Não podemos ir só pelo factor "necessidade", pois aí dirias que nem precisavam de carro novo (ou de carro em algumas circunstâncias), o que é cair num exagero.
Eu não sou contra os carros caros e bons, e não defendo que deva andar tudo nos segmentos B mais baratos.
Porquê?
Porque como em quase tudo na vida, a qualidade tem um preço.
Realisticamente falando, um carro de 40.000 euros tem obrigação de durar bastante mais do que um de 12.000 (falando em carros novos).
A vantagem do carro que tem uma construção melhor deverá ser também que essa qualidade perdure melhor no tempo, e convenhamos que olhar para um Clio com 15 anos ou para um Mercedes são coisas bastante diferentes.
No entanto, o maior valor do Mercedes podia (e devia) ser amortizado pelo primeiro proprietário ao longo de uma vida mais útil do carro.
Se em vez disso ,verificamos que em torno dos 3 anos esses carros mais caros têm um valor de retoma de cerca de metade, e ainda assim são trocados facilmente, então é mesmo mandar dinheiro fora.
Claro que quem o possa fazer pode e ninguém tem nada com isso, mas é fácil de perceber que em termos globais entre o que pode e o que "parece que podia" vai "alguma" diferença.
Ninguém espera que um automóvel valorize com o uso e idade, mas este ritmo de desvalorização é de um país de ricos, não é de Portugal, e parece-me bem claro o resultado deste pensamento.
Quando uma casa era comprada nova por 10, era vendida (usada) passado dois anos por 13 e valia 15 passados mais uns poucos de anos, era óbvio que este crescimento jamais seria sustentável, quanto mais não fosse porque os vencimentos não cresciam nesse ritmo.
Eu não defendo a teoria do carro baratinho, defendo a teoria do carro cujo dono pretenda comprar, manter uns bons anos, gastar e só depois pensar o que fazer com ele (excepto a quem efectivamente possa fazer a troca só porque sim).
Ah, mas eu não também tenho nada contra carros caros ou quem os compra. É uma opção pessoal, e cada um compra e valoriza os seus investimentos de acordo com os seus critérios.
O q eu defendo (e ao q parece o FMI também) é q as pessoas não se endividem (ou se endividem ainda mais) quando têm muitas alternativas para não o fazer.
É verdade q um carro novo acaba sempre por ser um mau investimento (e sem retorno), mas a verdade é q um usado também o pode ser, dependendo (e como sempre) dos valores em questão.
É uma parvoíce quando alguém diz q quem compra um Skoda, Kia, etc por 25 000€ é um tipo racional e bla bla e quem compra um Audi usado de 25 000€ é cagão e sei lá mais o quê. Afinal de contas, 25 000€ não são sempre 25 000€? E o gajo q compra o Kia não pode já estar atolado de dívidas enquanto o tipo q compra o Audi pode ser financeiramente desafogado?
Mas eu agora pego no meu caso: comprei um Skoda NOVO de 25 000€ a crédito, e faço cerca de 25 000 / 30 000 kms por ano. Para comprar uma A4 (por exemplo) pelo mesmo preço, será com cerca de 3/4 anos e com um mínimo de 80 000/100 000 kms em cima. Ou seja, gastaria 25 000€ para andar no máximo 3 anos "à vontade" (isto partindo do princípio q a quilometragem seria verdadeira e q não teria entretanto nenhum azar) e depois andar com o coração nas mãos com um carro com cerca de 200 000 kms em cima e sem saber se “amanhã” vou ter de gastar 700€ ou 800€ naquela peça q foi à vida ou em revisões milionárias…
Agora vem a minha pergunta: sabendo de antemão q uma A4 é obviamente melhor do q uma Octavia (acho q isso não se pode pôr em causa), alguém me consegue provar q uma A4 com 3/4 anos e 80 000 / 100 000 km é mais fiável, q dura mais, etc, do q qualquer outra break NOVA do segmento C? A mim (e eu sei q haverá muita gente q não concorda comigo) nem q me pagassem por cima eu preferia ter uma A4 ou 320 d com 4 anos e 100 000 km a uma Cee´d, uma Megane, Octavia, etc, novas.
Este é um exemplo entre mil e q seguramente q virá para aqui malta com outros argumentos e com outras ideias. É normal, e é saudável q assim seja. É por isso q não compramos todos os mesmos carros. Fica no entanto o meu testemunho de uma situação real.
Também não fique a ideia q eu tenho alguma coisa contra carros caros, premiums, etc. Muito pelo contrário! Se eu tivesse MUITO dinheiro também comprava um. MUITO dinheiro, não dinheiro "à rasca" para pagar uma mensalidade.
Daí não entender por exemplo q para uma utilização maioritariamente citadina e para uma só pessoa se vejam tantos Golfs, A3, 316/318/320, etc, quando na realidade qualquer Clio, Polo, Fiesta, etc, podia substituir com dignidade qualquer um desses modelos e custar cerca de 10/15 000 € a menos. Obviamente q estou a falar "de cor" e q cada caso é um caso, não me cabendo a mim o papel de "juiz dos endividados".
Agora uma coisa é certa, as pessoas vão ter mesmo de começar a aceitar o facto de q o dinheiro não nasce nas árvores e q tudo se pode comprar a crédito para depois se pagar "amanhã".