Porquê, achas que um interno da especialidade devia ganhar menos?
Achas que as horas extraordinárias não deviam ser pagas?
Quantos médicos conheces que saem do "turninho" e vão embora, quem ficar que se desenrasque, que gozam folgas e "descansos", por vezes juntando 2 ou 3 dias com um fim de semanda, como os enfermeiros?
Não sejas hipócrita que a maior parte dos enfermeiros safa-se tão bem na privada como os médicos. E cuidado com os moralismos público/privado, pois aqui há uns anos houve uma fiscalização à saída dos HUC, e imagina que classe profissional foi encontrada com sistemas de soros, compressas, betadine, pomadas, adesivos, placas e essas coisinhas todas que dão imenso jeito nos "domicílios"....
Começo por dizer que sou enfermeiro e adoro o que faço. Não sei se o referi atrás, mas respeito o trabalho dos médicos e não lhes gabo a "sorte" e esforço profissional diário! Seria hipócrita sim se só olhasse para o "meu" umbigo! Sou consciente e inteligente o suficiente para ter um pensamento coerente e realista.
Quanto aos ordenados e na mesma linha de pensamento, é óbvio que terão de ser diferentes. Auxiliares, Enfermeiros, Médicos, Especialistas, e por aí, não podem ganhar o mesmo. Funções diferentes, objectivos comuns.
Sou contra o despesismo público.
Se temos poucos médicos (assunto off topic), teremos de compensar o esforço dos que temos. No mínimo! Mas daí a dar-lhes bandejas de ouro... se fosse pago em horas normais, teríamos médicos? Resposta pronta: não! Porque será?
Depois quanto aos turnos, é correcto que por vezes conseguimos juntar umas folgas e aliviar as costas. É certo que cumprimos o nosso horário legal e por vezes, quando necessário, ficamos depois das horas. Vais agora dizer que depois de ser rendido pelo colega, ficavas à conversa no posto de trabalho a fazer horas extras não remuneradas?
Sou 200% a favor do picar o ponto. E os médicos serão? LOL!
Não sou contra os médicos irem às enfermarias depois de estarem no banco, etc. Sou contra estar de serviço à urgência e dar-se aulas, dar-se consultas em clínicas e umas dezenas pelo telefone, meter-se cunhas para os doentes do consultório fazerem exames, etc.
É certo também que se fosse dada a oportunidade aos enfermeiros de fazer mais horas no seu posto de trabalho, não hesitariam a fazê-lo.
Quanto ao roubo de material todas as classes e profissões têm bons e maus funcionários, concienciosos e aproveitadores, falsos moralistas e realistas. Sou contra todo o tipo de desvios, seja de soros, seja de "exames" e mais não digo!
Não vale a pena fazer disto um enfermeiros vs médicos .. não esse o caminho para a melhoria de cuidados..
Ha bons e maus profissionais em todas as classes,e obviamente cada um defende a sua classe..
Os doentes não recuperavam se não houvesse médicos nem enfermeiros,todos são precisos..mas o valor que lhes é dado ainda é muito mas muito diferente..
Ainda há a ideia de que o enfermeiro é o "criado" do médico..e as representatividades sociais são muito díspares..mas cada um tem as suas funções,e obviamente a perte médica é e será sempre mais importante..
Quanto à ideia do enfermeiro criado do médico, esqueçam porque nem de perto nem de longe isso se passa. Não sou criado de ninguém. Simplesmente, por vezes, temos de fazer cumprir prescrições que partem, profissionalmente, dele. Mas atenção, discordo totalmente quando se diz que a parte médica é mais importante. É a que se assume socialmente de mais importância, mas que profissionalmente é apenas parte de uma equipa multidisciplinar em que o todo é superior à soma das partes.
Só quem não conhece ou nunca esteve internado, não dá valor ao enfermeiro. Somos nós que estamos 24h/dia/365dias ao lado do doente, e acreditem ou não, salvamos muitas vidas. Alertamos quando mais ninguém está a "pé", fazêmos o que é preciso... porque somos Enfermeiros e não porque nos dizem sermos criados ou o quer que seja.
P.S. Não quero alimentar guerras entre enfermeiros médicos ou o que quer que seja. Falo apenas por mim, das elações que tiro, todos os dias. DIas esses que saio e entro com consciência tranquila do dever cumprido e de valorizãção pessoal. O tal EGO reforçado.