Os ciclos normais actuais andam à volta de 6/7 anos, com tendência para ficarem mais curtos. Corsas e Clios de 1ª geração já aconteceram faz 2/3 décadas, com um mercado radicalmente diferente do actual.
A crise veio alongar o ciclo de vida de alguns produtos devido sobretudo não só à situação financeira de alguns destes construtores, como a capacidade de gerar rentabilidade de um novo modelo ser praticamente nula. E para mais neste segmento.
No mercado europeu, apesar de estar a recuperar este ano em volume, ainda se vive uma guerra de preços, com modelos novos a serem transaccionados com descontos de 20-30%, o que aniquila as margens e qualquer hipótese de lucro ou pelo menos um lucro decente.
Se estás a vender perto do preço de custo, podes ser lider de mercado, mas ganhas o equivalente a quase 0. O que não é bom para as finanças e sustentabilidade da empresa.
A relutância em substituir o Punto e Corsa deve-se precisamente a isso. Após se ter sabido que carros como o relativamente recente Peugeot 208 não rendiam mais que 80€ por unidade vendida no pico da crise, percebe-se essa resistência em investir centenas de milhões de euros numa nova geração de um produto, que dado o segmento, nunca gerou grandes margens à partida, usando o volume como forma de garantir o retorno necessário. E com um mercado a atingir minimos de décadas, nem se podiam proteger com volume de vendas.
Mesmo os construtores premium viram as suas margens afectadas, e um dado curioso que saiu na análise de vendas do mês de Maio na ALemanha, é que, apesar de o mercado alemão ter crescido, a Mercedes e BMW, por exemplo, viram as suas vendas descer. A justificação para tal teve a ver com o recuo destas duas marcas na quantidade de descontos oferecidos, recuperando margens por unidade vendida.
E o que os construtores querem é recuperar essas preciosas margens. Mesmo que implique vender um pouco menos.