A sigla SCUT estará deontologicamente errada? Na génese da sua criação, "SCUT" quer dizer, "Sem custo para os utilizadores".
Então o que é uma SCUT?
Uma Scut é uma auto-estrada em regime de portagens virtuais, cujos os custos são suportados pelo Estado Português. Este conceito de Scut, foi introduzido em Portugal em 1997, pelo governo de Eng.º António Guterres, pela mão do Ministro do Equipamento Social, Eng.º João Cravinho.
Ora aqui está, "Suportados pelo Estado Português". Vamos então perceber a definição de "Estado".
Estado - Estado É uma instituição política organizada, social e juridicamente, ocupando um território, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição Escrita e dirigida por um Governo que possui soberania reconhecida, tanto interna como externamente. Assim, um estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território".
Então quer dizer que nós o "Povo", fazemos parte do Estado, logo, pudemos afirmar que a construção das Scuts foi também financiada com nosso dinheiro.
Mas então de que forma é que as Scuts foram financiadas?
É muito importante perceber como é que estas auto-estradas "Sem custo para os utilizadores" foram financiadas.
Assim, na sua maioria, a construção, conservação e manutenção das estradas portuguesas é financiada com o dinheiro dos impostos dos contribuintes, "nós todos", havendo também a comparticipação dos fundos comunitários.
No modelo auto-estrada com portagem real, para além da ajuda do estado, "nós", é o utilizador, "nós outra vez", da mesma, que através do pagamento da portagem sustenta a construção, financiamento e exploração da auto-estrada.
No modelo Scut, é o dinheiro dos contribuintes, "nós", através dos impostos, que suporta o custo de construção, manutenção, exploração e financiamento.
Posto isto, há aqui algumas questões que se podem e devem colocar, pois não está nada correcto a imposição de um custo nas Scuts e muito menos só no norte do país.
Se somos nós, que através dos nossos impostos, entre eles temos IUC, ISV, IS, IA, IVA e outros tantos que nem vale a pena lembrar, financiamos estas obras, então temos que perceber o que é financiar e investir.
O que é financiar?
Financiar é prover de recursos, dinheiro, linha de crédito, estrutura financeira, para que um determinado objectivo seja alcançado, gerando assim de forma futura um reembolso dos valores ou dos bens, geralmente com "Juros" que foram financiados, responsabilidade essa que é do financiado.
Estão a ver onde nós queremos chegar? Mais uma antítese. Se nós investimos, temos de receber e não pagar como o governo pretende.
Mas vamos continuar, agora vamos entender o conceito de investimento.
O que é investir?
Segundo economia, investimento significa a aplicação de capital em meios de produção, visando o aumento da capacidade produtiva (instalações, máquinas, transporte, infraestrutura) ou seja, em bens de capital. O investimento produtivo realiza-se quando a taxa de lucro sobre o capital supera ou é pelo menos igual à taxa de juros.
Segundo o Banco BPI, investir significa dispender capital com o objectivo de gerar um determinado rendimento no futuro. No fundo, todos nós já somos investidores, ainda que de forma inconsciente, pois procuramos a todo o instante maximizar a remuneração do nosso capital ao longo do tempo. Afinal, o dinheiro serve para criar mais dinheiro.
Aqui está! Não nos parece que isto seja realmente verdade, se não vejamos: se nós investimos com o dinheiro dos nossos impostos, para a construção das Scuts, (lembro que estas são "Sem custo para os utilizadores") então qual é o rendimento que tiramos delas?
O nosso rendimento seria utilizar as Scuts de forma gratuita! Mas segundo o Governo é pagar portagens. Como diz o nosso Primeiro Ministro, "porreiro pá!".
A inclusão destas portagens nas Scuts vai condicionar muito para não dizer mesmo matar as micro-economias locais. No entanto existem grandes grupos económicos sediados nessas mesmas áreas e temos esperança que o Grupo Sonae por exemplo e as autarquias, façam força para que sejam anuladas as portagens. Pois caso contrário as perdas financeiras vão ser muito grandes.
À parte deste contexto, já viram bem a péssima qualidade das nossas estradas e auto-estradas, cheias de buracos e em mau estado de conservação, que provocam nos nossos carros danos enormes e dispendiosos?
Está na altura de começarem a reivindicar os vossos direitos. Assim, sempre que o seu carro entrar num buraco que não esteja assinalado, chame a policia, levante o auto e obrigue a autarquia a suportar esse custo. Se todos o fizerem, começamos a ter boas estradas. Acreditamos que nem as autarquias nem o Governo querem ter esse custo.
Outra coisa que não se entende e lembramos que a nossa posição é de âmbito nacional e não regional, o porquê de só se colocarem portagens no Norte!
Segundo algumas notícias baseadas em estudos realizados, o norte é uma das regiões mais pobres do país, onde o desemprego cresce a um ritmo alucinante e o poder de compra cai todos os dias. Pelo que não se entende que esta região seja a mais sacrificada. É que em alguns casos, o custo vai acima dos 240€ mensais.
Gostaríamos também de saber como é que o Governo prevê cobrar as portagens aos estrangeiros? Pois não estamos a ver como.
Estamos também na expectativa de ver o que é que os industrias das zonas lesadas vão fazer. Pois no outro dia, o proprietário de uma empresa de camionagem ameaçou mesmo fechar a empresa, despedir todos os funcionários e estacionar os camiões na A28. Vamos ver se ele o vai fazer e se vai ser um acto isolado ou se outros vão fazer igual.
A sigla SCUT é o acrónimo de "Sem Custos para os Utilizadores". Isto leva-nos a pensar numa nova sigla, as "CCUTAJEP - Com Custos para os Utilizadores Apesar de Já Estarem Pagas".