PeLeve
Well-known member
Sim, qual acham que é a mais assertiva designação (significado) para o termo e a sua corporização como opinião / ideia / correspondência com a verdade?
É que o termo vulgarizou-se (...) e bastas vezes até tem servido de (quase...) insulto, "fácil", para "empacotar", inferiorizar, tudo o que sejam opiniões, ideias, modos de vida diferentes não concordantes com algo ou com alguém, nos mais variados contextos...
Atentem nesta reflexão:
Fonte
Será que o termo ("facho") tem vindo a ser utilizado de forma irresponsável?... (Pergunto)
É que o termo vulgarizou-se (...) e bastas vezes até tem servido de (quase...) insulto, "fácil", para "empacotar", inferiorizar, tudo o que sejam opiniões, ideias, modos de vida diferentes não concordantes com algo ou com alguém, nos mais variados contextos...
Atentem nesta reflexão:
Tantas vezes chamas facho a quem não é, que há um dia em que o que era suposto ser ofensivo e desmobilizador passa a ser elogioso e incentivador. Quando o fascista vier, ninguém dará por ele nem tampouco acreditará que veio. Ao cabo de mais uns anos nesta pocilga em que o espaço público se tem vindo a tornar, o Triunfo será dos Porcos
Quando, em 1922, os fascistas marcharam sobre Roma, eram milhares, eram mesmo fascistas e o assunto era sério. Depois disso, a história é conhecida: o fascismo, não sem uma tragédia épica pelo caminho, acabou vencido. E a maior parte de nós, no Ocidente, com a vitória sobre o comunismo também, acreditou que tínhamos chegado ao fim da História.
Hoje, todavia, a fazer fé na berraria que por aí vai, os fachos estão de volta e em força: tudo justifica o epíteto de extremista e de facho. Em cada esquina onde não haja uma filia da moda, expressa e normalizada, há sempre quem descubra uma fobia reaça, sombria e marginal.
Exemplos?
Se és católico e não gostas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, és facho. Se te atreves a dizer que és a favor da família tradicional, és facho. Se te choca que as instituições europeias queiram, em Dezembro, substituir o “Natal” por “festividades” para não melindrar ateus e muçulmanos, és facho. Se não crês que o aborto seja um direito constitucional, mesmo que o admitas numa conjugação e num conflito de dois direitos (à vida e ao uso do corpo), és facho.
Se achas que a disforia de género é um assunto (também) do foro psiquiátrico e não uma escolha individual, és facho. Se achas que uma pessoa biológica e/ou geneticamente homem não deve concorrer em provas femininas onde essa circunstância é relevante, és facho. Se te recusas a dizer “pessoa que menstrua” para designar mulher, és facho.
Se ousas expressar um sentimento de insegurança quando à tua volta, na tua rua, no teu bairro, na tua cidade, no teu país, vês outras expressões culturais estranhas à tua matriz cultural cada vez mais presentes, cada vez mais expressivas, és facho. Se queres controlo de fronteiras no teu país, seja por razões culturais, seja por razões económicas, seja por razões de segurança, seja porque sim, és facho.
Se queres pagar menos impostos sobre o resultado do teu trabalho, és facho. Se queres deixar uma herança aos teus filhos, sem que o Estado se sente à mesa como se fosse ele próprio teu filho, és facho.
Se gostas mais da bandeira do teu país do que da bandeirola arco-íris LGBTQIA+não-sei-o-quê, e começas ficar farto de a ver pendurada em todas as fachadas e em todos os lugares por todos os motivos, és facho. Se gostas das tradições da tua terra, és facho.
Se não queres uma Palestina “do rio até ao mar”, e se consideras que Israel é o pináculo da civilização no Médio Oriente actual, és facho. Se abominas o comunismo em qualquer parte do mundo, és facho. Se desejas para a Venezuela, para Cuba, para a China, para a Coreia do Norte e para todos os países que vivem sob a pata de ditaduras facínoras, democracia e liberdade, e se essas ditaduras forem de esquerda, és facho. Se te enojam os Ayatollah e a polícia de costumes do regime iraniano, és facho. Se deploras os Taliban e a forma como tratam as mulheres, se és incapaz de um “segundo olhar” para com esses crápulas, és facho. Se te revolvem as tripas sempre que vês as Nações Unidas tratarem esta gente com adversativas mansas, és facho.
Se és irredutivelmente a favor da liberdade de expressão, e te apetece mandar bugiar todos os que te vêm exortar para teres “tento na língua”, és facho.
É claro que nada disto, expresso assim, tem a mais remota ligação com o fascismo; é claro que se tratam apenas de opiniões, percepções legítimas que, de per se, não são sequer excludentes; mas o que o status quo tem vindo a fazer, lançando anátema e tentando calar, é musculá-las pela necessidade de se fazerem ouvir e respeitar. Claro também é que, neste jogo de intolerância e reacção diariamente alimentado, se cada uma das pessoas apanhadas nesta voragem da “fascização” em marcha for facho, como os falsos profetas anunciam, uma certeza podemos ter: nunca, desde a Marcha sobre Roma, houve tantos fachos por aí como agora.
Os problemas daqui decorrentes são vários, mas destacaria três: a consequência da etiqueta, a história do Lobo e a tragédia do fim.
A consequência da etiqueta – os sociólogos explicam isto com a Labelling Theory – é que tantas vezes chamas facho a quem não é, ainda por cima por motivos que essa pessoa considera justos, que há um dia em que o que era suposto ser ofensivo e desmobilizador passa a ser elogioso e incentivador. A história do Lobo é que, como o Pedro descobriu da pior maneira, quando o fascista vier, ninguém dará por ele nem tampouco acreditará que veio. A tragédia do fim é que, ao cabo de mais uns anos nesta pocilga em que o espaço público se tem vindo a tornar, o Triunfo será dos Porcos; e a democracia acabará por soçobrar.
Aqui na caixa de comentários e algures nas redes sociais, Q.E.D., encarregar-se-ão de me mandar calar. E eis-nos chegados ao corolário do tempo presente: “A possibilidade de lutar com palavras, em vez de lutar com armas, constitui o fundamento da nossa civilização.” E o contrário desta afirmação de Popper é, como diria o Sr. De Lapalisse, precisamente o seu contrário.
Pedro Gomes Sanches escreve de acordo com a antiga ortografia
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Será que o termo ("facho") tem vindo a ser utilizado de forma irresponsável?... (Pergunto)