Nós continuamos a ignorar a realidade e achar que somos uma excepção, martirizados por impostos sobre o automóvel altos quando mais ninguém o é. Nada mais errado.
Excepto países com uma enorme indústria automóvel própria e/ou produção líquida (isto é, exportam mais carros que importam) a maior parte dos países taxa agressivamente o automóvel. Nomeadamente porque é um bem de consumo (importado na maioria dos casos) e de elevado valor unitário.
Nunca os impostos sobre o automóvel são dirigidos (apenas) para a manutenção da rede rodoviária. Esse argumento faz pouco ou nenhum sentido.
Servem apenas para o Estado moderar a balança comercial (por isso é que existem taxas às importações e os Estados dentro de um mercado comum não o podendo fazer, fazem-no através deste tipo de impostos) e, simultaneamente, obter receita para áreas que não são financiáveis por receitas próprias (nomeadamente Saúde e Educação).
Sim, isto não é popular. Mas tem toda a sua lógica, mesmo que seja politicamente incorrecto dizê-lo.
No caso da reforma de 2007, o princípio foi simples: trocar um imposto de aquisição mais baixo por um imposto de posse mais elevado, daí os IUCs elevados e um ISV mais baixo que o anterior IA. Sim, provavelmente foi vendido como uma descida de impostos que na verdade, no longo prazo, nunca o seria. Nomeadamente para quem mantém o carro por muitos anos.