Os SEAT's da FIAT

A Seat, À semelhança de várias outras situações [ alguém se lembra da promessa de devolver Olivença a Portugal que nunca foi cumprida? ], é um exemplo da ingratidão espanhola para com a história.

Foi criada em 1950 com a ajuda da Fiat e com o intuito benemérito de estimular a economia espanhola e a sua industria na data em sérias dificuldades.

A Seat utilizava os modelos Fiat com material maioritariamente fabricado em Espanha, e espetava-lhes no fim o nome SEAT.

Nos anos 80, discussões acérrimas sobre o futuro dos modelos a serem desenvolvidos e a ganância espanhola ao exigir da Fiat injecções de capital que a Fiat não tinha nem queria excutar, levaram ao fim da relação estreita entre ambas as marcas.

O primeiro modelo da Seat já sem a Fiat foi um restyle do Fiat Ritmo, dizem as más línguas um restyle que foi plagiado dos projectos que entretanto a Fiat tinha em preparação, e o lançamento desse restyling deu-se sob a designação de Seat Ronda.

seat_ronda_516105.jpg


Como a Seat não tinha meios para subsistir sem a Fiat, como já haviam os italianos previsto, acabou por se vender ao grupo VW nos anos 80.

Pelo caminho ficaram alguns modelos muito interessantes, algumas 'adaptações' dos modelos Fiat entre 1950 e 1980 mais ou menos.

Seat 1500, uma station em voga na altura.. 1968

imagen8ptsf.jpg
 
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Seat 128 3P. Era decalcado do Fiat 128 3P que por sua vez derivava do 128 Sport Coupé de 1971. As mecânicas eram diferentes, os Seat tinham motores derivados dos 124: 1200 e 1400, os Fiat eram 1100 e 1300 de uma geração de motores mais modernos.


Seat128_3P.jpg


Seat 1200 Sport mais conhecido como Bocanegra - Chassis do 127 com elementos do 124 e do 128 3P. Motores 1200 e 1400.

2008_seat_1200_sport.jpg


Seat 124 Sport Coupé

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Seat 850 Special (na foto em 4 portas)

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Seat 850 Sport Coupé (Foto de um 850 Coupé 1ªSerie, Sport Coupé é designação apartir da 2ªserie que tem 4 farois à frente e atrás)

salaSeat850SportCoupe-1.jpg



Pequenas correções a vermelho.
 
Nem todos. Nunca houve Seat 2300, Seat Dino ou Seat 130 só para citar alguns. Assim como nunca hove Fiat 133, Fiat 1430 ou Fiat Bocanegra

Nem SEAT 500, SEAT 126, SEAT 128, SEAT 125.

Tambem não houve na FIAT a versão de 5 portas dos seguintes modelos da SEAT:

600, 850 e 127.
 
Estão aqui alguns modelos que desconhecia.
E assim se constroi uma marca de automóveis.
Por cá podia-se ter feito o mesmo.

O Franco é que assim impôs... FIATs à venda em Espanha só feitos em Espanha. O Salazar andava mais preocupado com ultramares e em proibir a Coca-Cola...
 
Estão aqui alguns modelos que desconhecia.
E assim se constroi uma marca de automóveis.
Por cá podia-se ter feito o mesmo.


Por cá na epoca havia fabricas de montagem CKD de praticamente todas as marcas, depois do 1974 è que começaram a fechar todas, a ultima bem conhecida foi a Opel do Carregado à cerca de 2 anos, mas houve outras que resistiram também durante algum tempo a Renault de Setubal foi encerrada pelo ruinoso negócio do Guterres! A Ford do Carregado também durou até +/- 2000. Existe a Mitsubishi no Tramagal e a Toyota não sei se continua a montar veiculos em Ovar no Salvador Caetano! A Renault teve durante muitos anos a unidade de montagem da Guarda, por isso não tinha contingentação e ainda recebeu beneficios fiscais durante decadas!
 
Pequenas correções a vermelho.

Obrigado Vítor.

Do 850 não sabia as designações de modelo mas do Seat 3P estou conhecedor pois tive em tempos um Fiat 128 Sport (SL 1300) e ainda procurei - em vão - peças desses modelos para o meu Fiat.

Alias a Seat não fabricou sobre licença os 128 Sport S e SL (modelos de 1971-1974) mas apenas a carroçaria 3P.
Os motores Fiat (Lampredi) 1116 c.c. e o derivado 1290 c.c. com duplo carburador Webber e 75 CV - derivado do Rally - não estavam disponíveis nesse modelo, o 128 sedan, Rally e Panorama também não foram fabricados como Seat.

Sei que se venderam Fiats 128 S e SL em Espanha mas são muito, muito poucos em comparação com os que venderam em Portugal e no ultramar.

O Fiat X1/9 também não existiu como Seat.

O clássico e mítico 124 Sport Coupe também existiu em Seat 124 Sport contudo penso que o 124 Special T 1600 não foi licenciado para a fábrica espanhola.

124SportJarama05-2-1.jpg
 
Dos Fiat 124 Sport Coupé, a Seat fabricou 'só' a segunda e terceira serie destes modelos.
Dos Fiat 124 berlina, a Seat fez imensas versões derivadas deste embora com designação diferente: Seat 1430, fizeram versões diesel que andavam muitos nas praças de taxi, e versões desportivas 1800 e 2000!?
 
A SEAT foi criada para que a FIAT conseguisse vender os seus carros num grande mercado como o Espanhol dos tempos do Franco e que só tinha meia-dúzia de modelos disponíveis! O "orgulho" nacional era levado muito a sério!

O meu avô quando ia a Espanha no seu Cortina GT ficava tudo maluco!! ;)
 
O Franco é que assim impôs... FIATs à venda em Espanha só feitos em Espanha. O Salazar andava mais preocupado com ultramares e em proibir a Coca-Cola...

