O que é uma boa poupança?

Não é rregra é excepção. Precisas de trabalhar 360 dias nos últimos 24 meses.

Ora para um professor que todos os anos fique sem trabalho em julho e agosto isso significam que só no primeiro ano não terá subsídio de desemprego.

Sim, temos direito ao subsídio de desemprego todos os anos, dado que trabalhamos o número de dias suficientes para garantir o subsídio de desemprego.
Já confrontamos a direcção da empresa que nos contrata e a resposta é aquela de quem tem o queijo e a faca na mão: "Quem não quiser, sabe onde é a porta".
Gostaria, por acaso, de me informar se este procedimento de contratar um grupo de pessoas, dispensar e voltar a contratar é algo legal. Eles regem-se pela desculpa de que é um contrato dado as necessidades laborais.
 
Ora explica lá isso

É o chamado Paradoxo da Poupança, que faz parte da teoria geral da poupança postulada por Keynes e que tem verificação empírica.
Se as pessoas começarem a poupar mais então vão consumir menos. Ao consumir menos estão a reduzir as receitas das empresas que vendem bens e serviços de consumo que eventualmente terão que ajustar a sua oferta à baixa da procura reduzindo as compras de matérias primas, fornecimentos de serviços e consumos intermédios e numero de trabalhadores. Este efeito segue em cadeia pela economia toda indo afectar aqueles que começaram por poupar mais porque vão ser prejudicados ou com menores salarios ou com menos rendimentos se forem empresarios e eventualmente até desemprego, tendo assim necessidade de poupar menos ou nada.
O paradoxo da poupança demonstra que há um nivel optimo de poupança que permite fazer a sua captação para fazer investimento mas acima desse nivel a poupança é prejudicial à economia porque apesar de haver recursos disponíveis ninguém porque ninguém aumenta o consumo.
 
É o chamado Paradoxo da Poupança, que faz parte da teoria geral da poupança postulada por Keynes e que tem verificação empírica.
Se as pessoas começarem a poupar mais então vão consumir menos. Ao consumir menos estão a reduzir as receitas das empresas que vendem bens e serviços de consumo que eventualmente terão que ajustar a sua oferta à baixa da procura reduzindo as compras de matérias primas, fornecimentos de serviços e consumos intermédios e numero de trabalhadores. Este efeito segue em cadeia pela economia toda indo afectar aqueles que começaram por poupar mais porque vão ser prejudicados ou com menores salarios ou com menos rendimentos se forem empresarios e eventualmente até desemprego, tendo assim necessidade de poupar menos ou nada.
O paradoxo da poupança demonstra que há um nivel optimo de poupança que permite fazer a sua captação para fazer investimento mas acima desse nivel a poupança é prejudicial à economia porque apesar de haver recursos disponíveis ninguém porque ninguém aumenta o consumo.


Bastaria reverter um aspecto: melhores salários, maior poder de compra, maior poder de investimento e a economia a funcionar de forma mais fluída.
 
Mas é que eles estão mesmo, mesmo aí ao virar da esquina. Daqueles que permitem um mínimo de sustento com contrato, com trabalho todo o ano, com subsídios completos, etc.

Sem fazer um julgamento de valor, porque não conheço o user nem sei os motivos deste.
Trabalhar nas aec's não é trabalho com futuro para ninguém, só que trabalhar 2 ou 3h ou 4h por dia continua a ser muito motivador para muita gente.
Passar a trabalhar 8h por dia as vezes é complicado.

Sim imagino... aqueles que devem ser uma óbvia exploração, de tal forma que há sempre vagas pois há sempre pessoal a fugir de lá assim que pode.

edit:

Obviamente também não sou apologista de trabalhar horários reduzidos, se claramente não suprem as necessidades económicas.
 
Última edição:
Bastaria reverter um aspecto: melhores salários, maior poder de compra, maior poder de investimento e a economia a funcionar de forma mais fluída.

Isso não interessa às diversas "elites", pois começaria a haver mais concorrência ao seu ganha-pão, e mais população com capacidade de adquirir mais recursos (que não são facilmente acessíveis a toda a gente).
 
Bastaria reverter um aspecto: melhores salários, maior poder de compra, maior poder de investimento e a economia a funcionar de forma mais fluída.

