Para quando o fim da PAC?

mundano

Piloto do carago
Bem.. Já que os topicos sobre politica estão na moda, mas só se fala da politiquice nacional, ignorando-se sempre a dimensão europeia, que actualmente, em muitas areas até influencia mais as nossas vidas do que a politica nacional..

Por isso, porque não discutir um tema de ambito europeu, e igualmente com potencial para a polemica (no bom sentido)..



A PAC (Politica Agricola Comum) é sem duvida uma das mais importantes ferramentas da UE, quanto mais não seja porque consome mais de 45% de todos os recursos do orçamento comunitário..

Foi criada com os objectivos de:
* aumentar a produtividade agricola;
* garantir um bom nivel de vida à populaçao agricola;
* estabilizar os mercados;
* garantir os fornecimentos regulares;
* garantir preços razoaveis no abastecimento ao consumidor.


Que na pratica se traduz num conjunto de medidas que passam pela preferencia dos bens comunitarios, a criação de normas de qualidade uniformes na UE, e principalmente a forte subsidiação de todo o sector agricola de forma a garantir preços baixos no consumidor e de forma a garantir bons niveis de vida aos agricultores...


Só que as lições de economia devem ter sido mal estudadas e como qualquer um preveria, uma intromissão tão forte e a uma escala tão grande nos mercados, através dos subsidios como a que é feita pela UE, originou ineficiencias e desiquilibrios...


Nomeadamente:
- Os subsidios mais do que aumentar o nivel de vida dos agricultores, aumentaram o nivel de produção agricola. Criando em algumas areas excessos que ultrapassam várias vezes as necessidades da UE.


Isto já levou a reformas da PAC em que se introduziram novidades como:
* fixaçao de volumes de produçao para cada produto;
* atribuiçao de incentivos financeiros ao pousio, à reconversao de produçoes, à reflorestaçao, à criaçao de resrvas ecologicas e parques naturais, à agricultura por meios naturais;


Ou seja, por um lado, paga-se para se produzir em excesso, por outro lado, paga-se para deixar os terrenos de monte... Brilhante no minimo...


Enfim... E o pior que tudo, nem são os efeitos na Europa, são os efeitos fora desta.. Porque actualmente a PAC é uma das maiores causas de fome em Africa e em outros paises onde a agricultura é essencial na economia..

Porque muitos paises, apesar de terem um modo de vida pobre, sobreviviam com base na agricultura. Actualmente a agricultura em Africa está praticamente destruida, porque ninguém consegue competir com os produtos que saem da Europa ao preço da chuva graças à forte subsidiação de que beneficiam..


É nisto que queremos gastar metade de um orçamento de 121 mil milhões de Euros?

Nisto estou 100% de acordo com os ingleses.. A PAC não defende os interesses dos europeus, apenas é mantida por causa de interesses corporativistas e por causa das pressões de paises como a França e Espanha..
 
citação:Originalmente colocada por KarmaCop213

Não percebo, as pessoas em África morrem à fome por causa dos agricultores europeus? Estáááááá bem...

Na maioria daqueles paises, 75 ou 80% da população vive daprodução agricola.. Ou melhor vivia..

Alguns paises, que até eram exportadores agricolas, actualmente não têm hipotese de concorrer no mercado internacional com os preços dos excedentes que nos subsidiamos..

Isso é desastroso para esses agricultores...
 
citação:Originalmente colocada por mundano

citação:Originalmente colocada por KarmaCop213

Não percebo, as pessoas em África morrem à fome por causa dos agricultores europeus? Estáááááá bem...

Na maioria daqueles paises, 75 ou 80% da população vive daprodução agricola.. Ou melhor vivia..

Alguns paises, que até eram exportadores agricolas, actualmente não têm hipotese de concorrer no mercado internacional com os preços dos excedentes que nos subsidiamos..

Isso é desastroso para esses agricultores...

E a agricultura de subsistência?

Se os preços são baratos é porque há muita oferta, ou seja, há comida para todos.

Realmente não percebo essa mecânica.
 
É mais um exemplo da competitividade. É uma palavra tão bonita para quem se enche à custa da miséria e fome dos outros. A economia supostamente foi inventada para melhorar as condições de vida das populações mas hoje em dia limita-se a escavar um fosso entre os extremos das classes.
 
Isto até pode não ter nada a ver, é mais um trocadilho, mas antes de acabarem com a PAC, deviam acabar com o PEC...

