O que é uma boa poupança?

Aos 1200€ brutos somas cerca de 100€ líquidos de subsidio de alimentação (4,77€/dia).



O problema da função pública é precisamente a generalização de todo o sistema. Um funcionário, independentemente da carreira em que se insere, na Câmara Municipal de Lisboa ou do Porto sofre incomparavelmente mais pressões que um funcionário da Câmara Municipal de Coimbra ou Évora. A quantidade de trabalho existente num serviço e noutro é completamente diferente, por razões obvias. Em termos de responsabilidades, o seu trabalho e eventuais "erros" estão mais expostos do que numa qualquer Câmara mais pequena.
O problema é que os 1200€ brutos são oferecidos ao técnico superior que vai trabalhar para Lisboa, ou ao técnico superior que vai trabalhar para a Póvoa de Varzim.

A ADSE enquanto "ovo de ouro" é mais um mito que anda por aí. Primeiro, para o ter desconta-se 3,5% do salário mensalmente (às vezes acho que grande parte da população não tem esta noção e acha que é totalmente gratuito) e não falta pessoas que prescindem da mesma porque preferem ter um seguro mais vantajoso/barato no setor privado. Além do mais, hoje em dia existem muitas empresas que oferecem bons seguros de saúde, por vezes superiores aos benefícios da ADSE. Qualquer empresa que se preze que gosta de dizer que valoriza os seus recursos humanos hoje em dia faz isso.

O sistema de saúde da ADSE é vantajoso precisamente para quem tem filhos, tal como referiste, ou então caso exista uma fatalidade em termos de saúde ou se seja uma pessoa constantemente doente.
Em tempos comentou-se que o sistema poderia vir a ser aberto para toda a população (não sei se sempre irá/foi para a frente?) e pessoalmente gostava que isso acontecesse. Estou convencido que a maioria dos trabalhadores do setor privado na hora da verdade não optariam por este sistema e seria um flop.

Relativamente à referência ao nível de vida que fazes, é interessante. Concordo com o que dizes, mas cada vez mais o desfasamento entre os níveis de vida nas cidades do nosso Portugal faz com que isso não seja assim tão linear.
Hoje em dia no Porto já tens dificuldade em comprar T1 novos a menos de 150 mil euros. Um T2 e T3 medianos andam precisamente entre os 200 e 300k. Portanto esse "ambicionar" que referes em cidades como Lisboa, Porto ou até mesmo Braga/Coimbra muitas vezes significam habitações de nível médio para quem for casado e tiver 1 filho.
Desse modo, como podes ver, não é tão fácil com estes salários base de funcionários públicos de ter o que apelidas de "vida confortável" sem fazer muitas contas. Já lá vai o tempo em que um funcionário público era visto como alguém com um nível de vida médio/médio alto em alguns casos. Hoje em dia, com o salário mínimo a aumentar a olhos vistos e a aproximar-se do salário médio existente no país, quem aufere estes valores qualquer dia está a entrar no patamar da classe salarial média-baixa.



O aborrecimento e falta de desafios é relativo. Num serviço associado a uma cidade pequena do interior acredito que isso aconteça, mas em cidades de maior dimensão acredita que o que te mantém preso à função é precisamente o facto de conseguires sentir o pulso da cidade e saberes que estás a contribuir para o seu desenvolvimento. Consoante o local onde trabalhas esta noção poderá variar, mas por exemplo em serviços de uma câmara municipal vais estar sempre por dentro da dinâmica da cidade, o que abrange um conjunto de áreas e temáticas enorme. Quando trabalhas numa empresa, acabas por estar mais fechado para o "mundo" e somente conheces/dominas os produtos/serviços que a tua empresa promove.

O sistema de progressão nesta carreiras para mim é o seu maior defeito. Como referiste o salário até é atrativo para quem está a começar, mas depois disso será sempre uma travessia no deserto.
Resumidamente, para avançar para a posição seguinte vais necessitar de 10 pontos, o que na prática vão ser 10 anos de avaliações regulares/boas (cumpre as expectativas). Perguntas-te se não podes encurtar esse tempo com avaliações melhores? Podes, se excederes as expectativas (tiveres excelente) nas tuas avaliações. Mas esse tipo de notas, por causa do sistema de quotas, está reservado a uma pequena elite.

