Livros - O que andam a ler?

HENRY MILLER - "Plexus"

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Segundo livro da trilogia "Rosa-Crucificação", "Plexus", à semelhança do primeiro volume da trilogia -"Sexus" - é uma viagem autobiográfica à vida de Henry Miller, suas amizades e relações, retrato de um homem que escolheu viver à margem, renegando o trabalho "nine to five", muitas vezes passando fome, pedindo aqui e ali, com alguns pequenos biscates pelo meio, nunca muito sérios ou duradouros. Um homem que sonhava, e conseguiu, ser um dia um grande escritor.

Se "Sexus" abordava o lado mais sentimental de Miller, o desfazer do seu primeiro casamento e o começo da sua relação com Mona, a sua dedicada segunda mulher (quase mãe dele na forma como o tratava, a bem da verdade), "Plexus" por sua vez aborda mais as incontáveis ligações sociais de Miller, desde companheiros desta forma de vida quase "beat" (e Jack Kerouac é para aqui chamado, pois eu vejo em Miller um Kerouac erudito) a pintores, intelectuais, drogados, ladrões, escritores, toda uma panóplia de singulares personagens passaram pela vida de Henry Miller, ajudando-o na sua busca pelo conhecimento metafísico e pela compreensão do seu papel na sociedade.

"Plexus" é assim a continuação de "Sexus" (sem um décimo do sexo explícito que "Sexus" continha) e a ante-câmara de "Nexus", terceiro volume a editar em breve pela ASA, nesta belíssima trilogia apresentada numa encadernação de boa qualidade, que dá prazer desfolhar. Ficamos à espera do terceiro tomo, ávidos de mais diálogos, reflexões e aventuras de um homem fora do seu tempo.

Muito interessante a descrição que aqui foi feita! Passou sem dúvida, para a lista de livros a comprar! Obrigado pela sugestão!!![;)]
 
Muito interessante a descrição que aqui foi feita! Passou sem dúvida, para a lista de livros a comprar! Obrigado pela sugestão!!![;)]

Atenção que não é uma leitura sempre fácil, apesar de Miller ter uma escrita pouco complicada, tem algumas passagens que sinceramente não compreendi pois Miller por vezes divaga de uma maneira quase caótica (parece que vive num fervilhão de ideias e pensamentos) e que também é uma continuação de "Sexus". Ler o primeiro da trilogia ajuda melhor a compreender este livro, que até gostei mais do que do primeiro por acaso.
 
Bom, moro a 5 min da Feira do Livro e até pareceria mal não ir lá... por isso fui hoje, no último dia.:sh)

Tirando um ou outro exemplar mais técnico acabei por vir carregada com:

"O olho de Hertzog" - João Paulo Borges Coelho
"Ligações Perigosas" - Choderlos de Laclos
"O Cão dos Baskervilles" - Sir Arthur Con@n Doyle
"Dracula" - Bram Stoker
"A Origem das Espécies" - Charles Darwin
"O Homem Que Sonhava Ser Hitler" - Tiago Rebelo
"A Desilusão de Deus" - Richard Dawkins
"Mizé, Antes Galdéria Que Normal Remediada" - Ricardo Adolfo
"A Casa Quieta" - Rodrigo Guedes de Carvalho
"Daqui A Nada" - Rodrigo Guedes de Carvalho
"Os Homens Que Odeiam As Mulheres" - Stieg Larsson
"A Rapariga Que Sonhava Com Uma Lata De Gasolina E Um Fósforo" - Stieg Larsson

Só me falta escolher a ordem pela qual vou atacar tudo isto. Safa!
 
JOHN STEINBECK - "As Vinhas da Ira"

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No interior dos EUA, no pico da Grande Depressão de 1939, uma família de Oklahoma, os Joad, são forçados a abandonar as terras de que eram rendeiros, expulsos pelos originais donos dos terrenos, pela chegada de maquinaria que veio substituir o trabalho braçal e pela terrível tempestade de poeira que se abateu naquele ano sobre o interior dos EUA, arruinando as culturas e a subsistência de centenas de milhares de pessoas. Os Joad decidem então migrar para a Califórnia, na mira da terra prometida, do trabalho abundante e da fuga à fome. Chegados lá a realidade que encontram é completamente diferente daquilo que lhes fora prometido, a eles, e a tantas outras famílias.

