Medicos sem horas

Medicos sem horas

  • Não

    Votos: 14 56,0%
  • Sim

    Votos: 11 44,0%

  • Total de eleitores
    25
"A desnutrição torna as pessoas mais susceptíveis a doenças. A OMS calcula que 75% de todas as doenças podem ser evitadas ou revertidas com boa alimentação, água limpa e melhor higiene. Isso não impede a indústria farmacêutica de incentivar o uso de medicamentos contra doenças, onde seu emprego é absurdo e arriscado. Mais medicamentos, não significam melhor saúde".



Aqui vai um artigo escrito por Joan-Ramon Laporte ( Professor e chefe da divisão de Farmacologia Clínica da Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha. Artigo publicado no “Development Dialogue”)



Para melhor uso de medicamentos

A receita que um médico prescreve para o paciente no final da consulta deveria decorrer diretamente de considerações sobre diagnóstico e prognóstico. Infelizmente, isso raramente acontece. Diz-se que muitas receitas de medicamentos não são “receitas racionais” e sim “receitas automáticas”. A receita reflete a disponibilidade dos medicamentos receitados e as condições do trabalho (tempo, treinamento, equipamento e instalação para diagnóstico etc.). Reflete também a época, o local e as doenças prevalentes na região. Além disso, o médico é influenciado pela informação sobre o medicamento.

Antes de registrar um novo medicamento ou incluí-lo numa relação de medicamentos, precisamos responder às seguintes perguntas:
  • O novo medicamento é mais ou menos eficaz do que outros que estão no mercado? É mais ou menos seguro? Há necessidade do novo medicamento? Qual o seu custo comparativo?
  • Como será usado?
  • Que informação será dada aos médicos que receitarão?
É preciso considerar
  1. Muitos medicamentos são inúteis — seu valor terapêutico nunca foi comprovado. Outros — geralmente combinação de duas ou mais substâncias ativas — são inaceitáveis (isto é, os riscos que apresentam são maiores do que os benefícios, em qualquer circunstância). Precisam ser retirados do mercado. Muitas vezes, medicamentos realmente necessários não são encontrados no mercado. Em compensação, medicamentos inúteis ou inaceitáveis são facilmente receitados e distribuídos.
  2. Os medicamentos são freqüentemente usados para encobrir problemas difíceis, de origem social, que não podem ser aliviados ou solucionados com remédios.
  3. Quanto mais potente for o medicamento, maior o seu potencial iatrogênico (que pode provocar doença por tratamento médico errôneo). Há sempre o risco do medicamento ser ministrado ao paciente errado, na dose errada, mais alta ou mais baixa, pelo tempo errado ou receitado para fugir de problemas de ordem social ou psicológica.
  4. O uso de medicamentos é um campo onde os fabricantes exercem pressão para assegurar a expansão constante do mercado, em vez de procurar preencher uma lacuna real. Muitos “medicamentos novos” na verdade não são reais inovações terapêuticas. Onde falta informação sobre os medicamentos, esse vazio é preenchido por propaganda, inevitavelmente tendenciosa.
São vários os fatores que determinam o tipo e a quantidade de remédios usados em uma comunidade. Diversos fatores influenciam o consumo de medicamentos: existência ou falta de treinamento farmacológico para médicos e pessoal da saúde; a atitude dos usuários e as pressões que sofrem; as doenças existentes na comunidade. Vou referir-me a apenas quatro fatores: a propaganda, as doenças, a oferta de medicamentos, as prioridades do sistema de saúde e suas estruturas.

A publicidade
A publicidade é, sem dúvida, um fator preponderante para o uso irracional e prejudicial de medicamentos. A indústria farmacêutica gasta de 15 a 25% do seu orçamento em publicidade. Essa porcentagem é ainda mais alta nos países do Terceiro Mundo. O conteúdo educativo e a objetividade da informação prestada pelo fabricante variam muito de país para país. Muitas vezes as informações disponíveis no país de origem do medicamento são mais objetivas do que no exterior, principalmente no Terceiro Mundo.

Tenho visto material de propaganda de certos laboratórios feito para o Terceiro Mundo que chega a ser criminoso. Longe de possuir qualquer valor educativo, grande parte do material “informativo” apresenta o produto como capaz de curar milagrosamente todos os males, exagerando nas qualidades e minimizando os riscos.

