A Volvo aderiu a um dos últimos gritos de tecnologia e que até já se tornou moda: os motores bi-turbo. Para se estrear nestas andanças, o sorteado da casa Sueca foi o seu cinco cilindros Diesel. Ao 2,4 litros, foram adicionados, agora, dois turbos em sequência, de diferentes tamanhos e que funcionam tal e qual como na maior parte dos casos de dupla sobrealimentação já existentes. Um turbo mais pequeno ajuda os cinco cilindros nas baixas rotações e o maior cobre os altos regimes. Mas a nova coqueluche da Volvo não possui apenas a dupla-sobrealimentação como tecnologia de ponta.
A alimentação directa com injectores piezo-eléctricos é uma mais valia na eficácia da combustão e na obtenção de baixas emissões de CO2. Com este upgrade, o 2.4 da Volvo fica a debitar 205 cv, o que, não sendo um valor de excepção, consegue oferecer ao S80 uma mais valia importante nas prestações. Bem mais relevantes são os 420 Nm de binário, que oferecem ao S80 uma condução fácil, fluida e até, se desejar, rápida. Mas vamos por partes.
A suavidade de funcionamento do cinco cilindros é exemplar a que se junta um cuidado com a insonorização de topo. Não é de espantar, por isso, que a tranquilidade a bordo seja bem conseguida. Desde os mais baixos regimes que se nota que o motor é possante e o S80 continua repleto de qualidade e conforto. Assim, o nosso primeiro destino não podia ser outro que não a auto-estrada. A suspensão possui três níveis de regulação (confort, sport e advance).
Começámos pelo modo mais confortável e com a direcção (que também tem três patamares – leve, normal e pesado), na função que oferece mais resistência. A suavidade de rolamento só pode merecer elogios e o peso da direcção adequa-se na perfeição para este tipo de percurso. O S80 rola sem qualquer dificuldade e ganha velocidade de forma fácil.
O motor D5 “ronrona” em vez de enviar para o habitáculo aquele matraquear quase irritante dos Diesel. Som de Diesel é algo que não existe neste cinco cilindros. E até é um regalo ouvir os cinco cilindros a subir de rotação. Por falar em subida de regime, as velocidades proibitivas são facilmente alcançadas neste novo S80. Os mil metros são cruzados em apenas 29 segundos, já a mais de 180 km/h. Não são números extremamente impressionantes, até porque, até aos 100 km/h, este S80 D5 faz o mesmo tempo que um 520d com 177cv. Mas a diferença está depois dessa barreira e nas boas retomas de velocidade, com mais capacidade de nos emocionar do que a pura aceleração.
Esmagar o acelerador, seja qual for a rotação, é sinónimo de uma recuperação linear, rápida e sem hesitações. Bem melhor do que o tal 520d e do que o 525d, um adversário ainda mais directo deste cinco cilindros. Mas para estas andanças mais despachadas, o melhor é utilizar a suspensão no modo Sport ou para os mais exigentes, no Advance. Neste último nível, a dureza já surge, por vezes, em demasia e pouco se adequa ao espírito deste Volvo. Podemos retirar algum proveito deste nível mais firme em estradas sinuosas, mas o piso pretende-se em bom estado.
Regressados a um ambiente limítrofe à cidade, voltamos a ter tempo para apreciar a qualidade e o requinte a bordo do S80, que continua no topo. A direcção pode ser agora colocada no modo mais leve e a suspensão volta para o modo mais confortável. É um prazer viajar de S80 tal a sensação e a atmosfera que nos rodeia.
Lá atrás, o conforto é igualmente pleno de suavidade e respira-se a mesma dose de bom gosto, enquanto os bancos confortáveis combinam com uma oferta de espaço suficiente para as pernas. Mas as atenções continuam na frente, com a panóplia gigante de tecnologia presente nesta unidade. Este S80 passa dos 58 301 euros na sua versão Summum para os 73 321 euros depois de serem incluídas as opções desta unidade. A versão mais acessível é a Momentum que começa nos 55 506 euros. Mas isso nem sequer importa depois de experimentarmos o bom modo de vida nórdico.