Neste por vezes comovente e incómodo relato sobre a miséria, a exploração humana e sobretudo a fome, John Steinbeck conta-nos uma história de luta pela sobrevivência, de amor à terra, de união familiar, de luta pelos direitos dos trabalhadores e de uma ira que nunca chega a eclodir totalmente no livro, apenas no interior de cada um dos esfomeados sem-terra.

É uma história impressionante onde ao longo de todo o livro o denominador comum é a fome, sempre muita fome e a luta pela sobrevivência quando não se tem absolutamente nada e se trabalha de sol a sol para ao fim do dia poder comprar um pão e um pouco de toucinho, única refeição do dia que o mísero pagamento dos senhores da terra permite.

O final é incrível, quase que apetece dizer que o livro já vale a pena só pelo que se passa na última página, apesar de ficar muita coisa em aberto podendo o leitor apenas imaginar o que se teria passado dali em diante. Mas "As Vinhas da Ira" é todo ele um livro extraordinário, o que não será novidade para ninguém ou não fosse um reconhecido clássico da literatura universal.
 
HENRY MILLER - "Plexus"

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Segundo livro da trilogia "Rosa-Crucificação", "Plexus", à semelhança do primeiro volume da trilogia -"Sexus" - é uma viagem autobiográfica à vida de Henry Miller, suas amizades e relações, retrato de um homem que escolheu viver à margem, renegando o trabalho "nine to five", muitas vezes passando fome, pedindo aqui e ali, com alguns pequenos biscates pelo meio, nunca muito sérios ou duradouros. Um homem que sonhava, e conseguiu, ser um dia um grande escritor.

Se "Sexus" abordava o lado mais sentimental de Miller, o desfazer do seu primeiro casamento e o começo da sua relação com Mona, a sua dedicada segunda mulher (quase mãe dele na forma como o tratava, a bem da verdade), "Plexus" por sua vez aborda mais as incontáveis ligações sociais de Miller, desde companheiros desta forma de vida quase "beat" (e Jack Kerouac é para aqui chamado, pois eu vejo em Miller um Kerouac erudito) a pintores, intelectuais, drogados, ladrões, escritores, toda uma panóplia de singulares personagens passaram pela vida de Henry Miller, ajudando-o na sua busca pelo conhecimento metafísico e pela compreensão do seu papel na sociedade.

"Plexus" é assim a continuação de "Sexus" (sem um décimo do sexo explícito que "Sexus" continha) e a ante-câmara de "Nexus", terceiro volume a editar em breve pela ASA, nesta belíssima trilogia apresentada numa encadernação de boa qualidade, que dá prazer desfolhar. Ficamos à espera do terceiro tomo, ávidos de mais diálogos, reflexões e aventuras de um homem fora do seu tempo.


Um livro para ler...nas férias claro
 
Desde o príncipio do ano que ando a dedicar-me aos livros do José Rodrigues dos Santos e tentando seguir a ordem cronológica de publicação, o escolhido desta vez foi o A fórmula de Deus.

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as escadarias do Museu Egípcio, em pleno Cairo, Tomás Noronha foi abordado por uma desconhecida. Chamava-se Ariana Pakravan, era iraniana e trazia consigo a cópia de um documento inédito, um velho manuscrito com um título e um poema enigmático.

DIE GOTTESFORMEL

Terra if fin
De terrors tight
Sabbath fore
Christ nite

O inesperado encontro lançou Tomás numa estranha aventura, colocando-o na rota da crise nuclear com o Irão e da mais importante descoberta efectuada por Albert Einstein, um achado que nos leva a penetrar no maior mistério da História:

A prova científica da existência de Deus.

Uma história de amor, uma intriga de traição, uma perseguição implacável, uma busca espiritual que nos leva à mais espantosa revelação mística de todos os tempos.
Baseada nas últimas e mais avançadas descobertas científicas nos campos da física, da cosmologia e da matemática, A Fórmula de Deus transporta-nos, numa espécie de percurso iniciático, numa empolgante e primordial viagem até às origens do tempo, à essência do universo e ao sentido da vida.