As doenças
Geralmente, supõe-se que o remédio receitado tenha alguma relação com a doença do paciente — ou pelo menos com algum sintoma. Isso pode ser verdade em muitos casos. Entretanto, sob o ponto de vista epidemiológico, isso nem sempre convence. Vejamos os seguintes exemplos:

  • estudos realizados em alguns países da Europa sobre o uso em escala mundial de medicamentos contra hipertensão e diabetes, indicam que o consumo de medicamentos anti-hipertensivos e antidiabéticos não corresponde à prevalência dessas doenças;
  • é interessante notar a grande variação de um país para o outro nos gastos per capita com medicamentos, principalmente se consideramos a venda de alguns medicamentos de eficácia não comprovada.
Oferta de medicamentos
O número de remédios comercializados varia muito de país para país.

Entretanto, nunca ficou provado que um número infinito de medicamentos seja mais benéfico para a saúde pública do que um número restrito. Pelo contrário, a existência de muitos medicamentos pode causar confusão em todos os níveis da corrente terapêutica, representando desperdício de dinheiro e de mão-de-obra.” Este conceito, formulado por Lunde, em 1979, continua sendo a pedra angular de uma política sadia para os medicamentos.

Quantidades excessivas de medicamentos causam confusão no registro, congestionam o controle nos portos de entrada, dificultam o controle de qualidade e a avaliação das necessidades reais nos diversos níveis do sistema de saúde. Causam confusão logística, agravando as desigualdades na distribuição (por exemplo, entre a zona urbana e rural). Fica mais difícil controlar a venda e distribuição de medicamentos só permitidos sob prescrição médica e o médico que prescreve os medicamentos também fica confuso. Sabemos que é preferível usar e conhecer bem um número limitado de medicamentos do que usar muitos remédios sobre os quais pouco se sabe. O uso de um número limitado de medicamentos bem conhecidos facilita o seguimento e ajuda a avaliar os benefícios e efeitos colaterais nos pacientes.

Números elevados de medicamentos causam confusão nos pacientes, principalmente quando não são usados os nomes genéricos e o mesmo produto tem mais de um nome comercial. Numa pesquisa em Barcelona, encontrou-se um senhor idoso que tomava todos os dias, três produtos diferentes à base de fenilbutazona (usada no tratamento da artrite). Cada um desses medicamentos tinha nome comercial diferente. Quando perguntado porque tomava cada remédio, ele respondeu que o terceiro era para dor de estômago!

Estrutura e prioridades do sistema de saúde
Os recursos econômicos e humanos destinados ao serviço de saúde são os principais fatores que afetam o consumo de medicamentos. Poderíamos pensar que, quanto maior o volume de recursos, maior será o consumo de medicamentos. Mas nem sempre isso é verdade. Os países nórdicos gastam de 7 a 9% do orçamento de saúde com medicamentos. Em pequenos países da África, esse gasto sobe para 60%. Nesses países os medicamentos constituem (sem muito sucesso) um substituto para outras formas de assistência à saúde.

Existem ainda três outros fatores importantes que influenciam o consumo de medicamentos. A proporção dos gastos entre o setor público e o setor privado, entre a atenção primária e a área hospitalar especializada, bem como a existência ou a falta de programas específicos de combate às doenças. Damos, a seguir, um resumo das principais questões:

  • Existe um programa de medicamentos essenciais? O programa atinge todos os segmentos da sociedade ou apenas alguns? Destina-se apenas à atenção primária ou é mais abrangente? Inclui o setor privado? Quais as conclusões e obstáculos encontrados na aplicação do programa?
  • Quais as leis que regem a indústria de medicamentos? Quais os regulamentos sobre registro e controle dos produtos?
  • Como é organizada a distribuição dos medicamentos?
  • Existe treinamento específico destinado aos responsáveis pelo serviço de saúde para a avaliação de medicamentos?
  • Existe algum setor na universidade que participa de treinamentos e pesquisas para apoiar as diretrizes nacionais sobre medicamentos?
  • O pessoal de saúde recebe um formulário ou manual que ajuda a decidir sobre a terapia correta e que indica substitutos para falta de determinados medicamentos?
As respostas a essas perguntas permitem avaliar onde existe bom ou mau uso de medicamentos.

