Fiat Tipo 2016

Fiz uns bons kms num tipo 4p 1.3.

No geral gostei, é uma proposta muito equilibrada tendo em conta o preço. Achei a insonorização muito boa, surpreendeu pela positiva, assim como o nível de equipamento.

Achei a caixa de 5 muito curta para os padrões actuais (130 kms/h 3k rpm). Contudo ajuda a disfarçar a anemia em muito baixas rotações.

Acho uma jogada certeira por parte da fiat[;)]

Já vi (ao longe) uma carrinha. Está em parque no porto de Setúbal.


Cump.
 
Acho que esses apêndices têm como finalidade melhorar a aerodinâmica e evitar a acumulação de sujidade no vidro da tampa da mala. É o chamado efeito venturi:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Venturi

O efeito venturi, os difusores traseiros, asas traseiras, spoilers dianteiros existem para reduzir sustentação ou gerar downforce
O efeito venturi é algo trabalhado na parte inferior do carro. De forma redutora, acaba por gerar um efeito inverso ao de uma asa de avião. No avião o perfil da asa é desenhado para gerar sustentação, num automóvel quer-se comprimir o carro contra o asfalto.
Basicamente, o efeito venturi acelera uma massa de ar ao obrigá-la a atravessar uma área inferior à que originalmente iniciou o seu percurso. O ar acelera, a pressão reduz-se, o que contrastando com a massa de ar que passa por cima do carro, mais lenta e com mais pressão, gera uma força descendente, reduzindo a sustentação e permitindo passagens em curva superior.
No geral, algo que costuma apenas ser explorado no mundo da competição.

Estes acrescentos que se vêm nos carros actuais têm a ver com a redução de arrasto aerodinâmico.
E só se verifica sobretudo em hatchs, carrinhas e tudo o que tenha 2 volumes ou uma traseira vertical.

Isto porque nos 2 volumes, quando o ar deslocado pelo carro chega à traseira, separando-se da carroçaria, enrola-se, preenchendo o vácuo que existe na traseira, gerando vórtices, criando turbulência e efectivamente servindo de travão.
É facilmente verificável quando se conduz à chuva, imaginemos a 80km/h. Limpem o óculo traseiro, e são apenas preciso alguns segundos para ele ficar novamente todo preenchido de gotículas.
Ou então, num curso de água, experimentem colocar um cubo ou paralelepípedo, ou até uma simples parede de cartão, e observem o comportamento da água na traseira.

Este problema é mais notório agora, já que as transições entre lateral e traseira são suaves. Não existem fronteiras definidas, pelo que o problema é agravado.
A solução passa pelos ensinamentos do sr. Kamm.
Nas suas experiências, e recorrendo à gota de água como forma base, a forma com menos arrasto encontrada anteriormente pelo sr. Paul Jaray, ele verificou que se cortarmos essa forma em gota num determinado ponto drasticamente, gerando uma superfície traseira plana, o arrasto aerodinâmico era semelhante à da gota completa, e reduzia também expressivamente a turbulência na traseira, criando um veículo aerodinâmicamente mais estável.

Para um carro ter uma verdadeira Kammback, o único problema é que a linha de tejadilho tem de "cair" em direcção à traseira, seguindo a forma da gota. O que poderia trazer alguns problemas a nível de packaging, mas mesmo assim gerando muito menos problemas do que adoptar a forma de gota completa, pois obrigaria a carros bem mais compridos para o mesmo aproveitamento de espaço.

Podemos observar a Kammback num sem número de veículos, desde desportivos como o 250 GTO, a carros mais familiares como o Citroen CX, ou criaturas mais recentes como o Audi A2, ou praticamente todos os hibridos desenhados de propósito para esse fim, como o Prius ou o CR-Z.
Se maior parte dos Kammbacks são 2 volumes, não significa que todos os 2 volumes são Kammbacks.
Devido sobretudo à linha do tejadilho.

