelo facto de dar mais tempo ao filtro para incinerar as partículas, o que permitirá é atenuar os efeitos anteriores.
A saturação elevada do fitro de partículas tem que ser vista em primeiro lugar como um sintoma e não diretamente como um problema do filtro em si. Carros com alguma quilometragem, e não só, já passam a ter injetores fora de tolerância, fugas de vácuo e de ar na admissão, turbos com problemas de performance, termostatos que não fecham devidamente, velas de aquecimento gastas, etc. etc. etc.
Tudo isto, vai aumentar os níveis de poluição do carro, e a consequente produção de partículas. O sistema de retenção de partículas, obviamente que não foi dimensionado para aguentar com estas situações. Acho que é normal esperar que algo falhe, quando o motor começa a funcionar para lá do que foi dimensionado. O grande problema é que o que falha nestes casos é algo que está lá unicamente para diminuir emissões, o que para a maioria das pessoas significa que não tem utilidade e que deveria deixar de existir por essa razão.
Acredito que em muitas situações, na prática, quem retire o filtro de partículas por razões de saturação constantemente elevada, o que vai fazer é retirar a proteção para o meio ambiente de um carro que está a poluir à partida mais do que o normal. É o equivalente a tirar fora o filtro de ar do motor, porque este está sempre a entupir. Vai resolver, mas o motor vai estar a levar com o lixo todo. Neste caso o lixo todo vai para os nossos pulmões.
Não quero dizer com isto, que os filtros de partículas não têm uma vida útil, e que eventualmente não possam ser a simples causa do problema...