Acho que esses apêndices têm como finalidade melhorar a aerodinâmica e evitar a acumulação de sujidade no vidro da tampa da mala. É o chamado efeito venturi:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Venturi
O efeito venturi, os difusores traseiros, asas traseiras, spoilers dianteiros existem para reduzir sustentação ou gerar downforce
O efeito venturi é algo trabalhado na parte inferior do carro. De forma redutora, acaba por gerar um efeito inverso ao de uma asa de avião. No avião o perfil da asa é desenhado para gerar sustentação, num automóvel quer-se comprimir o carro contra o asfalto.
Basicamente, o efeito venturi acelera uma massa de ar ao obrigá-la a atravessar uma área inferior à que originalmente iniciou o seu percurso. O ar acelera, a pressão reduz-se, o que contrastando com a massa de ar que passa por cima do carro, mais lenta e com mais pressão, gera uma força descendente, reduzindo a sustentação e permitindo passagens em curva superior.
No geral, algo que costuma apenas ser explorado no mundo da competição.
Estes acrescentos que se vêm nos carros actuais têm a ver com a redução de arrasto aerodinâmico.
E só se verifica sobretudo em hatchs, carrinhas e tudo o que tenha 2 volumes ou uma traseira vertical.
Isto porque nos 2 volumes, quando o ar deslocado pelo carro chega à traseira, separando-se da carroçaria, enrola-se, preenchendo o vácuo que existe na traseira, gerando vórtices, criando turbulência e efectivamente servindo de travão.
É facilmente verificável quando se conduz à chuva, imaginemos a 80km/h. Limpem o óculo traseiro, e são apenas preciso alguns segundos para ele ficar novamente todo preenchido de gotículas.
Ou então, num curso de água, experimentem colocar um cubo ou paralelepípedo, ou até uma simples parede de cartão, e observem o comportamento da água na traseira.
Este problema é mais notório agora, já que as transições entre lateral e traseira são suaves. Não existem fronteiras definidas, pelo que o problema é agravado.
A solução passa pelos ensinamentos do sr. Kamm.
Nas suas experiências, e recorrendo à gota de água como forma base, a forma com menos arrasto encontrada anteriormente pelo sr. Paul Jaray, ele verificou que se cortarmos essa forma em gota num determinado ponto drasticamente, gerando uma superfície traseira plana, o arrasto aerodinâmico era semelhante à da gota completa, e reduzia também expressivamente a turbulência na traseira, criando um veículo aerodinâmicamente mais estável.
Para um carro ter uma verdadeira Kammback, o único problema é que a linha de tejadilho tem de "cair" em direcção à traseira, seguindo a forma da gota. O que poderia trazer alguns problemas a nível de packaging, mas mesmo assim gerando muito menos problemas do que adoptar a forma de gota completa, pois obrigaria a carros bem mais compridos para o mesmo aproveitamento de espaço.
Podemos observar a Kammback num sem número de veículos, desde desportivos como o 250 GTO, a carros mais familiares como o Citroen CX, ou criaturas mais recentes como o Audi A2, ou praticamente todos os hibridos desenhados de propósito para esse fim, como o Prius ou o CR-Z.
Se maior parte dos Kammbacks são 2 volumes, não significa que todos os 2 volumes são Kammbacks.
Devido sobretudo à linha do tejadilho.
Mas para aumentar a estabilidade aerodinâmico e reduzir o atrito, alguns dos ensinamentos do sr. Kamm estão a ser aplicados aos comuns segmentos B e C.
É isso que vemos no Tipo hatch e numa série de modelos.
Basicamente o que os designers e engenheiros tentam fazer é criar uma fronteira clara entre traseira e a lateral.
As abas laterais no óculo traseiro permitem prolongar a superfície lateral, assim como o desenho das ópticas traseiras parecem sobressair da carroçaria apresentando superfícies planas e arestas que delimitam claramente a fronteira entre lateral e traseira.
E também é comum encontrar pequenas protuberâncias ou "barbatanas" nas óticas traseiras em diversos modelos, que permitem uma separação mais eficaz do ar da carroçaria, e atenuando a turbulência atrás.
Ou então repare-se aqui no Civic, que até cola com "cuspe" uns acrescentos por baixo das óticas, só para quebrar mais eficazmente o fluxo de ar.
Basicamente, veremos cada vez mais este tipo de truques, pois o arrasto aerodinâmico é fundamental para reduzir consumos/emissões.
Soluções como a que vemos neste concept da Renault, o Eolab, acho que serão cada vez mais comuns, e aproximando dos ideiais do sr. Kamm.