Mas para aumentar a estabilidade aerodinâmico e reduzir o atrito, alguns dos ensinamentos do sr. Kamm estão a ser aplicados aos comuns segmentos B e C.
É isso que vemos no Tipo hatch e numa série de modelos.

Basicamente o que os designers e engenheiros tentam fazer é criar uma fronteira clara entre traseira e a lateral.
As abas laterais no óculo traseiro permitem prolongar a superfície lateral, assim como o desenho das ópticas traseiras parecem sobressair da carroçaria apresentando superfícies planas e arestas que delimitam claramente a fronteira entre lateral e traseira.
E também é comum encontrar pequenas protuberâncias ou "barbatanas" nas óticas traseiras em diversos modelos, que permitem uma separação mais eficaz do ar da carroçaria, e atenuando a turbulência atrás.

Fiat-Tipo-5P.11-e1457003361299.jpg


Ou então repare-se aqui no Civic, que até cola com "cuspe" uns acrescentos por baixo das óticas, só para quebrar mais eficazmente o fluxo de ar.

honda-civic-rear-corner.jpg


Basicamente, veremos cada vez mais este tipo de truques, pois o arrasto aerodinâmico é fundamental para reduzir consumos/emissões.
Soluções como a que vemos neste concept da Renault, o Eolab, acho que serão cada vez mais comuns, e aproximando dos ideiais do sr. Kamm.

renault-eolab-concept-driven-review-test-drive-15102014-m1_560x420.jpg
 
Boas.

Excelente explicação.

Já me tinham explicado isso à uns anos quando questionei o vendedor sobre o apêndice que as óticas traseiras do meu Bravo 198 tinha...

540x300_bravo_spoiler.jpg


Ele disse basicamente isso mas bastante mais resumido. Aquele pequeno apêndice corta a traseira do carro, de forma a melhorar a aerodinâmica visto que ela é toda redondinha.

Na imagem pode não se notar a volumetria da coisa mas ainda deve ter um rebordo de 1cm.
 
UAU!

O Tipo com o 1.4 T-JET 120cv bateu o francês Mégane com o 1.2 TCe 100cv, em plena França?

Aqui está uma coisa que em Portugal seria incapaz de acontecer... primeiro porque nunca comparariam o Tipo com o Mégane... apesar de esta versão do Mégane, despida de extras ser mais barata que a versão de acesso do Tipo.
 
Sobre o Tipo 5 Portas: já vi bastantes a rodar e ao sol, e o Preto não lhe assenta bem. Já o Branco fica muito bem, talvez porque não é "frigorífico", é "gelado".
 
Uau, ganhou um duelo ao Mégane em França?
Gostei que tenham feito um comparativo dos dois carros práticamente ao mesmo preço. Assim não deturpa a análise e torna bem evidente os pontos fortes do Tipo.

E em Julho já ultrapassou as vendas do Golf em Itália (e ainda nem lançaram a carrinha).
 
Impecável!!! Obrigado.
Excelente explicação do crash!!!! Parece que estamos a estudar para o exame nacional aquando do 12º [:cool:]

Ó Crash tu devias fazer um blog só com metade dos teus posts aqui no fórum. apr:)

Boas.

Excelente explicação.

Já me tinham explicado isso à uns anos quando questionei o vendedor sobre o apêndice que as óticas traseiras do meu Bravo 198 tinha...

540x300_bravo_spoiler.jpg


Ele disse basicamente isso mas bastante mais resumido. Aquele pequeno apêndice corta a traseira do carro, de forma a melhorar a aerodinâmica visto que ela é toda redondinha.

Na imagem pode não se notar a volumetria da coisa mas ainda deve ter um rebordo de 1cm.

[;)] Obrigado.

Agora que reli o que escrevi, ainda precisava de umas polidelas para ficar mais claro. Fica para a próxima. [:D]

----------------------

No outro dia tive a oportunidade de apreciar dois Tipos, um de 4p e um de 5p, que estavam estacionados relativamente perto um do outro.
No geral, continuo a achar que não são o melhor esforço estilístico da Fiat, porque de Fiat e sobretudo de "stilo" italiano, pouco ou nada têm.

