Eu percebo perfeitamente a Nissan. As marcas japonesas têm que fazer produtos diferentes das tipicas marcas Renault VW Peugeot, veja-se o exemplo da Honda ou da Toyota, o único sucesso dessas duas marcas na Europa é o Aygo. Este mercado é muito dado às marcas "nacionais". Todos os grandes mercados têm uma ou mais marcas nacionais que absorvem grande parte das vendas devido ao sentido patriótico por isso a Nissan e bem tenta inovar sem cair como é óbvio no exagero.
Ora aqui está uma excelente frase que define... o Qashqai!
De resto, o que acontece à Nissan aqui também acontece às marcas europeias nos países asiáticos, mas nem por isso se vêem mudanças radicais na estratégia, apenas modelos que serão melhor adaptados às necessidades (e objectivos...) dos locais.
Fizeram-no com o Qashqai e resultou lindamente, há muitos anos que uma marca japonesa não vendia tanto na Europa, também devido à aliança com a Renault que lhe permitiu ter um motor de baixa cilindrada diesel e por isso um grande preço. Por isso na minha opinião foi uma estratégia de mestre, normalmente as pessoas gostam deste tipo de carros diferentes, vê o Smart, o Twingo, o Megane/Scenic II etc
O Qashqai resultou lindamente porque de certa forma alia um conceito diferente de segmento C a um design algo conservador, que é o que mais costuma agradar ao povo europeu. Depois, a aliança com a Renault permitiu dotá-lo de motores diesel competentes e, graças também à partilha de plataformas, oferecer preços competitivos.
Mas este Juke é completamente diferente do Qashqai.
E relembro-te que o Smart foi um problema "bonito" para a Mercedes resolver, que só com muito esforço (ou seja, muita publicidade a associá-la à marca da estrela) é que lá conseguiu ir convencendo as pessoas das qualidades que o ForTwo, reconhecidamente e enquanto citadino, tinha.
O Twingo I, se bem me recordo, nunca foi o sucesso que a Renault esperava.
Claro que haverá sempre pessoas que gostam deste tipo de carros "diferentes", o problema é que desenvolver carros custa imenso dinheiro e convém, portanto, que pelo menos venda o suficiente para pagar o seu próprio projecto. O que, nestes casos, dificilmente acontece.
Só para que não fique sem referência, a Scenic foi bem sucedida porque foi um projecto inovador no segmento, sim senhor, mas ao mesmo tempo conservador no desenho.
E dentro da Renault, ainda tens mais um carro diferente e mal sucedido: o Avantime...
E o Ford Ka? Também era diferente...
Com isto até parece que estou a condenar à morte o Juke. Nada disso. Mas veremos até que ponto não se tornará... uma "joke".