Quanto à PAC, não percebo aquela coisa de não podermos produzir mais leite do que aquele que a CE nos diz e se produzirmos a mais, multam-nos... mas porquê? Se as vacas dão 1000 litros de leite, porque é que vamos obrigá-las a darem só 700?
 
citação:Originalmente colocada por Pedrocas

Isto até pode não ter nada a ver, é mais um trocadilho, mas antes de acabarem com a PAC, deviam acabar com o PEC...

Quanto à PAC, não percebo aquela coisa de não podermos produzir mais leite do que aquele que a CE nos diz e se produzirmos a mais, multam-nos... mas porquê? Se as vacas dão 1000 litros de leite, porque é que vamos obrigá-las a darem só 700?

Porque só se produz tanto leite, porque com os subsidios se torna rentavel.. E quanto mais se produzir, mais se gasta em subsidios..

E depois esse leite, que não há forma de o gastar na Europa, por ser tanto, tem consequencias desastrosas como uma redução de 90% da exportação de leite africana.. Porque o mercado internacional fica inundado de leite a preços muitissimo baixos.
 
citação:A anterior cimeira (Cancún, 2003)
ficou marcada pelo fracasso
negocial: o proteccionismo agrícola
dos países ricos manteve-se.
Todavia, em Cancún, ocorreu algo
de novo e, porventura, positivo para
a dinâmica do comércio mundial: a
emergência de um grupo de países
que desafiou a Europa, EUA e
Japão; este grupo, que viria a ser
descrito como G20, é liderado pelo
Brasil, Índia, China, África do Sul e
Argentina. Inevitavelmente, a
cimeira de Hong-Kong será
marcada por um confronto
semelhante entre G-20 e
ocidentais, sobretudo com os
europeus. As potências emergentes
da América do Sul e da Ásia
pressionaram a Europa no sentido
de uma redução do seu
proteccionismo agrícola. Em
Outubro, os americanos lançaram
uma proposta para uma redução de
tarifas e de subsídios. A Europa
respondeu com uma contraproposta
defensiva, que não
satisfaz nem os americanos nem as
novas potências do G-20.




citação:Margaret Thatcher pronunciou em 1984 uma frase, que viria a tornar-se célebre, sobre o esquema de utilização do orçamento comunitário, ao verificar que 45% desse orçamento ia direitinho para uma coisa chamada Política Agrícola Comum, da qual o Reino Unido via apenas algumas migalhas (devido à proporção diminuta do seu sector agrícola no PIB e ao elevado nível de desenvolvimento do sector), sendo seu principal beneficiário a França do então Ministro da Agricultura, Jacques Chirac. A frase, que voltou a ecoar depois da crise de confiança suscitada pelos NÃOS de franceses e holandeses no referendo ao Tratado Constitucional, foi esta: “ I want my money back!”

Houve outros grandes beneficiários desta PAC, como os alemães, os espanhóis e os italianos. Mas o essencial é que esta grande fatia dos dinheiros comunitários (que para 2007-2013 corresponde ainda a 40% de todo o orçamento comunitário...) tem servido para atrasar o desenvolvimento estratégico da Europa, criando uma subsídio-dependência absolutamente escandalosa, com consequências dramáticas, por exemplo, entre os produtores agrícolas dos países menos desenvolvidos. Os ingleses exigiram, pois, que 2/3 da diferença entre o que dão e recebem da UE regressasse aos cofres de Sua Magestade. E assim foi ao longo dos últimos 20 anos...

Entretanto, nas vésperas da discussão das perspectivas financeiras para o próximo Quadro Comunitário, Jacques Chirac, numa tentativa desesperada de distrair as atenções do mundo, e sobretudo dos franceses, do seu desaire referendário, resolve denunciar o reembolso britânico (conhecido por British Rebate), exigindo uma substancial redução do mesmo. A tempestade desabou então sobre a cimeira, a qual acaba de encerrar os seus penosos trabalhos, sem resultados e ressoando o odor do fracasso por todos os poros nacionais que ali convergiram, ansiosos, muitos deles, pelos dinheirinhos esperados, se não mesmo contabilizados.

Tony Blair, picado pelo seu ****tivo sucessor, Gordon Brown, teve uma oportunidade inesperada, mas de ouro, para jogar uma cartada de mestre contra, não apenas Jacques Chirac, mas sobretudo contra a inércia corrupta e subsidio-dependente de boa parte do continente europeu. Sim, disse ele — estamos dispostos a reduzir o envelope do Reembolso Britânico se, ao mesmo tempo, pusermos na mesma mesa negocial a Política Agrícola Comum. Caíu o Carmo e a Trindade. Blair manteve-se firme nos argumentos. Em suma, não houve compromisso possível.

