Miguel Relvas pode ser responsável por fugas de informação nas secretas
A integração do ex-espião Silva Carvalho na Presidência do Conselho de Ministros pode revelar que o ministro Miguel Relvas teve responsabilidades nas fugas de informação nos Serviços de Informação da República, considera o empresário e ex-deputado socialista Henrique Neto.
“É uma vergonha. Isso é um caso tão vergonhoso que é impensável. Pelo menos, evidencia que há uma coincidência de interesses. Ou que o primeiro-ministro tem responsabilidades ou, até muito provavelmente, o ministro Miguel Relvas, tem responsabilidades naquilo que aconteceu nos Serviços de Segurança da República”, tal como na “evolução que vem nos jornais, e que todos conhecemos, de um alto funcionário que vendia os interesses a uma empresa privada dando-lhe informações. Ora isso não deve ter sido feito inocentemente”, conjectura o dirigente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), em declarações à Renascença.
Também o ex-conselheiro de Estado e militante social-democrata António Capucho considera que as aparências apontam para o envolvimento de Miguel Relvas nas fugas de informação das secretas e mostra-se surpreendido com a integração de Silva Carvalho.
“Em política, o que parece é e isto parece imenso”, afirma, adiantando que “se há coisa que me causou uma grande estupefacção nos últimos tempos” é a integração de Silva Carvalho na Administração Pública.
“Eu não conheço a envolvente jurídica, mas alguém que está envolvido como ele nos problemas que conhecemos, que sai da função pública ou de um organismo do Estado para ir para a iniciativa privada e agora, de repente, tem a capacidade legal – ao que parece – de regressar à função pública e ainda por cima ser colocado no coração ou na cabeça da Administração Pública, na Presidência do Conselho de Ministros, sinceramente, não percebo como é que isso é possível”, admite.
RR