Confesso que não partilho da tua visão, que qualificaria de "saudosista", se quisesse ser simpático, ou de "anacrónica", se quisesse ser mais cru.
Back to basics para re-situar a questão do Macan em particular:
Os automóveis são um negócio como outro qualquer. O fim primário e básico de qualquer operador económico é 1 e só 1 = obter lucro. Esse é o propósito subjacente a qualquer sociedade (ou pessoa singular em nome individual) que exerça qualquer uma actividade de carácter comercial.
Tendo em conta que, como negócio de “escala”, a Porsche ganha mais dinheiro quantos mais carros vender, a Administração da marca (e os seus accionistas) terão enfrentado um dilema aquando da decisão do lançamento dos novos modelos (Cayenne, Panamera e, agora, Macan): como conseguimos ganhar mais dinheiro de forma sustentada no longo prazo?
A resposta só podia ser 1: lançar novos modelos que lhes permitam multiplicar o número de carros vendidos.
A outra parte do dilema tinha a ver com a “forma sustentada” de ganhar esse dinheiro no longo prazo. Leia-se “sustentada” como sinónimo de aumentar e muito a escala mantendo o glamour e factor premium distintivo da marca.
Esse factor “premium” é sem dúvida um dos factores mais distintivos de uma marca como a Porsche, tendo um (enorme) valor tangível para a empresa (diria até “inestimável”). Levou anos a construir e influencia todas as acções da marca.
Conjugados estes 2 pressupostos (aumentar a escala de forma sustentada) – acho que podemos deixar de lado a re-utilização de plataformas e motores do grupo (que contribuem, e muito, para a diminuição dos custos de produção) – acho sinceramente que a decisão da Porsche foi acertada:
Passaram a estar presentes em segmentos com um boom fantástico, mantendo-se como premium nesses mesmos segmentos. Hoje em dia e se perguntares a alguém que SUV gostaria de ter, uma percentagem significativa de pessoas responder-te-á “Cayenne” (eu serei um caso à parte, pois preferia um Touareg J)…
Se isto significa que vão perder o glamour? Acho que não…que aumentam (e muito) o lucro – não tenho quaisquer dúvidas…
Nos anos 70 e 80 muitos auguraram o mesmo fim à Porsche com o lançamento dos mal amados 944 e outro pequeno cujo nome/numeração não tenho presente…no entanto, manteve-se intocável…