Fiquei relativamente desiludido com este romance. Não se compara com o anterior - Codex 632 - e ainda menos com A Filha do Capitão. É pena mas quando seria de esperar uma certa evolução na sua escrita ficamos desiludidos na medida em que até se observa algum retrocesso. Existem traços comuns aos outros livros mas observa-se aqui alguma infantilidade nas opções que usa para contar a história. Enredo esse, já de si muito inverosímil em certos aspectos... Acho que neste livro, JRS exagerou no estilo pop-star.

Antes tinha lido A morte e a morte de Quincas Berro d'água de Jorge Amado.

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Um livro muito engraçado em que é retratada duma forma mordaz, cómica e sarcástica (parte da?) a sociedade brasileira de metade do século XX. Em certos aspectos fez-me recordar Gil Vicente.
 
" A Herança do vazio" de Kiran Desai

"Um romance esplêndido sobre a tolerância e a sabedoria humana, enriquecido com um humor terno e uma intensa subtileza politica"

Júri do Man Booker Prize
 
JOHN STEINBECK - "As Vinhas da Ira"

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Apenas um aparte ontem deu este filme na RTP Memória. Foi bastante interessante gostei de ver.

BTW também ontem trouxe este para casa:
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Uma obra sobre Portugal, para os portugueses que persistem em tentar perceber-se a si mesmos.

"Vamos esquecer a terra? É nela que nos apoiamos, dela que nos alimentamos, ela que configura o nosso espaço, ela que condiciona as nossas comunicações físicas. Nela que moraram os nossos antepassados. Marcados pelo território, transmitiram-nos as estruturas sociais com que nos organizamos, as técnicas agrícolas que em parte a dominam, e tudo o mais que foi moldando as nossas comunidades até hoje. O território é o elemento permanente da identidade. Por isso acentuados a presença da terra e procurámos, por meio da fotografia de paisagens em monumentos, representamos sinais de permanência ou da longa duração"
José Mattoso (do prefácio)
Foi relançado este ano, data de 1998. Achei deveras interessante aquando da primeira vista de olhos. E vale mesmo a pena.[;)]
 
Bem... Feira do Livro do Porto... Total disgrace :sh) Uma das lojas/editoras tinha a promoção do leve 4 pague 3...

Já no ano passado tinha comprado 4 do Pepetela.

Vieram 5 livros do Murakami, 2 de Pepetela e 2 do Agualusa e mais umas coisas... Foi caro, mas foi mais barato que comprar a vulso. Este ano não compro mais livros.

Até à proxima feira do livro do Porto [:)]
 
JOÃO AGUIAR - "A Voz dos Deuses"

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Numa semana marcada pela morte de José Saramago, deixo aqui uma pequena homenagem a outro escritor falecido há apenas 15 dias, João Aguiar. Mas é uma homenagem não intencional, isto porque deu-se a espantosa coincidência de o escritor ter falecido dois dias após eu ter iniciado a leitura de "A Voz dos Deuses", o seu primeiro romance datado de 1984. Trata-se de um romance histórico que ficciona a vida de Viriato, comandante de exércitos peninsulares no segundo século antes de Cristo, numa altura em que os Romanos tentavam esmagar as diversas tribos da Ibéria, tribos desunidas mas que sob a influência e comando de Viriato, deram muito que fazer durante os 7 anos que o Lusitano comandou as hostes.

O próprio autor faz questão de comentar no prólogo que o livro contém factos históricos devidamente documentados e partes fictícias que ajudam a conhecer e admirar Viriato e o seu papel na História da Península Ibérica, naquilo que foi a antecâmara do que mais tarde viria a ser Portugal e Espanha. João Aguiar, numa escrita simples e reveladora da sua então inexperiência, dá-nos a admirar um Viriato homem de valores, guerreiro valente, comandante incontestado, magnífico estratega militar e diplomático e com uma componente humana quase invulgar para aquela época e da-nos também uma boa visão dos costumes, rituais, política e religião dos povos peninsulares daquela época e que muito contribui para um melhor conhecimento da "pré-História" do nosso País. A própria toponímia, substancialmente diferente, vem devidamente explicada no final do livro.

