O problema não está no Sócrates, com Sócrates ou sem Sócrates estaríamos mais ou menos na mesma, o mal já vem de trás. O problema é estrutural.
Não temos tido verdadeiros liders á altura da governação.
Inteligência e visão são ver para além da porta. Como alguém já disse uma vez a mediania é o grau superior da mediocridade.
O problema é estrutural.
Primeiro acabaram com os cursos profissionais, Escolas Industriais e comerciais.
Pensou-se erradamente, a tal falta de visão, que toda a gente iria ser Doutor.
Paralelamente a isso, outro erro, apostou-se na mão-de-obra intensiva, sem preparação sem formação, ficando a faltar os quadros intermédios.
No meu caso por ex.
Curso Industrial de formação de serralheiros (5 horas diárias de oficinas das 08h00 ás 13h00)
Quem chumbasse a oficinas ou desenho, mesmo que tivesse boas notas às outras disciplinas estava automaticamente chumbado.
No último ano praticava-se com fresadoras, tornos mecânicos, engenhos de furar rectificadoras etc. (Pronto a ingressar no mercado de trabalho com uma profissão).
Secção preparatória ao Instituto Industrial (hoje ISEL)
Instituto Industrial – Agente Técnico (hoje Engenheiro Técnico)
Para além da teoria pronto a explicar como se faz e vestir o fato-macaco caso fosse preciso.
A seguir, como todos certamente se lembrarão, vêm os dinheiros comunitários destinados á formação profissional. O que foi feito? Praticamente nada, foi gasto em tudo menos numa formação profissional séria que transmitisse conhecimentos e preparação para o mundo do trabalho.
Desabafava uma vez um colega que também se meteu nisso da formação profissional. Dizia ele: Toda a gente ganhou dinheiro com a formação menos eu. A minha resposta foi simples: Não ganhaste porque fizeste formação. Investiste em computadores, apontamentos, engenheiros competentes a dar aulas á malta etc., etc.
A tal falta de visão e estratégia de futuro, o tal ver para além da porta, veio a manifestar-se uma vez mais quando as empresas começaram a negociar pré reformas e reformas com pessoas de 50 anos e menos tudo isto com a cumplicidade do Estado. Tudo isto em nome da modernização.
Estava bem de ver que isto seria incomportável num futuro mais ou menos próximo.
Hoje temos uma quantidade enorme de pessoas a viver da segurança social, com uma esperança de vida ainda bastante longa, e que podiam muito bem estar ainda a produzir.
As empresas devem ser um misto, força da juventude aliada á experiência dos mais velhos.
O sucesso passa por aí. Não abdico de ter nas minhas equipas pessoas jovens com vitalidade e irrequietude próprias da juventude mas também pessoas mais velhas que transmitam aos mais novos os conhecimentos adquiridos. Ao contrário do que muita gente julga essas pessoas, as mais velhas, não roubam lugares aos mais novos. Quanto mais as empresas forem competentes, quanto mais apostarem na formação e no conhecimento, mais fortes se tornam e mais bem preparadas estão para enfrentar as dificuldades, desafios e conquistar novos mercados. A não ser, claro está, que continuemos a querer investir apenas na Mão-de-Obra intensiva não qualificada e que já mostrou não nos levar a lado nenhum.
Por tudo isto acredito sinceramente que com Sócrates ou sem Sócrates estaríamos mais ou menos na mesma. O problema é estrutural e vem de trás.
Concordo plenamente consigo, o problema é estrutural e vem de trás, e mesmo se fosse outro que não o Socrates ou o PS no Governo, provavelmente as coisas estariam na mesma, mas aguentar um mentiroso, aldrabão e o mais perto que tivemos de um ditador pós 25 de Abril , mais 4 anos não obrigado ( e sim refiro-me ao Sr. Socrates) . Para quem pensa que ele não é ditador, só digo que se não o fosse não se importava tanto com a sua imagem, Mário Machado não teria sido preso da maneira como foi, não haveria esta brincadeira de termos que por chips nos carros, e isto só pra enumerar algumas situações. Se isto não é ditadura não sei o que seja. Não votem em branco nem façam abstenção, votem nos MPP, nos Verdes ou qualquer outro partido pequeno, no PS/PSD/PP/PCP ou BE é que não. Só assim é que mostramos que quem manda somos nós e não eles.