E agora? Bom, não há orçamento comunitário à vista e os referendos foram adiados em toda a Europa. Por outro lado — e eis uma consequência positiva de toda esta embrulhada pós-referendária — temos finalmente reunidas as condições para uma verdadeiro debate europeu, em moldes amplos e democráticos. Resta-nos agora esperar que os dirigentes políticos mais desgastados sejam varridos da cena institucional, e que outros mais jovens, ambiciosos, corajosos e consistentes ocupem os seus lugares. Se assim suceder, a pausa valerá seguramente a pena, e um novo Referendum, desta vez sobre um texto porventura menos espesso e melhor conhecido de todos os cidadãos europeus, poderá ser submetido a votação simultaneamente em todos os estados da União.

Ouvi Tony Blair algumas horas depois, na conferência de imprensa que deu sobre o fracasso da cimeira. Para ele, a PAC corresponde a uma visão ultrapassada da Europa, que a impede de assumir reorientações estratégicas essenciais, nomeadamente nos domínios da globalização, da segurança europeia e da defesa estratégica comum. Para Blair, todos estes domínios exigem dar uma prioridade absoluta ao desenvolvimento científico e tecnológico, e ainda à modernização urgente das pequenas e médias empresas europeias. O orçamenrto da PAC, além de incrementar os fluxos migratórios das populações economicamente bloqueadas de África, e de produzir um desgaste sem precedentes dos solos europeus (devido à intensidade insustentável dos modelos de exploração) impede, pura e simplesmente, o objectivo de tornar a Europa, nos próximos dez anos, na economia mais competitiva do planeta, sem deixar de ser ao mesmo tempo um modelo recomendável de democracia e bem estar social. A Europa precisa, como de pão para a boca, de uma nova visão estratégica. Tony Blair, Gordon Brown e Jack Straw demonstraram possui-la, contra uma esmagadora maioria de países desgraçadamente prisioneiros das suas crises de liderança.
 
Antes de mais mundano quero dar-te os parabens pelo tópico, é a primeira vez que vejo um tema relacionado com a agricultura aqui no forum, mas tambem ainda sou novo aqui.

Para começar um subsidio é sempre um presente envenenado, e se aplicarmos isso á grande maioria dos nossos agricultores então é o descalabro total, porquê???

Sabem de certeza qual é o nivel de escolaridade da grande maioria dos agricultores de Portugal... Mas isso é um tema com pouca relevancia "ou muita" depende do pouto de vista...

Voltando à PAC...
citação:Foi criada com os objectivos de:
* aumentar a produtividade agricola;
* garantir um bom nivel de vida à populaçao agricola;
* estabilizar os mercados;
* garantir os fornecimentos regulares;
* garantir preços razoaveis no abastecimento ao consumidor.
Isto é verdade e está a ser feito, tirando algumas pessoas que pensam que o leite, ovos, pão, fruta, legumes, carne, etc,etc,etc... nascem nas prateleiras dos supermercados, estes produtos vêm da nossa agricultura a um preço impossivel de produzir se não fossem as ajudas ao rendimento.

Para que os leigos entendam vou dar um exemplo, á 20 anos um litro de leite vaca era pago +/- a 60$ (dependendo de varios parametros do leite) neste momento o litro de leite é pago ao produtor +/- 40$, tirando os casos em que o produtor venda o leite para iogurte.

Este é apenas um exemplo de que a PAC está no meio de nós não se vê mas está lá como a MATRIX:):).

Mas devem estar a pensar, o que é que eu tenho a ver com isso... eu até sou da cidade!!!;), pois é, era quem mais sofria se não existesse a PAC "MATRIX";)...

Pensem um bocadinho nisto...

Amanha volto ao ataque... Um abraço:)
 
citação:Originalmente colocada por Pedrocas

Isto até pode não ter nada a ver, é mais um trocadilho, mas antes de acabarem com a PAC, deviam acabar com o PEC...

Quanto à PAC, não percebo aquela coisa de não podermos produzir mais leite do que aquele que a CE nos diz e se produzirmos a mais, multam-nos... mas porquê? Se as vacas dão 1000 litros de leite, porque é que vamos obrigá-las a darem só 700?

Politica Agrícola Comum - Key word é comum.

é tal e qual Kyoto ..... ou nao poluis... ou compras quotas para poluires mais....

ali ou produzes o que mandam, ou como no caso do leite, se produzires demais... deitas fora, para manteres o subsidio, bla bla bla


és pago para não produzir.

é um assunto interessante, se encontrar uns textos que tenho algures em backup deixo-os aqui para melhor compreenderem a engrenagem..... afinal ... "na economia tudo tem a ver com tudo..."