Gostei bastante de "A Voz dos Deuses", tal como já anteriormente tinha gostado de "Navegador Solitário" do mesmo autor. Perante o desaparecimento de João Aguiar, resta a consolação de ainda ter mais de uma dezena de romances dele para ler, quando tiver o desejo e a oportunidade. A literatura portuguesa ficou mais pobre, mas tal como acontece com Saramago, fica uma extensa obra para descobrir.

JOÃO AGUIAR 1943-2010

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Morreu o escritor João Aguiar - Cultura - PUBLICO.PT
 
Raista, já compraste o novo livro do Murakami?

Desde que postei aqui a última vez, cometi uma loucura: comprei todos os livros dele que me faltavam.

Confesso que fiquei completamente apaixonada por toda a sua obra.
Tenho neste momento duas "montanhas" em cima da estante: os que já li e os que ainda faltam ler (esta última bastante mais pequenina-só com 3 livros).

Ainda não comprei o último mas assim que o vir...pimbas é meu. eheheh

Falta-me ler: A rapariga que inventou um sonho, Norwegian Wood e Underground.
 
Raista, já compraste o novo livro do Murakami?

Desde que postei aqui a última vez, cometi uma loucura: comprei todos os livros dele que me faltavam.

Confesso que fiquei completamente apaixonada por toda a sua obra.
Tenho neste momento duas "montanhas" em cima da estante: os que já li e os que ainda faltam ler (esta última bastante mais pequenina-só com 3 livros).

Ainda não comprei o último mas assim que o vir...pimbas é meu. eheheh

Falta-me ler: A rapariga que inventou um sonho, Norwegian Wood e Underground.

Ainda não comprei, por falta de tempo pois só regressei ontem de férias e o livro saiu nessa altura e também precisamente por também ter uma montanha de livros para ler depois da Feira do Livro. Comecei ontem o segundo da saga Millennium do Stieg Larsson e ainda tenho mais dez livros para ler para além desse.

O novo do Murakami é, infelizmente para mim, uma colecção de pequenos contos e não um romance, mas claro que o hei-de comprar.

Já agora, onde compraste o "Underground"? É o único que me falta ler porque nunca o encontrei.
 
Ainda não comprei, por falta de tempo pois só regressei ontem de férias e o livro saiu nessa altura e também precisamente por também ter uma montanha de livros para ler depois da Feira do Livro. Comecei ontem o segundo da saga Millennium do Stieg Larsson e ainda tenho mais dez livros para ler para além desse.

O novo do Murakami é, infelizmente para mim, uma colecção de pequenos contos e não um romance, mas claro que o hei-de comprar.

Já agora, onde compraste o "Underground"? É o único que me falta ler porque nunca o encontrei.

Comprei na livraria online Wook (foi o único sítio onde consegui arranjar). Confesso que, a dada altura, pensei mesmo que não chegava pois levou mais de 15 dias (enviara-me um mail do site a dizer que tiveram de pedir à editora). Mas depois lá chegou.

O da Rapariga que inventou um sonho também é contos, não é? Ando a deixá-lo para o fim por causa disso. Também não gosto lá muito de ler contos. :(
 
Comprei na livraria online Wook (foi o único sítio onde consegui arranjar). Confesso que, a dada altura, pensei mesmo que não chegava pois levou mais de 15 dias (enviara-me um mail do site a dizer que tiveram de pedir à editora). Mas depois lá chegou.

O da Rapariga que inventou um sonho também é contos, não é? Ando a deixá-lo para o fim por causa disso. Também não gosto lá muito de ler contos. :(

Já li "A rapariga.." e agora estou a ler o "O elefante evapora-se".. Também não acho grande piada aos contos, pois parece que sabem a pouco, mas as história d'O elefante evapora-se" são bastante melhores do que as d'A rapariga", na minha opinião.
 
Comprei na livraria online Wook (foi o único sítio onde consegui arranjar). Confesso que, a dada altura, pensei mesmo que não chegava pois levou mais de 15 dias (enviara-me um mail do site a dizer que tiveram de pedir à editora). Mas depois lá chegou.