A melhor forma e única esperança para se progredir financeiramente é tentar alcançar os lugares de chefia e posteriormente de diretores, onde os salários não sendo nada de outro mundo (em comparação com o setor privado para as mesmas responsabilidades) já te permite um bom nível de vida. Não é algo fácil e são "7 cães a um osso", mas se fores intelectualmente competente e com boas capacidades de relação interpessoal, julgo que se consegue alcançar esses cargos




Atualmente, quem é licenciado entra diretamente para a 2º posição de técnico superior, não me recordo de ver em anúncios a 1º posição a ser aplicada. Não precisas de nenhum antecedente na função público se estivermos a falar de concursos externos.
Como falaste anteriormente de cursos de engenharia, realço no entanto que existe uma carreira paralela para quem possui graduação em informática (apelidados de "especialista de informática"), sendo os níveis salariais um pouco mais atrativos.

Quanto à frustração que referes sobre quem está nos escalões mais elevados, de facto existe e é uma realidade. A mesma só vai desaparecer com a entrada continua de novos recursos humanos para as bases e com a reforma dos mais antigos.
Para teres uma noção, não faltam recursos humanos por esse país fora na carreira de assistente operacional com vencimentos de 1150€, ou seja, o mesmo que um técnico superior que entrar hoje.
A diferença é que o assistente operacional, entre outras, pode ter funções de "paquete" ou simplesmente de fechar cartas para colocar no correio e um técnico superior possui tarefas técnicas e de responsabilidade elevada, ao nível que a sua licenciatura e/ou mestrado fazem supor.
Para piorar o cenário, são as típicas pessoas com parcos estudos que estão nos serviços há 30 ou 40 anos, já só pensam na reforma, em trabalhar o mínimo possível e não possuem qualquer brio profissional.

Parabéns pelo teu post.

Abrange perfeitamente muita da realidade da fp.
O tema de ordenados iguais para geografias diferentes é muito relevante na fp, sempre achei que um lugar de técnico superior ou acima numa instituição pública numa sede de distrito longe das duas grandes áreas metropolitanas proporcionaria um nível de vida muito superior, isto para não falar de outros cargos superiores como juizes, comandantes das autoridades, etc, mas embora a quantidade de trabalho seja menor quanto à responsabilidade não sei se concordo.
 
O que está errado nesse raciocínio é que quem ganha o salário minimo evita fazer seguros de saúde. Prefere apostar na "sorte" a ter uma despesa fixa desse género. Para quem possui orçamentos mensais e anuais tão limitados as prioridades não passam necessariamente por aí. Além do mais o contribuinte não gosta de ser "obrigado" a nada e mesmo quando se trata de algo facultativo mas que exige alguma contribuição monetária ao Estado e esforço financeiro existe uma enorme desconfiança e as pessoas retraiem-se.
O que descrevi anteriormente vem nos livros e quem já se debruçou um pouco em matérias de gestão pública sabe que os estudos indicam este tipo de comportamento por parte do cidadão.
Posto isto, na minha opinião, o cidadão com baixos salários não iria aderir e o cidadão de classe alta e com elevadas remunerações teria um leque de opções mais abrangente e competitivo no setor privado, ou no limite os seus bons empregos já inclui seguro de saúde. O problema do valor ser uma percentagem do salário é que nas situações em que o vencimento é baixo, o seguro torns-se barato, mas para os casos em que os salários são elevados o seguro sai caro.
A classe média e informada acredito que estivesse disponivel para aderir, mas como sabemos esta encontra-se aos poucos a desaparecer em Portugal.

Quero ainda realçar o que já referi nos meus posts anteriores, nomeadamente o facto de muitas empresas já incluírem seguros de saúde mesmo para os quadros médios (bancos, empresas de software, empresas de retalho, etc.). Não estamos a falar de seguros fracos ou com poucas coberturas, além do mais existe a possibilidade do trabalhador negociar com muito maior facilidade os seus beneficios. E já agora, no setor privado, quantos trabalhadores até não preferem prescindir desse mesmo seguro em prol de um ordenado superior? Pois... Eu conheço muitos casos desses!
Na administração pública o seguro não é um beneficio do colaborador. Pagas separadamente para o ter, e caso o recuses não recebes o valor do mesmo em extra, como acontece no privado. Independentemente da ADSE compensar ou não, trata-se aqui de uma filosofia diferente. A ADSE não é uma remuneração do trabalhador, é um serviço que está a ser pago pelo mesmo e se o sistema dá lucro ou não ou se a gestão do mesmo é danosa já é algo alheio ao cidadão e este não deve ser responsabilizado por isso. Apontarem o dedo aos funcionários públicos por estarem a ser clientes de um determinado serviço é somente ridiculo e digno de uma mentalidade pequena.