De acordo com a OMS é indispensável avaliar os seguintes elementos
  • Uso de medicamentos no sistema de saúde: o que leva à prescrição de determinado medicamento? Como se chegou ao diagnóstico? Quais os motivos para a seleção de determinado medicamento, dosagem e modo de ministrá-lo? O paciente foi informado a respeito da sua doença e do tratamento? Foi feito algum seguimento?
  • Uso do medicamento fora do sistema de saúde: como o medicamento é visto pelo paciente, sua família e sua comunidade? Quais efeitos colaterais ocorreram?
O uso correto de medicamentos é muito mais do que um programa de medicamentos essenciais. Oferecer os medicamentos corretos não garante o uso correto.

Não basta que um país elabore uma lista de medicamentos essenciais. É necessário também que elabore uma lista de medidas essenciais, se quiser deixar de ser “dependente de medicamentos”. Essas medidas são: treinamento em farmacologia clínica e avaliação dos medicamentos; controle da propaganda da indústria farmacêutica; campanhas educativas para o pessoal da saúde e a população em geral; distribuição de formulários explicativos; desenvolvimento de epidemiologia “nacional” de medicamentos; estudo das doenças provocadas por medicamentos; organização de redes de avaliação de medicamentos.
_____
 
Vocês que são farmacêuticos expliquem-me uma coisa: Um genérico tem de fazer ensaios de bioequivalencia ou de equivalencia farmaceutica para com o medicamente de marca???
Tenho cá um dedinho que me diz que só precisam de fazer o 2º......

O Estatudo do Medicamento actualmente em vigor diz o seguinte:

«Medicamento genérico», medicamento com a mesma composição
qualitativa e quantitativa em substâncias activas, a mesma forma
farmacêutica e cuja bioequivalência com o medicamento de referência haja sido demonstrada por estudos de biodisponibilidade apropriados.​
 
Vocês que são farmacêuticos expliquem-me uma coisa: Um genérico tem de fazer ensaios de bioequivalencia ou de equivalencia farmaceutica para com o medicamente de marca???


Tenho cá um dedinho que me diz que só precisam de fazer o 2º......

Começamos pelos ensaios a realizar para obter a autirização para introdução no mercado (AIM)

De acordo com o Decreto-Lei n.º 72/91, de 8 de Fevereiro, na sua redacção actual, a AIM de medicamentos genéricos está sujeita às mesmas disposições legais dos outros medicamentos, com as seguintes excepções:

- Está dispensada a apresentação dos relatórios sobre ensaios farmacológicos, toxicológicos e clínicos; (neste caso como o princípio activo é o mesmo e já foi largamente submetido a ensaios clínicos, estes estudos que demoram vários anos a realizar são dispensados!)

- É obrigatória a demonstração da bioequivalência com base em estudos de biodisponibilidade ou quando estes não forem adequados, a demonstração ou equivalência terapêutica por meio de estudos de farmacologia clínica apropriados (estes testes seguem estritamente o disposto nas normas comunitárias) ou outros a solicitar pelo INFARMED.


Bioequivalência é um estudo comparativo entre as biodisponibilidades de dois medicamentos que possuem a mesma indicação terapêutica e que são administrados pela mesma via e na mesma dose. Estudam-se assim as concentrações sanguíneas do mesmo fármaco, mas dos dois laboratórios (marca vs genérico)
Dois medicamentos são considerados bioequivalentes quando não forem constatadas diferenças estatisticamente significativas entre a quantidade absorvida e a velocidade de absorção, através de um estudo comparativo em condições padronizadas. Ou seja, se suas biodisponibilidades, após a administração da mesma concentração, são similares em tal grau, que seus efeitos sejam essencialmente os mesmos.


Basicamente, os excipientes que tanto se falam vão permitir optimizar a passagem do fármaco para o sangue - absorção! Depois do fármaco (exª paracetamol) passar para o sangue vai ser distribuido, metabolizado e no final excretado (urina, bile, fezes, pulmões...) Isto é provado pelos ensios de biodisponibilidade que nos vão dar ou não a bioequivalência.



Outra coisa é a acção do medicamento em si! O fármaco vai actuar em locais específicos e realizar a acção terapêutica que é esperada. Bem, agora digam-me uma coisa, se provamos que o paracetamol chega ao sangue da mesma forma no genérico e no medicamento de marca (bioequivalência), qual vai ser a diferença entre Paracetamol e Paracetamol no sangue? A verdade é que os dois "paracetamois" actuam da mesma forma porque são o mesmo composto, são a mesma molécula... Química é química! É isto que chega ao sangue nos dois casos:


260px-Acetaminophen.png


(como é óbvio isto será válido para os medicamentos que precisam de passar para o sangue para actuarem - acção sistémica! Os de acção local não passam primeiro para o sangue.)
 