O da Rapariga que inventou um sonho também é contos, não é? Ando a deixá-lo para o fim por causa disso. Também não gosto lá muito de ler contos. :(

Sim, a "Rapariga" também são contos, que alternam entre o bom e o desinteressante. Fazes bem em deixar para o fim porque vais encontrar por lá trechos de vários dos romances dele, que acabaram por ser inspirados por alguns desses contos.

Vou então encomendar o "Underground" na Wook, obrigado pela dica[;)]
 
Já li "A rapariga.." e agora estou a ler o "O elefante evapora-se".. Também não acho grande piada aos contos, pois parece que sabem a pouco, mas as história d'O elefante evapora-se" são bastante melhores do que as d'A rapariga", na minha opinião.

Olha, mais um fã!!! :)

Sim, a "Rapariga" também são contos, que alternam entre o bom e o desinteressante. Fazes bem em deixar para o fim porque vais encontrar por lá trechos de vários dos romances dele, que acabaram por ser inspirados por alguns desses contos.

Vou então encomendar o "Underground" na Wook, obrigado pela dica[;)]

Ora essa, de nada. Nós é que te agradecemos as dicas literárias.
 
Olha, mais um fã!!! :)
(...)

Eu?????????? Nah.........

Bem... Feira do Livro do Porto... Total disgrace :sh) Uma das lojas/editoras tinha a promoção do leve 4 pague 3...

Já no ano passado tinha comprado 4 do Pepetela.

Vieram 5 livros do Murakami, 2 de Pepetela e 2 do Agualusa e mais umas coisas... Foi caro, mas foi mais barato que comprar a vulso. Este ano não compro mais livros.

Até à proxima feira do livro do Porto [:)]
 
Eu?????????? Nah.........

Eu este ano nem fui à feira do livro. É todos os anos a mesma desgraça. [:)]

Este ano passei imune (felizmente). E também tenho estado longe de sapatarias.

Pode dizer-se que sou uma adicta em (dupla) recuperação. Eu estou sempre a dar desculpas como o facto de não fumar, não beber, quase nunca ir ao cinema e por tudo isso, tenho direito a estes mimos e tal...mas agora só compro mais livros quando os que tenho para ler diminuírem.
 
JOÃO AGUIAR - "A Voz dos Deuses"

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Numa semana marcada pela morte de José Saramago, deixo aqui uma pequena homenagem a outro escritor falecido há apenas 15 dias, João Aguiar. Mas é uma homenagem não intencional, isto porque deu-se a espantosa coincidência de o escritor ter falecido dois dias após eu ter iniciado a leitura de "A Voz dos Deuses", o seu primeiro romance datado de 1984. Trata-se de um romance histórico que ficciona a vida de Viriato, comandante de exércitos peninsulares no segundo século antes de Cristo, numa altura em que os Romanos tentavam esmagar as diversas tribos da Ibéria, tribos desunidas mas que sob a influência e comando de Viriato, deram muito que fazer durante os 7 anos que o Lusitano comandou as hostes.

O próprio autor faz questão de comentar no prólogo que o livro contém factos históricos devidamente documentados e partes fictícias que ajudam a conhecer e admirar Viriato e o seu papel na História da Península Ibérica, naquilo que foi a antecâmara do que mais tarde viria a ser Portugal e Espanha. João Aguiar, numa escrita simples e reveladora da sua então inexperiência, dá-nos a admirar um Viriato homem de valores, guerreiro valente, comandante incontestado, magnífico estratega militar e diplomático e com uma componente humana quase invulgar para aquela época e da-nos também uma boa visão dos costumes, rituais, política e religião dos povos peninsulares daquela época e que muito contribui para um melhor conhecimento da "pré-História" do nosso País. A própria toponímia, substancialmente diferente, vem devidamente explicada no final do livro.

Gostei bastante de "A Voz dos Deuses", tal como já anteriormente tinha gostado de "Navegador Solitário" do mesmo autor. Perante o desaparecimento de João Aguiar, resta a consolação de ainda ter mais de uma dezena de romances dele para ler, quando tiver o desejo e a oportunidade. A literatura portuguesa ficou mais pobre, mas tal como acontece com Saramago, fica uma extensa obra para descobrir.

JOÃO AGUIAR 1943-2010

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Morreu o escritor João Aguiar - Cultura - PUBLICO.PT


Próximo passo: Ler "A Hora de Sertório"...
 
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