Os salários nunca são causa de nada mas sim consequência. Um salário é um preço. É o preço do trabalho. O preço forma-se em situação de equilíbrio oferta/procura ainda que com eventuais distorções artificiais justificadas como por exemplo a existência de um salário mínimo. Aumentar salários por decreto só gera inflação.
 
É o chamado Paradoxo da Poupança, que faz parte da teoria geral da poupança postulada por Keynes e que tem verificação empírica.
Se as pessoas começarem a poupar mais então vão consumir menos. Ao consumir menos estão a reduzir as receitas das empresas que vendem bens e serviços de consumo que eventualmente terão que ajustar a sua oferta à baixa da procura reduzindo as compras de matérias primas, fornecimentos de serviços e consumos intermédios e numero de trabalhadores. Este efeito segue em cadeia pela economia toda indo afectar aqueles que começaram por poupar mais porque vão ser prejudicados ou com menores salarios ou com menos rendimentos se forem empresarios e eventualmente até desemprego, tendo assim necessidade de poupar menos ou nada.
O paradoxo da poupança demonstra que há um nivel optimo de poupança que permite fazer a sua captação para fazer investimento mas acima desse nivel a poupança é prejudicial à economia porque apesar de haver recursos disponíveis ninguém porque ninguém aumenta o consumo.

A poupança em Portugal está em níveis estupidamente baixos. Quem nos dera ter o problema de ter muita gente a poupar dinheiro. É tipo a inflação, muita é má, mas a deflação ainda é pior. Anos e anos a despejar dinheiro do BCE e a poupança é o que se vê
 
A poupança em Portugal está em níveis estupidamente baixos. Quem nos dera ter o problema de ter muita gente a poupar dinheiro. É tipo a inflação, muita é má, mas a deflação ainda é pior. Anos e anos a despejar dinheiro do BCE e a poupança é o que se vê

Para quem recebe o ordenado mínimo mal sobrevive quanto mais poupar :sh)

Temos um ordenado mínimo miserável, e os impostos,rendas, despesas dia-a-dia continuam a aumentar...
 
Isso não interessa às diversas "elites", pois começaria a haver mais concorrência ao seu ganha-pão, e mais população com capacidade de adquirir mais recursos (que não são facilmente acessíveis a toda a gente).

Isso não interessa nada. Um comprador seja do que for tenta pagar sempre o mínimo possível por aquilo que compra. É assim que funciona. Aqui e em todo o lado. Um empregador, que é um comprador de trabalho entre outras coisas, só vai pagar mais pelo trabalho se tiver que competir por esse trabalho, ou seja se o trabalho que ele procura tem muito valor no mercado. Tudo o resto que se diga à volta disto é muito bonito e digno mas é lirismo.
 
E a questão das AEC's é um fundamento com peso, certo, no entanto, faço aquilo para o que me formei e aquilo que para que me preparei. Uma mudança iria custar bastante, não obstante se tivesse melhores condições, seria muito bem ponderada. Trabalhei 3 Verões seguidos com 13, 14 e 15 anos para comprar algumas coisas que queria e não queria pedir aos meus pais. Entrei na universidade com 18 anos, trabalhei enquanto lá andava como sapateiro/chaveiro.
Dos 4 anos de licenciatura, no 4º apresentaram-me a proposta de 9 horas semanais de horário que passaram a 11 + as horas da licenciatura. Nessa altura, já tinha banda, já fazia quase todos os fins de semana concertos. Aí, no entanto, era bastante "parvo", e gastou-se em carros, para ficarem mais bonitos, mais novos, etc... hoje, claro que tinha poupado uns milhares. O investimento em som, luz e instrumentos musicais também foi avultado. Deu para ir compensando algumas despesas, para ganhar algum que se foi usando ao longo destes anos, para mobilar a casa, electrodomésticos, antes disso, pagar o casamento, etc.
Trabalhei o primeiro ano a recibos verdes com um horário de 15 horas semanais a ter de fazer deslocações de 50+50 km's por dia.
No ano seguinte, consegui um horário de 21 horas na minha cidade (Póvoa de Varzim) com um salário de 1200€.
3 anos a contrato, com horários de 21, 19 e 20h. Findos os 3 anos, perceberam que se nos renovassem o contrato teríamos de ficar efectivos na empresa e foi aí que as coisas descarrilaram. No ano seguinte o horário foi de 15 horas até que houve 2 anos com horários de 7 e 8 horas semanais. Aí, trabalhei numa imobiliária e estava a trabalhar com 3 projectos musicais diferentes, por forma a compensar.
Os horários melhoraram ligeiramente, mas começou a ser sempre trabalho de meio de Setembro a final de Junho. Entre estes 2 anos mais complicados, a minha esposa teve de ser operada e ficou meses em casa. No ano seguinte parti o perónio, uma lesão relativamente grave que me impediu de trabalhar durante mais de ano e meio e que me consumiu bastante dinheiro, com as despesas que existiam e medicação constante para resolver isto.
Entre alguns problemas de saúde familiares, ficar perto dos meus pais (o meu pai faleceu no ano passado com um cancro fulminante), a minha mãe também teve de retirar o útero há coisa de 4 anos... foi uma avalanche de aspectos menos bons que todos juntos fizeram chegar à condição actual.