Última edição:


Começamos pelos ensaios a realizar para obter a autirização para introdução no mercado (AIM)

De acordo com o Decreto-Lei n.º 72/91, de 8 de Fevereiro, na sua redacção actual, a AIM de medicamentos genéricos está sujeita às mesmas disposições legais dos outros medicamentos, com as seguintes excepções:

- Está dispensada a apresentação dos relatórios sobre ensaios farmacológicos, toxicológicos e clínicos; (neste caso como o princípio activo é o mesmo e já foi largamente submetido a ensaios clínicos, estes estudos que demoram vários anos a realizar são dispensados!)

- É obrigatória a demonstração da bioequivalência com base em estudos de biodisponibilidade ou quando estes não forem adequados, a demonstração ou equivalência terapêutica por meio de estudos de farmacologia clínica apropriados (estes testes seguem estritamente o disposto nas normas comunitárias) ou outros a solicitar pelo INFARMED.


Bioequivalência é um estudo comparativo entre as biodisponibilidades de dois medicamentos que possuem a mesma indicação terapêutica e que são administrados pela mesma via e na mesma dose. Estudam-se assim as concentrações sanguíneas do mesmo fármaco, mas dos dois laboratórios (marca vs genérico)
Dois medicamentos são considerados bioequivalentes quando não forem constatadas diferenças estatisticamente significativas entre a quantidade absorvida e a velocidade de absorção, através de um estudo comparativo em condições padronizadas. Ou seja, se suas biodisponibilidades, após a administração da mesma concentração, são similares em tal grau, que seus efeitos sejam essencialmente os mesmos.


Basicamente, os excipientes que tanto se falam vão permitir optimizar a passagem do fármaco para o sangue - absorção! Depois do fármaco (exª paracetamol) passar para o sangue vai ser distribuido, metabolizado e no final excretado (urina, bile, fezes, pulmões...) Isto é provado pelos ensios de biodisponibilidade que nos vão dar ou não a bioequivalência.



Outra coisa é a acção do medicamento em si! O fármaco vai actuar em locais específicos e realizar a acção terapêutica que é esperada. Bem, agora digam-me uma coisa, se provamos que o paracetamol chega ao sangue da mesma forma no genérico e no medicamento de marca (bioequivalência), qual vai ser a diferença entre Paracetamol e Paracetamol no sangue? A verdade é que os dois "paracetamois" actuam da mesma forma porque são o mesmo composto, são a mesma molécula... Química é química! É isto que chega ao sangue nos dois casos:


260px-Acetaminophen.png


(como é óbvio isto será válido para os medicamentos que precisam de passar para o sangue para actuarem - acção sistémica! Os de acção local não passam primeiro para o sangue.)


A diferença??
Nestes casos nenhuma....

O que eu falei sobre os novos exipientes que são adoptados para princípios activos que já tem genéricos no mercado, é que a introdução destes exipientes novos efectivamente faz com que o produto comercializado seja suficientemente diferente para que lhe seja atribuída a exclusividade de produção e comercialização, inviabilizando a possibilidade de se fazerem genéricos desta nova apresentação do mesmo P.A...

Estes novos exipientes fazem com que a absorção seja mais rapida/eficaz e com menos efeitos indesejados, tornando a bioequivalencia diferente para os mesmos P.A...

Nos medicamentos em que a bioequivalencia é a mesma, em principio não há diferenças...

A titulo pessoal, e dentro do meu conhecimento, nada tenho contra os genéricos, e tenho total confiança nos processos de certificação e vigilância de qualquer fármaco...
 