Agnelli em tempos de Guerra Fria conseguiu motorizar países em desenvolvimento.
Em termos de automóveis eram "nulidades".

São casos conhecidos os Ladas em todo o "Continente Soviético", quase carro único até aos nossos dias com o 124 e derivados.
FSO na Polónia
Zastava na Jugoslávia
SEAT em Espanha
 
Agnelli em tempos de Guerra Fria conseguiu motorizar países em desenvolvimento.
Em termos de automóveis eram "nulidades".

São casos conhecidos os Ladas em todo o "Continente Soviético", quase carro único até aos nossos dias com o 124 e derivados.
FSO na Polónia
Zastava na Jugoslávia
SEAT em Espanha

Pois.

Enquanto nos anos 60 a Espanha vivia "el milagro español", com uma prosperidade económica grande derivada da industrialização controlada do país, que já tinha metido na cabeça que não é a explorar as colónias que ia ficar rico, em Portugal nos anos 60 via-se a fome a chegar ao interior do país, a imigração e a riqueza do país a ser sugada no financiamento de uma guerra impossível de vencer.

Claro que é fácil ver as coisas agora, mas o que é verdade, é que há uma rara estirpe de ditadores, como o Franco, que souberam colocar o país nos eixos e que até souberam deixar o lugar na altura certa.

Também ajudou o facto de a família Agnelli ser de ideologia comunista, é verdade... mas é impressionante o impacto que teve em Espanha.
 
Pois.

Enquanto nos anos 60 a Espanha vivia "el milagro español", com uma prosperidade económica grande derivada da industrialização controlada do país, que já tinha metido na cabeça que não é a explorar as colónias que ia ficar rico, em Portugal nos anos 60 via-se a fome a chegar ao interior do país, a imigração e a riqueza do país a ser sugada no financiamento de uma guerra impossível de vencer.

Claro que é fácil ver as coisas agora, mas o que é verdade, é que há uma rara estirpe de ditadores, como o Franco, que souberam colocar o país nos eixos e que até souberam deixar o lugar na altura certa.

Também ajudou o facto de a família Agnelli ser de ideologia comunista, é verdade... mas é impressionante o impacto que teve em Espanha.

Atenção que a Espanha nos anos 60 somente tinha a o Sahara Espanhol, que ficava entre Marrocos e a Mauritania, e a Guiné Espanhola. Estes territorios eram ainda mais pobres que a Guine Portuguesa, assim que eles pouco ou nada podiam explorar destes territorios, o que não era propriamente o nosso caso.
 
Atenção que a Espanha nos anos 60 somente tinha a o Sahara Espanhol, que ficava entre Marrocos e a Mauritania, e a Guiné Espanhola. Estes territorios eram ainda mais pobres que a Guine Portuguesa, assim que eles pouco ou nada podiam explorar destes territorios, o que não era propriamente o nosso caso.

Sim, claro. O que queria dizer é que orientaram o seu crescimento numa indústria sustentada, não na exploração de colónias. Já não tinham colónias, é verdade, mas no anos 50, com independância da Índia e muitos dos países africanos, só Portugal é que teimou em ficar com as colónias, e houve muita pressão internacional para que Portugal fizesse o mesmo. Mesmo com a retoma brutal de países devastados com a guerra, como a Alemanha e a Inglaterra, é impressionante como não saímos da cepa torta, mesmo com um grande superavit derivado dos empréstimos feitos aos países beligerantes. Foi tudo desperdiçado!

Mas não vamos entrar por aí - a ideia que queria dizer é que Franco na altura tomou uma decisão que se revelou crucial para a Espanha, e a meu ver, o desenvolvimento de Espanha, apesar de tardio, foi uma excelente demonstração de socialismo não-fanático que funciona quando é genuinamente usado (totalmente diferente desses projectos de ditadores-cromos tipo Chavez).
 
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Sim, claro. O que queria dizer é que orientaram o seu crescimento numa indústria sustentada, não na exploração de colónias. Já não tinham colónias, é verdade, mas no anos 50, com independância da Índia e muitos dos países africanos, só Portugal é que teimou em ficar com as colónias, e houve muita pressão internacional para que Portugal fizesse o mesmo. Mesmo com a retoma brutal de países devastados com a guerra, como a Alemanha e a Inglaterra, é impressionante como não saímos da cepa torta, mesmo com um grande superavit derivado dos empréstimos feitos aos países beligerantes. Foi tudo desperdiçado!

Mas não vamos entrar por aí - a ideia que queria dizer é que Franco na altura tomou uma decisão que se revelou crucial para a Espanha, e a meu ver, o desenvolvimento de Espanha, apesar de tardio, foi uma excelente demonstração de socialismo não-fanático que funciona quando é genuinamente usado (totalmente diferente desses projectos de ditadores-cromos tipo Chavez).

Mas a saga continua em Portugal.

Tambem agora com a entrada da UN não aproveitamos os dinheiros entrados para modernizar a industria, mas pior ainda destruimos a que havia.

Não esquecer que nos inicios dos anos 60, a Barreiros (fabrica de camiões espanhois), abriu uma fabrica em Setubal (mais tarde passou para a Renault), para construir camiões e vender em Portugal, e exportar para Africa.

Conclusão, poucos anos mais tarde teve que fechar, porque as vendas em Portugal eram diminutas, pois os empresarios portugueses preferiam comprar camiões importados (Volvo, Scania, Atkinson, Ford, etc) mais caros do que comprar os que eram fabricados em Portugal, e que eram vendidos muito mais baratos.

Assim continuamos com a mesma mentalidade, do que vem do estrangero é sempre mehor do que é feito em Portugal.
 
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