Com a pouca reputação que ainda sobrava à Porsche já rebentou.[:vm)][:vm)][:vm)][:vm)]
De pensar que ainda sou do tempo em que a Porsche era uma marca especial, dedicada a fazer desportivos e o carro de sonho de muitos.
Hoje em dia é sinónimo de SUV a diesel do grupo VAG recauchutado.
Fico à espera do "fabuloso" Macan Diesel. Ainda sai com o 1.6 Tdi.
Esta última década da Porsche ainda dava o bom livro sobre como destruir a aura quase mítica de uma marca e torná-la completamente banal.
Uma discussão que tenho assistido entre alguns jornalistas e comentadores.
Quanta democratização uma marca premium pode oferecer sem diluir a imagem que possui?
Se as marcas conseguiram atingir um certo nivel de imagem, porque não arranjar formas de tornar o negócio sustentável sem beliscar essa percepção, percepção essa, que é sempre o mais díficil de atingir?
Em mercados como o chinês, a Porsche é a marca do Cayenne, não do 911 ou dos carros desportivos. O Macan não será democratização a mais em mercados mais tradicionais? Podem dizer que tem dinâmica à 911, mas não deixa de ser um razoavelmente prático carro familiar, baseado no mais vulgar Q5 da Audi. Onde está o ADN Porsche mesmo? No styling, no simbolo?
A procura desenfreada em ser o número 1, sobretudo a nivel de vendas, e claro, a obtenção de lucros cada vez mais altos, acho que ainda vai acabar por morder no rabo não só da Porsche, como da BMW, Audi e Mercedes.
Estas 3 últimas, também tentam constantemente ultrapassar-se umas às outras, descendo o ponto de acesso à marca e criando segmentos e nichos só porque sim. Até as suas sub-marcas já entraram em processo de diluição. A letra M já não aparece apenas nos "ultimates" BMW, agora temos o degrau abaixo, M50d, M135, etc... E até o Pack M.
A mesma coisa está a acontecer com a AMG.
E a Mercedes do "Best or nothing" com motores Renault, e partilhar base com o pseudo-rival Infiniti? Futuro BMW série 1 FWD, os BMW GT?
Confesso que talvez fosse um pouco mais alternativo na evolução do produto destas marcas. Não determinar a gama de produtos para ser o número 1 a nivel de vendas, puxando pela vulgaridade da coisa e diluindo o resultado final que podemos adquirir. Mas garantir sempre um certo conjunto de características ou experiências que os tornem "especiais"... Coisa que cada vez acontece menos.
Uma das razões pelas quais existe desejo por estas marcas, era de alguma forma, a sua inacessibilidade, exclusividade de certas soluções usadas por estas, ou experiências únicas no mercado. Quando temos modelos destas marcas a retirar cota às marcas "do povo" e até a competir directamente com estas, até onde o elástico estica antes de partir? Se qualquer "Zé" pode ter o simbolo premium mais desejado, quando é que este símbolo perde o brilho?
Dado as vendas crescentes da Porsche e do trio alemão, à conta de "invadirem" segmentos mais baixos e criação de criaturas non-sense, a percepção destas marcas poderá mudar a médio prazo, conforme a geração mais jovem vai atingido a idade para se colocar atrás do volante. E poderá ser complicado voltar a reconquistar determinada imagem ou aura, ou pedirem os preços que pedem pelos seus carros, quando forem as criaturas mais vulgares nas nossas ruas e não tenham nada nos seus produtos "do povo" que as faça destacar de uma Kia ou Renault.
Ou talvez esteja totalmente enganado, e a forma como percepcionamos as marcas ou o seu posicionamento tenha mudado ou esteja em acelarada fase de transição. Indo um pouco mais à frente no tempo... Deixa de interessar o tipo de hardware ou arquitectura, ou a qualidade real da coisa, ficando-nos apenas pela qualidade perceptivel (como se costuma dizer, hoje não existem carros maus). Não interessa que o motor de um Mercedes seja da Renault, ou que um BMW não tenha tracção atrás. Talvez o foco esteja a mudar para a questão da conectividade e aquele que oferecer a melhor sala de estar sobre rodas seja percepcionado como o mais desejado. E quando os carros eléctricos vingarem, a questão da motorização deixa de interessar. Não passa tudo de um amontoado de cobre e comportam-se todos da mesma maneira. E o que dizer dos carros autónomos que já estão planeados? Para quê focar na dinâmica do chassis ou na progressividade nos limites do mesmo, se apenas somos passageiros de uma sala de estar móvel?
Como se irá demarcar uma marca da outra?