Pela 898ª vez:
- Não há genéricos em Portugal
- Fomos inovadores nos "genéricos de marca", que é a mesma coisa que ter inventado o fogo gelado ou a água seca.
- Foi criada a ideia que os genéricos eram mais baratos, conceito em si completamente falso, mas que dava uma perfeita ilusão com os 10% de comparticipação a mais i.e. concorrência desleal.
- Medidas estas criadas por um governo com um ministro da saúde saidinho do grupo Mello, que por sua vez detêm parte da ANF e vice-versa
- Esse ministro da saúde queria forçar a prescrição por DCI ("nome genérico"), estando a dispensa dos medicamentos a cargo do farmacêutico.
- A ANF estava preparada para entrar não só na distribuição, mas também no fabrico dos medicamentos
- Veio um ministro da saúde teimoso como um burro mas com 2 dedos de testa e acabou com os 10% extra de comparticipação. Que lindo negócio que ia ser, não foi?
- Neste momento a situação dos genéricos é rigorosamente igual às cópias, que já existiam antes - o mesmo principio activo com nomes diferentes.

Então, razões para trancar todas as minhas receitas (e atenção que receito muitos "genéricos de marca"):
- Então os médicos não são sérios o suficiente para prescrever, antendendo à relação custo-benefício, entre outras coisas, e as farmácias, que são parte interessada no lucro da venda do medicamento já são????

- Falam das canetas e das viagens e dos congressos. Mas não falam das mesmas ofertas às farmácias, com a agravante de se ter permitido lançar n "marcas de genéricos" no mercado, fazendo estas portanto marketing agressivo e chegando a dispensar metade das embalagens de graça - tipo: compra-me um lote e oferecemos outro. Pergunto: então e o estado ainda vai pagar a comparticiação de algo que saiu a custo ZERO à farmácia??? Podem arranjar as contabilidades criativas que quiserem (ai entra na margem de lucro e tal) mas é a realidade. O SNS anda a pagar comparticipação de embalagens de medicamentos a custo ZERO.


- Ainda dos congressos, que apoios dá o SNS à formação dos seus profissionais? Se não fossem os patrocínios das empresas farmacêuticas, como é que um médico, na altura em que mais precisa de formação, i.e. a tirar a especialidade e a ganhar limpos 300cts por mês com algumas horas extra à mistura pode pagar congressos em que a inscrição são mais de 500€?? Fora viagem, alojamento, etc... Ao contrário do que pensam não se vai aos congressos só para se passear. Vai-se para aprender, e mais importante, apresentar casos e trabalhos.

- Alguém que me diga em que farmácia se encontra o medicamento "Nuclosina" que era tão só o omeprazol mais barato do mercado, por uma margem brutal. E vejam lá que não era genérico.

- Alguém que me diga porque é tão difícil aviar uma receita trancada de "fluoxetina farmoz 20mg 60 caps"? Eu digo - é porque tem um PVP de 16€. A Fluoxetina generis 20mg 56 caps" custa 27€ PVP. ora 20% de 16€ diferente de 20% de 27€...

- De onde é que surgiram de repente medicamentos com o nome de Basi, Cinfa, Bluarrow, Germed, toLife, Bluepharma? Onde são fabricados esses medicamentos? Merck, Labesfal, Farmoz, Alter, Ratiopharm, Ciclum, Mepha, já eu conhecia e prescrevia antes desta onda dos genéricos. Agora os outros?

- É sempre divertido dar uma caixa diferente cada mês ao velhinho que vai aviar os medicamentos. É bom para estimular os neurónios.

etc, etc...

Divirtam-se com genéricos, PVP's, preços de referência em http://www.infarmed.pt/prontuario/index.php . É público. Agora não me venham cá falar do que não sabem...

Arranjo todas as embalagens que quiseres. Vais lá à farmácia onde estou a trabalhar e dizes que queres essa mesma. Se não houver em stock, telefono para um qualquer armazenista e caso seja possível, nesse mesmo dia estarão lá disponíveis. Esta é a maneira de trabalhar no local onde estou.

Mas deixa-me que te diga, não tenho, neste momento, acesso a dados concretos mas de uma forma subjectiva, digo que a Fluoxetina da Farmoz não é a que aparece mais prescrita no receituário lá da farmácia... Por esse motivo - e neste caso concreto - se o utente não leva o medicamento mais barato é porque o seu médico passou ou medicamento de marca ou outro genérico pertencente a outro laboratório. Razões para isso? Não sei, mas pelos vistos nem todos os médicos se dão ao trabalho de estudar qual a alternativa mais barata. Tu, pelo que se percebe, dás-te a esse trabalho, outros não...
 