Com outros aspectos pelo meio: falta de grande preocupação nestas questões, sobretudo porque não gosto de trabalhar com números, confesso. A matemática nunca foi o meu forte. Quando me meti no empréstimo também desconhecia grande parte dos aspectos que só fui descobrindo, sobretudo, pelo que fui aprendendo na imobiliária.
Entretanto, fui juntando 2+2 com esta questão dos juros, dos spreads, das taxas de juro mundiais, das euribor, do que foi realmente a crise económica e a perspectiva de que, pela lógica, brevemente, irá haver um aumento de juros que irão prejudicar quem vive no limite ou perto disso.

Eu não vivo no limite. É preciso enquadrar e vai-se deixando muita conversa para trás no meio de tantos "posts" e muito do que digo aqui já disse atrás e não queria, na verdade, ter entrado por aspectos tão pessoais, mas depois começam as análises com todos os dados e torna-se difícil enquadrar a "big picture".

Há duas semanas, numa reunião de condomínio, falou-se da necessidade de cada morador gastar 5000€ (perto disso). Claro que me devia ter salvaguardado.
Claro que tenho algum dinheiro de lado. Não é muito. Não é suficiente para dizer: vou investir isto e daqui a um ano receber 150 ou 200€. E correndo o risco de ficar sem o pouco que se tem ou se sabe onde se investir com perspectiva quase segura de rendimento ou mais vale não o fazer.

A nível de poupança, lá está, estou a ponderar o futuro e se daqui a 10/20 anos, com aumento dos juros, custo de vida, será que as condições de vida melhoraram? Será que tenho força e energia para andar a fazer extras fora do horário laboral e aos fins de semana?
Trabalhar não é o que me mete medo. Por vezes é mais fácil o trabalho físico (não estando aqui a desvalorizar nenhum, todos os trabalhos têm a sua dificuldade)... quando estava na imobiliária, só o facto de conviver com pessoas, de poder falar, de se ir tomar um café, de visitar espaços diferentes, já faziam com que as horas passassem bem mais rápido do que às vezes 30 minutos dentro de uma sala de aula.
Tenho um filho de 2 anos e 5 meses. Vem aí a época de infantário, depois escola e despesas inerentes e tudo o que se segue.
Pensado que, estando as taxas negativas, qual será o valor em que 300€ se vão transformar daqui a uns tempos?
 
Sim, sou professor de AEC's, mas sempre tive horário desde que me formei (aliás, já dava aulas no meu último ano de licenciatura). Felizmente também, tive horários quase sempre razoáveis, que não justificavam procurar colocação para ter de gastar 200€ em transportes e mais 300€ para alugar um quarto. Permite-me também equilibrar com as restantes actividades que tenho, dando aulas numa escola de música ainda dentro da minha localidade, dando aulas de piano em casa a um ou outro aluno, manter o meu projecto musical.
Houve uma altura mais complicada, si, durante 2 anos, em que os horários foram absurdos, sendo que aí, arranjei um part-time numa imobiliária daqui da zona. Não serviu para muito, mas tive ganhos idênticos a 5 meses de trabalho nas AEC's, o que "compensou" o horário mais pequeno.
Neste momento, não dispomos de estabilidade e garantias, mas os horários têm-se mantido para oferecer valores mínimos que se compensam com as restantes tarefas. O mais preocupante são mesmo esses 2 meses referidos. Pelo menos, tem existido uma perspectiva de conseguir mais alunos na escola onde estou a dar aulas de instrumento e angariei mais alguns alunos em casa... era algo que já não fazia há uns anos mas, dado que surgiu a oportunidade, porque não?