Tens uma visão bastante particular dos funcionários públicos e acho errado usares a tua experiência como uma generalização.
Conheço bem as duas realidades (setor privado e público) e tenho de discordar completamente dessa ideia que transmites. Não vou dizer que não existem pessoas como as que descreves (a tal visão mais antiga da FP) mas hoje em doa começam a escassear. Nos termos que colocas eu não conheço ninguém por exemplo.
A questão das cunhas infelizmente é igual no setor privado e no público. No momento em que existem seres humanos a tratarem de processos de recrutamento e seleção será inevitável. Vai do carácter e ética de cada um, desde os trabalhadores de base aos gestores de topo.
Relativamente ao horário para entrar e sair então era porque tinhas um horário rígido (das 9h às 18h por exemplo), o que é excelente, mas há muitos funcionários públicos que tem horário flexível que já não funciona assim e regra geral é propicio a realizar horas extras não remuneradas.

Percebo a tua visão, não vou negar que tenha existido no passado, mas hoje já não é tanto assim e não se pode generalizar. Também existem empresas privadas onde se pica o ponto e onde ainda não foi implementado esse sistema. Depende se estamos a falar de pequenas e médias empresas ou de multinacionais, tal como no setor público também existem serviços maiores e menores e melhor ou pior organizados.

Para terminar e uma vez que tentei sempre pautar as minhas exposições pela imparcialidade e factualidade, questiono somente se tens noção que existem diversos municipios a implementar filosofias kaizen e lean nos seus serviços com vista ao aumento da eficiência, produtividade e qualidade dos serviços que prestam. Estamos a falar de filosofias de trabalho ao nível do que de melhor se faz em termos de práticas de trabalho nas maiores e melhores empresas nacionais e internacionais. Uma Câmara Municipal do Porto, um Hospital de Santo António no Porto ou até uma Câmara Municipal de Cascais tem implementadas as mesmas práticas de trabalho que uma Corticeira Amorim ou um Grupo Sonae.
Aconselho a visitar o site do Kaizen Institute e verificar a secção dos prémio atribuídos e ficas a perceber um pouco daquilo a que me refiro.

Esta questão do público vs privado, tal como a vida, não é a preto e branco, mas sim a escala de cinza. Tem bons e maus exemplos, como em todo o lado.

1º BOLD, não li nada sobre o assunto mas é a ideia que tenho tb, o que nem critico atenção e se calhar no lugar dessas pessoas faria o mm. Aliás os seguros tb têm de dar lucro e para muitas pessoas tem de não compensar (embora haja tb o fator "dormir supostamente descansado") para "pagar os outros" e ainda dar lucro à seguradora que não é a santa casa.


2º BOLD: Obviamente cunhas há em todo o lado e não há muito a fazer sobre isso. O problema e a diferença é que quando há uma cunha para o público é uma cunha para a vida, para o bem dessa pessoa e, potencialmente, para o mal de colegas e todos os possíveis utentes/cidadãos etc. (consoante o serviço onde trabalhem).

Tb sei de gente com cunhas no privado e até podem não fazer nada (tb existe), mas além de aqui o contribuinte não ser indiretamente lesado, normalmente é "até ao dia" em que certas coisas se descobrem, e acabar no olho da rua acontece até a quem tem muito boas cunhas.

Já no público é virtualmente impossível despedir alguém por mais baixas fraudulentas que metam, birras, guerras nos serviços etc.


Isto não é nenhum ataque à FP, até pq continuo a achar que pessoas empenhadas na FP (que existem!) têm até mais valor que no privado pois no privado dificilmente alguém "goes the extra mile" sem algum interesse (legítimo atenção!) e no público há bastantes casos de gente que se empenha mais que o colega do lado que pouco faz e no fim do dia recebem o mm.
 
Não concordo, mas está bem defendido.

De realçar que o número de funcionários públicos que abdicou da ADSE é uma migalha e ao contrário do que tentas defender, não são os com menor salário que saíram para ter mais valor líquido por mês.

"Entre 2012 e 2015, a ADSE assistiu à saída de quase 2800 destas pessoas e, numa auditoria ao subsistema de proteção na doença da função pública, o Tribunal de Contas chamava a atenção para o facto de entre as saídas estarem trabalhadores com remunerações mais elevadas" In https://www.dinheirovivo.pt/economia/beneficiarios-que-sairam-podem-voltar-a-adse/

Pode-se achar que as pessoas são "burras" e por ganharem o salário mínimo não vão aderir para ganharem mais ao final do mês. Mas a vantagem da ADSE é ter já uma "marca" utilizada e difundida por todo o território nacional. Existe sempre um tio ou primo que tem ADSE e conta como funciona, ao contrário de outros seguros de saúde, mais dispersos e menos usados.