E mais, a todos os que são contra os medicamentos genéricos, aconselho-vos a fazer uma reservazinha em caso de necessitarem de hospitalização porque no hospital não tomam o Ben U Ron, levam antes com o paracetamol da Labesfal ou outro qualquer. Ou então peçam à familia para na visita, em vez de levar bolachinhas, levar antes o Dafalgan... Gastam mais dinheiro mas poupam aos outros contribuintes e diminuem o intake diário de hidratos de carbono...
 
Chateia ver tanta gente a falar do que não sabe... mas é para esclarecer que existem (tb) os fóruns... a quem quer ser esclarecido!

O zovirax, que o pessoal que te herpes deve conhecer, que percentagm de aciclovir tem? e o genérico sabem? Experimentem os 2 e depois conversamos.. Não entendo tanta animosidade contra os profissionais de saúde...:sh)
 
Chateia ver tanta gente a falar do que não sabe... mas é para esclarecer que existem (tb) os fóruns... a quem quer ser esclarecido!

O zovirax, que o pessoal que te herpes deve conhecer, que percentagm de aciclovir tem? e o genérico sabem? Experimentem os 2 e depois conversamos.. Não entendo tanta animosidade contra os profissionais de saúde...:sh)

Não percebi.. Tás a dizer que o genérico de zovirax tem concentração de PA diferente do original (zovirax)? :confused:
 
Não. A concentração é =. Mas enquanto o zovirax tem 40% de propilenoglicol (essencial para absorção), 80% dos genéricos estudados pelo Interntional Journal of Pharmaceutics tinha menos de 20%...

A Merck recomenda explicitamente que alguns medicamentos não sejam substituidos por genéricos, sendo que comercializa muitos deles.

A American Heart Organization lançou um alerta sobre a não bioequivalência dos antiarrítmicos.

Nem vale a pena continuar a discussão. têm 2 exemplos, um mais grave que o outro. Se quiserem arranjo mais.

A saúde é de cada um e o dinheiro também.

Muitos dos apedrejadores de congressos e profissionais pouco escrupulosos, se calhar vão pensar 2 vezes quando forem à farmácia a próxima vez... ou não.
 
Última edição:
Não. A concentração é =. Mas enquanto o zovirax tem 40% de propilenoglicol (essencial para absorção), 80% dos genéricos estudados pelo Interntional Journal of Pharmaceutics tinha menos de 20%...

A Merck recomenda explicitamente que alguns medicamentos não sejam substituidos por genéricos, sendo que comercializa muitos deles.

A American Heart Organization lançou um alerta sobre a não bioequivalência dos antiarrítmicos.

Nem vale a pena continuar a discussão. têm 2 exemplos, um mais grave que o outro. Se quiserem arranjo mais.

A saúde é de cada um e o dinheiro também.

Muitos dos apedrejadores de congressos e profissionais pouco escrupulosos, se calhar vão pensar 2 vezes quando forem à farmácia a próxima vez... ou não.

Esse tipo de diferenças nunca tiveram em causa neste tópico.. Só estranhei dizeres que tinham concentrações diferentes! Mas já viste que não têm! [;)]
 
O pior é que muitos clientes vêm à farmácia falar mal dos médicos e depois vão ao médico falar mal das farmácias. Até mentem. Já quase que tivemos problemas com médicos aqui por causa disso. Felizmente que a conversar toda a gente se entende.

Ora nem mais. E vem ao médico hospitalar falar cobras e lagartos do médico de família, e depois levam-lhe um cabrito a falar cobras e lagartos do dr. do hospital. Faz parte da cultura portuguesa falar mal de quem não está. Isso não me preocupa nada.
 
Mas enquanto o zovirax tem 40% de propilenoglicol (essencial para absorção), 80% dos genéricos estudados pelo Interntional Journal of Pharmaceutics tinha menos de 20%...

Deves estar a falar de uma preparação semi-sólida para aplicação tópica! Sabes o que é o propilenoglicol e para que é usado? Queres que te digitalize a página do propilenoglicol do Handbook of Pharmaceutical Excipients? Certamente sabes que nos laboratórios há equipas que desenvolvem formulações. Não tem que ser igual! A absorção não é só influenciada por um excipiente! Conheces os ensaios a que essas formulações têm que obedecer? Tens tudo na Farmacopeia!
 