Philipric, eu entendo o teu estado de espírito, não ter vaga no ensino oficial é frustrante, as AEC's são como uma tábua de salvação para seres aquilo que sonhaste/estudaste, e vai servindo no início para ganhar algum e para preencher aquele lugar da frustração de não conseguir emprego na área, pelo menos respondes como professor nos formulários que pedem profissão. Infelizmente, trabalhar nas AEC's é altamente destabilizador, até compreendo melhor as tuas mensagens agora. É altamente precário, não tem margem de evolução, vcs sabem que nunca vão entrar para os quadros, sabem que nunca vão ter um horário completo, sabem que vão sempre ser mal pagos, sabem que num ano ganham 500€ e no próximo podem ganhar 300€ e nunca sabem se no ano seguinte têm trabalho pois a disciplina até pode acabar nas AEC's. isto é altamente desmotivador. Infelizmente as AEC's são isto e não vão mudar.

Na minha modesta opinião, estás numa fase que ainda não percebeste que estás, precisas de ter a coragem de mudar, de ramo se for necessário, ou a tua vida nunca terá estabilidade desta forma.
 
Já por aqui andaram a comentar, que é super fácil poupar, e que é preciso sacrifícios e tal, mas há pessoas, que por mais sacrifícios façam não conseguem poupar!

E hoje entendo bem essa realidade! Uma coisa é quando vivemos em casa dos pais! Só não poupa quem não quer! Há dinheiro para tudo e mais alguma coisa.
Quando nos casamos ou juntamos, passam a ser dois, a gastar, a ter que sustentar despesas da casa, mas que salvo algumas exceções, só não poupa quem não quer.
Mas quando vêm um filho, mudam as realidades todas! Nós como pais, para os nosso filhos, queremos sempre o melhor, alienado ao facto de estarem em constante crescimento, de precisarem constantemente de novas coisas, porque ou deixam de servir ou são mesmo precisas, e juntando ainda ao facto de hoje em dia, se uns pais não dão aquela coisa que está na moda as crianças terem, são logo apelidados de maus pais e negligentes, toda essa ideia de poupança vai pelo ralo da sanita abaixo!

Compreendo bem a frustração do phillipric, porque entre aspas estou na mesma situação em que por muito que tente, as despesas são demasiadas e o income é demasiado baixo, e aquilo que tínhamos a cortar, já foi cortado! Felizmente já arranjei solução, que irá atenuar tudo isso![kiss]
 
Última edição:
Isso não interessa nada. Um comprador seja do que for tenta pagar sempre o mínimo possível por aquilo que compra. É assim que funciona. Aqui e em todo o lado. Um empregador, que é um comprador de trabalho entre outras coisas, só vai pagar mais pelo trabalho se tiver que competir por esse trabalho, ou seja se o trabalho que ele procura tem muito valor no mercado. Tudo o resto que se diga à volta disto é muito bonito e digno mas é lirismo.

Não, não é bonito, nem é digno, nem lirismo... acho é que isso é tentar pôr palas nos olhos das pessoas.

Porque um patrão, sabe bem que se der "demasiada" margem económica aos seus trabalhadores mais experientes, um dia estes podem pegar nessas poupanças e abrir negócio no mesmo ramo... tornando-se obviamente numa concorrência indesejada.

Ou vais-me dizer que nunca se viu tal coisa ? [:cool:]
Só para dar uma razão, entre outras.
 
