Sou contra a OTA, sobretudo porque há muita coisa que está mal explicada. O governo pode até ter dado todos os dados em jogo, mas isso não significa que estejamos todos convencidos com esses argumentos. E ninguém explicou decentemente porque se preteriu Rio Frio.
Muitas questões ficam por esclarecer e muita areia para os olhos foi atirada. Senão, vejamos (sem querer ser exaustivo):
1) Capacidade LIMITADA de expansão da Ota. Daqui a uns 30/40 anos, estaremos (nem todos nós) a discutir o problema da relocalização do aeroporto. Provavelmente para Rio Frio, quem sabe...
2) A localização do aeroporto, propriamente dita, é má no que diz respeito à navegação aeronáutica, nomeadamente numa daquelas manobras mais perigosas: a aterragem. Nevoeiros, relevos mais ou menos pronunciados. Perigoso. Se conhece pilotos da aviação civil, pergunte.
3) Distância. São 47 km a partir de Lisboa. Para serem feitos nos 17 minutos tão apregoados, significa uma velocidade média de 170km/h. O que não seria impossível, se tiver uma linha dedicada desde Lisboa até à Ota, com comboios rápidos dedicados. Mas não foi isso que o ministro Mário Lino disse ontem na Sic Notícias, quando questionado se os custos já incluíam as acessibilidades (percebeu-se que não!): a componente ferroviária será relativamente barata, pois será necessário apenas um pequeno ramal de alguns km's a partir da linha do Norte. Com o congestionamento da linha do Norte, acha possível 170km/h de média? Eu não. Não engulo qualquer coisa que me mandem para a frente.
Se questionam os custos, é barato pois é apenas um ramal de ligação. Se questionam a rapidez da acessibilidade, já será linha dedicada. Em que ficamos?
4) Capacidade de atracção do aeroporto. Segundo os acérrimos defensores do aeroporto na Ota, este terá capacidade para atrair passageiros face ao aeroporto de Madrid. Impressionante. Eu digo exactamente o contrário. Eu que moro na margem sul do Tejo, estarei disposto a fazer quase 80km até à Ota, para fazer um voo de ligação para Madrid, de onde partem muitos dos voos com destino à América Latina e Caraíbas? NÃO. Irei directamente para Madrid, seja de carro ou de TGV, quando o mesmo funcionar. Será bastante mais barato. E provavelmente até mais rápido, se considerarmos tempos de check-in, desembarque, espera no aeroporto de ligação, novo check-in, etc.
5) Ainda sobre as acessibilidades, que será da A1? Será alargada? Gostaria que me explicassem por onde se expande a A1 na zona de Vila Franca...
6) Postos de trabalho criados: 60000! Extraordinário. Demagogia da mais pura. Já estão aqui retirados os que se perdem por fecho do aeroporto da Portela. Concerteza que não... E 60000 postos de trabalho, num aeroporto mais moderno, que se quer mais eficaz? Estranho.
7) Alargamento da rede do Metro até à Portela. Vai avançar na mesma? Será já para servir os futuros empreendimentos que concerteza irão ali surgir tendo em conta os interesses que algumas pessoas importantes ali possam ter?
8) Impacto no turismo. Não tenho dúvidas que será negativo. Poderá não ser grande, mas será negativo concerteza, nomeadamente na vertente de viagens de negócios.
Eu não duvido que seja necessário um novo aeroporto. Aceito a crítica no Primeiro Ministro quando diz que se criticam a Ota, então apresentem alternativas. E não é fácil apresentá-las. Não li o suficiente dos estudos para perceber se, por exemplo Rio Frio, está em melhores condições.
Contudo, Rio Frio não terá problemas de novoeiro em maior escala do que a Ota. Não terá mais problemas com aves do que a Ota. E não terá o problema que a Ota tem de deslocamento de terras e, se calhar ainda mais importante, de consolidação dos solos, que actualmente é um PÂNTANO, alagado vários meses do ano.
Não posso aceitar é que me queiram fazer acreditar num projecto com base em muitos argumentos falaciosos, que tenho a certeza que chegados ao dia D, não se verificarão. Como o custo estimado, como o tempo estimado de deslocação por comboio, como a capacidade de atracção.