Falam "mal" da economia..... uma das bases de qquer decisão económica é ter em conta que as decisões vão afectar os homens.... logo... ;)
 
citação:Originalmente colocada por zanudo

Para começar um subsidio é sempre um presente envenenado,
.
.
.
... pois é, era quem mais sofria se não existesse a PAC "MATRIX";)...

Pensem um bocadinho nisto...

Amanha volto ao ataque... Um abraço:)
Noto alguma contradição;).
Mas vou esperar pela continuação:).
 
citação:Originalmente colocada por KarmaCop213

Não percebo, as pessoas em África morrem à fome por causa dos agricultores europeus? Estáááááá bem...
Numa região do globo onde, num mesmo periodo de tempo, se fazem quatro colheitas em vez de uma as pessoas só têm fome porque alguém quer...

Ah, e já foram "ensinados a pescar" há muitos, muitos anos!...
 
Mas voces não percebem que ninguém consegue viver semser na miseria só com o que eles proprios produzem?


Em Africa e em alguns paises da America central (esquecendo os paises que estão constantemente em guerra, porque isso é diferente), muitos paises tinham niveis de vida relativamente humanos, porque eram grandes produtores e exportadores de produtos agricolas..

Actualmente, nem no proprio pais deles conseguem vender.. É impossivel concorrer com os preços subsidiados dos europeus.. As grandes plantações são fechadas e as pessoas não têm outro remedio se não ir para as cidades tentar a sorte.. E se não conseguirem, o proximo passo é tentarem a sorte nas Canarias...


As pessoas devem perceber que este tipo de subsidiação não tráz vantagem nenhuma. Leva apenas a uma alocação dos recursos muito ineficiente que depois acaba por trazer ainda mais problemas.. Ou seja, mais do que aumentar o nivel de vida dos agricultores, leva a que a agricultura europeia produza excessos de forma descontrolada.. Impede que esses recursos gastos na agricultura sejam aplicados em areas mais produtivas.. Ameaça o futuro dos solos europeus por causa do sobre-exploração.. E bloqueia completamente as economias dos paises agricolas do 3º Mundo...
 
Então e se deixarem de subsidiar, poderemos esperar aumentos brutais no preço dos produtos agrícolas não?
 
citação:Originalmente colocada por ciber007

Então e se deixarem de subsidiar, poderemos esperar aumentos brutais no preço dos produtos agrícolas não?

Acho que mais do que aumentos, podemos esperar ao abandono de produções agricolas que apenas existem porque os subsidios as alimentam..

Porque só apra teres uma ideia, o preço do açucar no mercado mundial é 3 vezes inferior ao preço do açucar dentro da Europa.

No entanto, na Europa, apesar de sermos totalmente ineficientes na produção de açucar, são empregues hectares e hectares na produçãode beterraba e há imensas fabricas de produção de açucar, tanto que somos os 4ºs maiores exportadores do mundo...

Isso só acontece, porque a PAC, paga aos agricultores para produzirem, dá aos agricultores que exportam um enorme subsidio para eles conseguirem vender aos preços internacionais e fecha a entrada na Europa ao açucar produzido lá fora..

Segundo os analistas, o fim deste esquema, faria o preço do açucar baixar 40% na Europa...


Além disso é preciso perceber, que para estarmos a produzir açucar, onde somos realmente maus a produzi-lo, estaos a usar recursos (capitais e pessoas) que poderiam estar em actividades em que nós somos bons a nivel mundial.. Acreditem que valia mais exportar os nossos produtos de elevada tecnologia e importar açucar, do que produzir acuçar 3 vezes mais caro do que é produzido lá fora, à conta dos subsidios.
 
De facto, tens razão nesse aspecto. Nesse caso parece-me que o abandono da subsidiação só nos iria beneficiar mas quanto ao resto? Será que o leite ficaria mais barato ou ao mesmo preço?
 
Não sei.. Cada produto é um caso.. Alguns provavelmente subiriam de preço..

Mas uma coisa é certa.. Com o enormissimo orçamento da PAC, redireccionado por exemplo para o investimento e para a investigação, ensino e tecnologiais, podes crer que mesmo que os preços agricolas subissem um bom bocado, em poucos anos a nossa capacidade para compra-los subiria muito mais..
 
basta conheçer um pouco da realidade dos países africanos para se perceber que a principal causa para a miséria total em que se encontram, está bastante distante de um qualquer programa como a PAC...

eles que tentem primeiro resolver os problemas internos que possuem e que tendem a agravar, que deixem os conflitos armados e que se organizem!

é mto fácil dizer que é devido à PAC que a fome aumenta...bem eles lá já se devem ter auto-convencido disso[8][8]

triste para um continente como África...[xx(]
 
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