E a questão das AEC's é um fundamento com peso, certo, no entanto, faço aquilo para o que me formei e aquilo que para que me preparei. Uma mudança iria custar bastante, não obstante se tivesse melhores condições, seria muito bem ponderada. Trabalhei 3 Verões seguidos com 13, 14 e 15 anos para comprar algumas coisas que queria e não queria pedir aos meus pais. Entrei na universidade com 18 anos, trabalhei enquanto lá andava como sapateiro/chaveiro.
Dos 4 anos de licenciatura, no 4º apresentaram-me a proposta de 9 horas semanais de horário que passaram a 11 + as horas da licenciatura. Nessa altura, já tinha banda, já fazia quase todos os fins de semana concertos. Aí, no entanto, era bastante "parvo", e gastou-se em carros, para ficarem mais bonitos, mais novos, etc... hoje, claro que tinha poupado uns milhares. O investimento em som, luz e instrumentos musicais também foi avultado. Deu para ir compensando algumas despesas, para ganhar algum que se foi usando ao longo destes anos, para mobilar a casa, electrodomésticos, antes disso, pagar o casamento, etc.
Trabalhei o primeiro ano a recibos verdes com um horário de 15 horas semanais a ter de fazer deslocações de 50+50 km's por dia.
No ano seguinte, consegui um horário de 21 horas na minha cidade (Póvoa de Varzim) com um salário de 1200€.
3 anos a contrato, com horários de 21, 19 e 20h. Findos os 3 anos, perceberam que se nos renovassem o contrato teríamos de ficar efectivos na empresa e foi aí que as coisas descarrilaram. No ano seguinte o horário foi de 15 horas até que houve 2 anos com horários de 7 e 8 horas semanais. Aí, trabalhei numa imobiliária e estava a trabalhar com 3 projectos musicais diferentes, por forma a compensar.
Os horários melhoraram ligeiramente, mas começou a ser sempre trabalho de meio de Setembro a final de Junho. Entre estes 2 anos mais complicados, a minha esposa teve de ser operada e ficou meses em casa. No ano seguinte parti o perónio, uma lesão relativamente grave que me impediu de trabalhar durante mais de ano e meio e que me consumiu bastante dinheiro, com as despesas que existiam e medicação constante para resolver isto.
Entre alguns problemas de saúde familiares, ficar perto dos meus pais (o meu pai faleceu no ano passado com um cancro fulminante), a minha mãe também teve de retirar o útero há coisa de 4 anos... foi uma avalanche de aspectos menos bons que todos juntos fizeram chegar à condição actual.

Com outros aspectos pelo meio: falta de grande preocupação nestas questões, sobretudo porque não gosto de trabalhar com números, confesso. A matemática nunca foi o meu forte. Quando me meti no empréstimo também desconhecia grande parte dos aspectos que só fui descobrindo, sobretudo, pelo que fui aprendendo na imobiliária.
Entretanto, fui juntando 2+2 com esta questão dos juros, dos spreads, das taxas de juro mundiais, das euribor, do que foi realmente a crise económica e a perspectiva de que, pela lógica, brevemente, irá haver um aumento de juros que irão prejudicar quem vive no limite ou perto disso.

Eu não vivo no limite. É preciso enquadrar e vai-se deixando muita conversa para trás no meio de tantos "posts" e muito do que digo aqui já disse atrás e não queria, na verdade, ter entrado por aspectos tão pessoais, mas depois começam as análises com todos os dados e torna-se difícil enquadrar a "big picture".

Há duas semanas, numa reunião de condomínio, falou-se da necessidade de cada morador gastar 5000€ (perto disso). Claro que me devia ter salvaguardado.
Claro que tenho algum dinheiro de lado. Não é muito. Não é suficiente para dizer: vou investir isto e daqui a um ano receber 150 ou 200€. E correndo o risco de ficar sem o pouco que se tem ou se sabe onde se investir com perspectiva quase segura de rendimento ou mais vale não o fazer.

A nível de poupança, lá está, estou a ponderar o futuro e se daqui a 10/20 anos, com aumento dos juros, custo de vida, será que as condições de vida melhoraram? Será que tenho força e energia para andar a fazer extras fora do horário laboral e aos fins de semana?
Trabalhar não é o que me mete medo. Por vezes é mais fácil o trabalho físico (não estando aqui a desvalorizar nenhum, todos os trabalhos têm a sua dificuldade)... quando estava na imobiliária, só o facto de conviver com pessoas, de poder falar, de se ir tomar um café, de visitar espaços diferentes, já faziam com que as horas passassem bem mais rápido do que às vezes 30 minutos dentro de uma sala de aula.
Tenho um filho de 2 anos e 5 meses. Vem aí a época de infantário, depois escola e despesas inerentes e tudo o que se segue.
Pensado que, estando as taxas negativas, qual será o valor em que 300€ se vão transformar daqui a uns tempos?