Dito isto, o 4p subiu na minha consideração.
O ponto mais crítico de análise das imagens era mesmo as óticas traseiras, mas ao vivo, tudo funciona melhor.
O desenho está equilibrado e todos os seus elementos estão bem integrados.

Por outro lado, o 5p, cruz credo... Ao vivo aquele volume traseiro deve estar entre as coisas pior esgalhadas pela Fiat em muitos anos.
Desproporcional e de relação conflituosa com o eixo traseiro. Demasiado rude e sem finesse. E aquelas óticas traseiras..... que raio estavam eles a pensar.

Não deixa de ser curioso os papéis invertidos. No geral são os 3 volumes derivados de hatchs que parecem criaturas mal paridas, com transições estranhas entre volume do habitáculo e traseira, resultando numa fraca integração do volume traseiro no todo.
No Tipo percebe-se que o sedan deve ter tido primazia, ou pelo menos mais tempo de desenvolvimento no estirador.
E pelas imagens, tenho quase certeza que hatch e carrinha partilham não só as óticas como todo o portão traseiro, o que explica grande parte dos problemas visuais do hatch.

Pode ter ajudado a cortar nos custos, mas arruinou a estética do hatch. Aquele portão mais vertical adequa-se melhor ao volume traseiro maior da carrinha.
O hatch merecia algo com um pouco de mais inclinação, para aligeirar a aparência da criatura. A ajudar, o párachoques traseiro parece também ter volume em excesso.
Há qualquer coisa ali que não combina entre o "escavado" portão traseiro e o robusto párachoques.

E a meu ver, mais valia terem partido da condicionante de usar as óticas traseiras do sedan, e desenhar o volume traseiro do hatch/carrinha a partir destas.
Comparando com a solução algo crude final do hatch/Sw, são de traço mais elegante, e como alguns totoshops demonstraram, beneficiaria ambas as carroçarias.
 
Sim, nota-se que o hatch e carrinha partilham o mesmo portão traseiro. Se a nível estético não funciona tão bem no hatch, acho que na carrinha não fica mal e acaba por ter outra vantagem para o hatch: a bagageira é mais utilizável (e a bagageira do Tipo é enorme). E tendo em conta que o Tipo é para ser funcional, acaba por ser uma escolha razoável por causa disso.

Pode ser que se for um sucesso de vendas eles comecem a lançar novas motorizações e novas versões como uma cross-country, um Abarth e talvez algo com uma traseira mais desportiva...
 
Última edição:
Passei num stand da marca e vi o carrito.
Uma das coisas que me chamou a atenção foi a pintura ou a chapa. Tinha ideia de a chapa/pintura ser completamente lisinha nos carros, não? Aquela parecia ter uma textura que não sei se era da chapa não ser completamente lisa (como que ter um reflexo quase perfeito) ou da pintura não ser bem acabada. Achei estranho mas depois passei pelos outros carros lá dentro e parecendo um pouco melhor não tinham aquele reflexo perfeitinho.

Deve ser mesmo assim, imagino, eu é que como já não via pinturas novas há algum tempo fiquei com outra expectativa.

Uma coisa que, confesso que não sei como está nos outros carros do segmento, não fiquei impressionado foi com a fixação/colagem do forro interior. Só reparei nele nos bancos traseiros e do lado da porta mas carregando ia "muito" para dentro, deu ideia de estar pendurado apenas em alguns pontos, com falta de "cola", sei lá.

Outra coisa foi o tecido do apoio para o braço nas portas. Parece um género de veludo que com o calor que estava não me agradou muito ao toque, ficando um pouco áspero.

Um pormenor curioso foi o porta-luvas ser mais acanhado que o do 500! Sim, o do 500 pareceu ter maior profundidade, ser mais funcional, o que é inacreditável.
 
Voltar
Superior