A farmácia não é o meu campo. Contudo acho que a fonte é credível...
http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6T7W-4H1002T-5&_user=10&_coverDate=11%2F04%2F2005&_rdoc=1&_fmt=&_orig=search&_sort=d&view=c&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=f6fca2bf7627ca338ee4a07c3bd0d3a6
Agora se a substituição de certos medicamentos é desaconselhada pelas próprias farmacêuticas... www.manualmerck.net...

Se a substituição de antiepilépticos entre marcas de genéricos despoleta crises nos pacientes (estatisticamente significativas)...

Se os lotes usados no fabrico podem variar dos usados para demonstração de bioequivalência (antivirais em 2004 nos EUA)...

Compra quem quiser...
 
Última edição:
Explica-me por favor o que é que isso da farmacocinética tem a ver com menos efeitos indesejados!

A farmacocinetica do exipiente não tem nada a ver com os efeitos indesejados ...mas a composição do exipiente tem!

Nem sei o porquê de estares a fazer esta pergunta...
Com certeza que sabias a resposta, ou então leste/ interpretaste mal o que escrevi...

Mas clarificando,
o novo exipiente não só optimizou o processo de absorção do fármaco( esta é a parte farmacocinetica), mas também a sua nova composição apresenta uma maior "aceitação" por parte do organismo...
 
A farmacocinetica do exipiente não tem nada a ver com os efeitos indesejados ...mas a composição do exipiente tem!

Nem sei o porquê de estares a fazer esta pergunta...
Com certeza que sabias a resposta, ou então leste/ interpretaste mal o que escrevi...

Mas clarificando,
o novo exipiente não só optimizou o processo de absorção do fármaco( esta é a parte farmacocinetica), mas também a sua nova composição apresenta uma maior "aceitação" por parte do organismo...

Diz-me o que é um excipiente por favor!
 
Sabes tão bem como eu que sabores são relativos! E um medicamento não DEVE ser apetitoso por razões de segurança. Há casos e casos! O Dafalgan(aquele paracetamol efervescente) também não presta para nada e nem por isso deixa de ser dos mais prescritos. Sabes porquê? Eu sei que sabes Avant![;)] Não vamos ser agora parciais com dois pesos e duas medidas.

Para quem tem de tomar 4 carteiras por dia não é nada relativo. O sucralfato merck é horrível comparado com o ulcermin. Não sou eu que o digo. São os doentes.
O Dafalgan efervescente até dá vómitos. No entanto prescrevo muito. É que é o único fácil de dar a pessoas acamadas ou alimentadas por sonda nasogástrica. Isso conta muito. Agora não prescrevo a pessoas "normais" porque sei que sabe mal como tudo...
 
Ou seja, consciente ou incoscientemente, não confias nos genéricos, apesar de todas as garantias. Porque será?

Eu sei que este comportamento pode ser algo irracional e sem fundamento científico, mas custa-me bastante prescrever um antibiótico genérico. É que em Medicina há só 2 coisas que curam: antibióticos e operações.
 
Arranjo todas as embalagens que quiseres. Vais lá à farmácia onde estou a trabalhar e dizes que queres essa mesma. Se não houver em stock, telefono para um qualquer armazenista e caso seja possível, nesse mesmo dia estarão lá disponíveis. Esta é a maneira de trabalhar no local onde estou.

Mas deixa-me que te diga, não tenho, neste momento, acesso a dados concretos mas de uma forma subjectiva, digo que a Fluoxetina da Farmoz não é a que aparece mais prescrita no receituário lá da farmácia... Por esse motivo - e neste caso concreto - se o utente não leva o medicamento mais barato é porque o seu médico passou ou medicamento de marca ou outro genérico pertencente a outro laboratório. Razões para isso? Não sei, mas pelos vistos nem todos os médicos se dão ao trabalho de estudar qual a alternativa mais barata. Tu, pelo que se percebe, dás-te a esse trabalho, outros não...

É de louvar essa forma de trabalhar. Contudo, a experiência que eu tenho no terreno nem sempre é a mais favorável. Na maior parte das vezes não sai o genérico mais barato, sai aquele que dá mais jeito à farmácia vender, nem que seja por aquilo que mencionei, por vir com umas embalagens de brinde que há que despachar. E de facto por mais voltas que dê à cabeça, dá-me ideia que o estado pagar uma comparticipação de X% por um custo que nunca chegou a haver, custa-me a compreender.
 
Voltar
Superior