Escrevi o meu post anterior sem ler isto, não errei nada (infelizmente).
Estás no lugar que muitos já estiveram, com vinte e poucos anos as AEC's é como um cargo de CEO, vcs são professores para todos os efeitos, e essa satisfação chega para esquecer os 400/500€ e às vezes menos.
Quando se entra nos 30's e se casa e tem filhos e contas a coisa cai-vos em cima como um camião cisterna. Aquilo é mais precário e perigoso para se viver do que tocar nas ruas de uma grande cidade.
Tens de tomar uma decisão sem olhar para trás, mudar e começar de novo em alguma coisa que tenha pelo menos segurança laboral, vais ver que ao fim de um ano vais-te perguntar porque raio não te afastaste mais cedo.
 
Não, não é bonito, nem é digno, nem lirismo... acho é que isso é tentar pôr palas nos olhos das pessoas.

Porque um patrão, sabe bem que se der "demasiada" margem económica aos seus trabalhadores mais experientes, um dia estes podem pegar nessas poupanças e abrir negócio no mesmo ramo... tornando-se obviamente numa concorrência indesejada.

Ou vais-me dizer que nunca se viu tal coisa ? [:cool:]
Só para dar uma razão, entre outras.

Imagine que gosta muito dos pastéis de nata de uma certa pastelaria e vai lá sempre. Os pastéis custam 80 cêntimos cada um e voçê paga com gosto. No fundo iria lá na mesma mesmo que custassem 1 euro mesmo 1,2 euros. Mas você não se oferece para pagar 1 euros pelos pastéis, pois não? Cala-se caladinho e vai comendo pastéis a 80 cêntimos, reservando para si o excedente. Por que razão há-de esperar um comportamento diferente de outra pessoa seja ela empresária ou o que for?
 
Já por aqui andaram a comentar, que é super fácil poupar, e que é preciso sacrifícios e tal, mas há pessoas, que por mais sacrifícios façam não conseguem poupar!

E hoje entendo bem essa realidade! Uma coisa é quando vivemos em casa dos pais! Só não poupa quem não quer! Há dinheiro para tudo e mais alguma coisa.
Quando nos casamos ou juntamos, passam a ser dois, a gastar, a ter que sustentar despesas da casa, mas que salvo algumas exceções, só não poupa quem não quer.
Mas quando vêm um filho, mudam as realidades todas! Nós como pais, para os nosso filhos, queremos sempre o melhor, alienado ao facto de estarem em constante crescimento, de precisarem constantemente de novas coisas, porque ou deixam de servir ou são mesmo precisas, e juntando ainda ao facto de hoje em dia, se uns pais não dão aquela coisa que está na moda as crianças terem, são logo apelidados de maus pais e negligentes, toda essa ideia de poupança vai pelo ralo da sanita abaixo!

Compreendo bem a frustração do phillipric, porque entre aspas estou na mesma situação em que por muito que tente, as despesas são demasiadas e o income é demasiado baixo, e aquilo que tínhamos a cortar, já foi cortado! Felizmente já arranjei solução, que irá atenuar tudo isso![kiss]

Compreendo-te bem.

Isso de avaliarem os pais por comprarem menos ou mais bens materiais aos filhos é verdade infelizmente.Mas também já reparei que tipicamente quem faz mais isso, é a própria família... gente a quem se dá margem para meter o bedelho na nossa vida, pois é.

Isso e outro costume que observei (e também fui culpado)... no passado quando ainda não era pai e tinha outras 'folgas', um gajo ainda tinha os seus 20 e tais e muita ingenuidade :

O costume de oferecermos prendas caras a praticamente toda a gente no Natal, que no fundo sabemos que funcionava também como demonstração de status social, e quando tudo é novidade e queremos impressionar os outros, faz maravilhas pelo nosso ego...
(Se o @obtuso ler isto, diz logo: "erro crasso menino, ainda andavas a dormir para vida".)

Por acaso eu e a minha companheira falámos recentemente sobre estes aspectos, e com toda a sinceridade e até porque hoje temos mais encargos, transmiti-lhe que estou fora do jogo de "aparências" e merd4s que tais, principalmente com "familiares" que nunca souberam valorizar a boa vontade.

O dinheiro não me cai do céu portanto primeiro estou eu, ponto final.
 