É que as questões de seguros de saúde não são fáceis e a questão da divulgação da informação e qualidade dela é muito importante.

O grande problema é a quase inevitabilidade da descida de qualidade da ADSE se toda a população portuguesa tiver possibilidade de aderir.

Em relação aos seguros em empresas privadas ainda são uma gota de água num oceano.
 
Mete lá novamente o tópico no trilho, que isto vinha perdendo o rumo.:)

Não sei se com vocês é igual, mas eu de Agosto para a frente em poupança é uma miséria.[:D]

Por falar nisso, dentro de dias nasce o rapaz, vamos lá ver como é depois a poupança.

O fundo onde ele tem o dinheiro vai com uma valorização jeitosa. CGD Líderes Globais.
 
Não sei se com vocês é igual, mas eu de Agosto para a frente em poupança é uma miséria.[:D]

Por falar nisso, dentro de dias nasce o rapaz, vamos lá ver como é depois a poupança.

O fundo onde ele tem o dinheiro vai com uma valorização jeitosa. CGD Líderes Globais.

Sim de Agosto em diante já é mais fraco porque também já passou mais de metade do ano e entra menos €.

Aqui em relação às miúdas mantém-se a evolução do "planeado" de 1K por ano para cada.
11 anos ->11K
7 anos -> 7K
 
Sim de Agosto em diante já é mais fraco porque também já passou mais de metade do ano e entra menos €.

Aqui em relação às miúdas mantém-se a evolução do "planeado" de 1K por ano para cada.
11 anos ->11K
7 anos -> 7K

O meu é mais ou menos isso também.
Contudo comecei antes de nascer.

Poupança efectiva 900€, valor actual 982€.

Portanto 82€ até ao momento em juros desde Janeiro.
 
Sim de Agosto em diante já é mais fraco porque também já passou mais de metade do ano e entra menos €.

Aqui em relação às miúdas mantém-se a evolução do "planeado" de 1K por ano para cada.
11 anos ->11K
7 anos -> 7K

É uma equação bastante interessante de facto. As prendas (monetárias) que elas receberam quando eram mais pequenas vão para esse bolo?
 
Ena, quão técnico ficou este tópico.[:D]

Eu estou em Poupança técnica.
Ou seja, tecnicamente podia poupar mas... ando a gastar demais.[:D]

Em tempo de vacas gordas a tendência é gastar mais, até pq mtos produtos são mais caros (carros anyone?![:D])

Mas eu pelo menos aproveito para (tentar) poupar mais.

Actualmente 80% da poupança vai para amortizar a casa.
 
Gavela,

Aqui uma simulação com cerca de 5/10% rentabilidade anual, reforços de 50€ mensais.

Interessante[kiss]

Screenshot_20180819-120759.png


Não aparece na imagem, mas é a 18 anos.
 
Última edição:
Em tempo de vacas gordas a tendência é gastar mais, até pq mtos produtos são mais caros (carros anyone?![:D])

Mas eu pelo menos aproveito para (tentar) poupar mais.

Actualmente 80% da poupança vai para amortizar a casa.

A casa não me chateia, honestamente.

Juros baixos, prestação a rondar os 200€.
Boa localização, recente, e apesar de ser T2 para nós chega.

Por outro lado, o valor que tenho em recheio por si só já supera o valor em dívida.

Por outro lado, mais 2/3 anos e tenho o equivalente em cash para me livrar do crédito quando quiser.

Por outro lado, valorizou quase 60% desde que a comprei, o que, é uma espécie de poupança invisível.

Tudo o resto tenho pago.[;)]
 
Sim de Agosto em diante já é mais fraco porque também já passou mais de metade do ano e entra menos €.

Aqui em relação às miúdas mantém-se a evolução do "planeado" de 1K por ano para cada.
11 anos ->11K
7 anos -> 7K
O meu tb é mais ou menos isso, 2 anos e meio e vai com 3.5k, mas nem 3k coloquei, o resto é a valorização do fundo
 
Coloco lá tds os € que ele recebe e ainda mais algum meu, quando faço o balanço da conta à ordem no início do ano...
O fundo dele é fácil reforçar, pois tem up baixo...
Fazes reforços regulares? Como geres essa poupança?

Estou um pouco confuso em relação a prendas quede deem ao rapaz.
Talvez uma conta só das prendas?:confused:
 
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