Peço desculpa pela extensão mas são tantos temas em um!!!
Peço desculpa pela extensão mas são tantos temas em um!!!
1º -
Média de medicina é alta
A média é alta porque a lei da procura assim a condiciona. Se os alunos escolhessem outras áreas não seria tão alta. É uma lei de mercado e não vejo qual a injustiça se todos partem no 10º ano com as mesmas hipóteses (atenção que não me quero meter pelo tema coléguios, etc... que torna injusto mas isto é outro tema)
2º -
Há falta de médicos
Nota-se actualmente uma falta de médicos devido ás politicas irracionais dos inícios dos anos 90 em que não se projectou o futuro. Também se denota uma certa necessidade de controlo e optimização do trabalho médico que condicionam ainda mais que estas necessidades se adensem.
De certa maneira, o aumento da idade mínima de reforma médica poderá colmatar de certa maneira isso até se sentir no mercado de trabalho a chegada destes mil e tal alunos/ano para a prática médica sem tutela.
3º -
Aumentar o número de vagas
O aumento do número de vagas é estratégia política demagógica. Ao contrário do que por vezes se diz e escreve a formação médica não termina no canudo (6 anos). São necessários no mínimo mais 4/5/6/7 conforme as especialidades. A formação médica requer um elevadíssimo número de especialistas na formação de alunos. E não me refiro a professores. Refiro-me a outros médicos que durante a sua prática hospitalar libertam algum tempo para ensinar futuros colegas, a ganhar zero, de maneira a ensinar-lhe competências clínicas que não se aprendem nos livros e a permitir-lhes ter contacto com doentes. Para isto é importante que o rátio estudante/tutor ser o menor possível para garantir que estes futuros médicos adquiram as competências, discutam os doentes com o tutor e sobretudo tenham contacto com o máximo de doentes, treinem e aprendam com os profissionais credenciados. Há que não esquecer as inúmeras áreas médicas em que é necessário haver tutores.
Mais, os alunos que saem necessitam tb que haja vagas para continuarem a sua formação e durante os dois anos seguintes necessitarão também de tutores que os tutelem pois só tem licença para a prática de medicina tutelada.
Quando se junta isto tudo, repara-se que são necessários imensos meios, sobretudo pessoais para garantir uma boa formação médica. Os hospitais centrais onde existem todos os profissionais para as áreas médicas estão à pinha e começam a diminuir tanto em termos de serviços prestados à comunidade (nota-se no presente) como a piorar a formação médica (notar-se-á no futuro) que concedem.
4º -
Exame técnico de ingresso (ou prova de aptidões)
Este exame e falando utopicamente que não estamos num país em que a corrupção impera e o compadrio é rei e senhor, diria que mesmo assim não faz sentido. Não faz porque a carreira médica não é só ser médico de família.Há o cirurgião, o anatomo-patolgista, o médico de saúde pública, o médico legista, etc...
Ora, havendo tantas áreas e se é claro que o médico de família deverá ter o dom de ouvir os doentes e criar empatia com estes e fazer um bom exame clínico e diagnóstico com poucos meios, não me parece que seja tão importante esse dom num cirurgião (discútivel eu sei), muito menos num anatomo-patologista ou num médico legista. De qualquer maneira todos tiraram os memos 6+1 anos de formação médica. Como exemplo, o falado Dr. Sobrinho Simões, brilhante anatomo-patologista e cientista e prémio pessoa em 2002 para quem não sabe tem enormes dificuldades em socializar se não dentro da sua área de domínio. O próprio já se confessou incapaz de entrar numa loja de roupa e falar com a assistente (verdade, impensável mas verdade). Este homem com uma prova desse género jamais teria sido médico e ter-se-ia perdido um dotado para uma área que também é médica.
5º -
Haverá desemprego médico
Falso, se se aumentar o número de vagas o que existirá é licenciados em medicina sem emprego porque não poderão seguir a sua formação médica e atingir a especialização porque não haverá hospitais para lhes dar formação e portanto não ingressarão no internato médico. É que actualmente já são 1400/ano a ingressar no internato de ano comum juntando 1100 licenciados em portugal + 300 em universidades estrangeiras e em breve serão 2000, 1400 em portugal + 600 fora. Destes, os que não ingressarem no internato serão licenciados sem formação a não poderem exercer medicina e a não possuirem formação em mais nada.Estes licenciados nem a concorrência como muitos espalham aos sete ventos aumentarão.A únicas coisas que aumentarão serão a lista de desempregados e a revolta social.
6º -
Abrir universidades privadas de medicina
Em primeiro lugar iriam formar clínicos em que hospitais??? Se os públicos não têm onde, os privados como fariam? E que qualidade de formação garantiam? E claramente que a igualdade actual se dissiparia visto que as elevadissimas propinas e os compadrios proporcionariam hipótese de entrada a uma infima percentagem da população portuguesa. Para colmatar, juntar-se-iam ao grupo dos que tentavam ingressar no internato de ano comum, nada mais!!!
7º-
A média de Educação Física contar, outros sistemas de entrada na universidade
O principio de que nenhum método de escolha será justo parece-me a mim claro. O facto de educação física ser importante é controverso. para mim a alta competição para entrar obriga a altas notas a todas as disciplinas e dá vantagem aos alunos mais completos nas várias vertentes das áreas intelectuais (línguas, ciências, etc). A educação física aparece á parte mas também é verdadeiro o ditado mente sã em corpo são e portanto alguma vantagem adicional para o aluno verdadeiramente completo. Como se disse atrás, os alunos têm que se empanharem e aqueles que desejem mesmo e sejam fracos do ponto de vista desportivo dever-se-ão empenhar também nessa área e com certeza verão os seus esforços serem recompensados.
O facto de entrarem em medicina todos os que desejassem e cumprissem os tais 14 valores de nota mínima só obrigaria as universidades a uma completa reformulação. De resto, os alunos continuariam a ser seleccionados pela nota e aqueles que no secundário tinham as mais altas notas continuaram a tê-las superiores aos outros na universidade e portanto ao acesso seria exactamente para os mesmos.
8º -
Escrevi como o car**** e agora ninguém vai ler [
][
][
]