Eu gostava era de saber que rendimentos "extras" é que vocês fazem com aquilo que poupam, em que é que investem? Se tivessem 10mil€parados investiam no quê? Eu ganho mil € liquidos e sem poupar nada de jeito, indo onde me apetece e com compras muitas vezes estupidas e irracionais juntei 10mil€ em ano e meio. Vivo em casa dos meus pais, sem despesas. Mas não faço ideia de como aumentar o profit, em que é que vou investir o dinheiro que poupo. Se puderem dar dicas [;)]
 
Escrevi o meu post anterior sem ler isto, não errei nada (infelizmente).
Estás no lugar que muitos já estiveram, com vinte e poucos anos as AEC's é como um cargo de CEO, vcs são professores para todos os efeitos, e essa satisfação chega para esquecer os 400/500€ e às vezes menos.
Quando se entra nos 30's e se casa e tem filhos e contas a coisa cai-vos em cima como um camião cisterna. Aquilo é mais precário e perigoso para se viver do que tocar nas ruas de uma grande cidade.
Tens de tomar uma decisão sem olhar para trás, mudar e começar de novo em alguma coisa que tenha pelo menos segurança laboral, vais ver que ao fim de um ano vais-te perguntar porque raio não te afastaste mais cedo.

Passo a vida nessa batalha interior. Mudar de casa parece-me um passo não inteligente. Não foi uma casa cara na altura, para a realidade, muito menos na realidade actual. A mensalidade não é nada de extraordinário. Nem os meus gastos. É efectivamente, o que referes, o rendimento. Claro que juntando o rendimento da minha profissão mais o rendimento extra de trabalhar numa escola de música, mais um aqui e ali, vai dando para "enganar". O ano passado tomei a decisão de deixar um projecto musical que tinha. De música de baile. Nunca foi a área que me fascinou, mas dava para ganhar algum rendimento extra, sobretudo de verão. Vários problemas: a paixão sobrepõe-se à razão e vai-se investindo aqui e ali e eu ainda fui sendo muito controlado. Ainda hoje uso um teclado que comprei há quase 10 anos, que me custou 400€ quando já tive colegas a gastarem 2 e 3 vezes, à volta de 3000€. E não faço menos do que eles, muitas vezes, pelo contrário. Mas chateei-me porque a área está completamente desvalorizada, começou-se a pagar muito mal, os DJ's invadiram esse espaço e as pessoas não entendem a diferença entre valorizar um talento (quando o há, também há muita malta que não sabe tocar 2 notas seguidas e engana o pessoal com gravações/midis). Por outro lado, tinha passado o projecto de Duo para Banda e havia pessoal que eu já andava a carregar às costas em vez de se ajudarem todos mutuamente.
Agora estou num projecto que é o que me satisfaz e onde todos estão a investir de igual forma. Só que foi começar tudo de novo e para já, em termos de concertos, reduziu para cerca de 20% daquilo que fazia.

Por outro lado, custa-me encontrar algo que ao mesmo tempo me agrade e que eu consiga valorizar. Como já disse em cima, já fiz de tudo um pouco e, embora o trabalho de professor, na sociedade actual, seja o que toda a gente já vai percebendo que é, ainda assim, há dias de imensa valorização pessoal. Nem tanto do empregador, mas começa a ser crónico e transversal aos vários empregos que existem.
Neste momento se, em vez de dizer: "tenho de mudar de emprego", acontecesse "perdi o emprego", acho que ficaria inicialmente como burro na ponte sem saber para onde ir. Bem como estabilidade laboral é, cada vez mais, uma utopia.
Agora sim,tudo o que rodeia os meus ganhos é altamente instável: AEC's, escola de música (tanto pode crescer, trazer mais alunos, como reduzir ao número de alunos), concertos, podem aparecer muitos ou nenhum, nunca são rendimentos fixos e com um desses é preciso ter a segurança de contar sempre.
 
Não é rregra é excepção. Precisas de trabalhar 360 dias nos últimos 24 meses.

Ora para um professor que todos os anos fique sem trabalho em julho e agosto isso significam que só no primeiro ano não terá subsídio de desemprego.

Sim, mas também não deves saber que agora há situações em que um professor se tiver meio horário, para a SS só desconta meio ano.

O que significa que só ao fim de 2 anos tem o equivalente a trabalhar 1 ano.

Mas se não tiver trabalho em julho e agosto, nem ao fim de 2 anos tem o subsídio de desemprego.
 
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