Que vinho bebem?

Sugestão para quem não tem muito para gastar: vamos listar aí uns low-cost?

Sou confesso apreciador do vinho tinto maduro. Vinho branco maduro dá-me uma ressaca daquelas de dor de cabeça... vinho branco verde, gosto, sobretudo da terra do lado do meu falecido pai, Ponte de Lima, tenho um primo que faz colheita todos os anos e é muito bom. Vinho tinto verde dispenso, claramente. Há uns anos, quando casei, gostava muito de Tapada dos Monges, mas encontro pouco ou nada agora.

Pronto, primeira sugestão low-cost, para quem gosta de um vinho branco verde frisante, o "Crista de Galo", costumo encontrar no Continente, bem fresquinho, é uma maravilha.

Tinto Maduro, gosto do marca própria do Pingo Doce, o Alentejo mais suave, o Setúbal com um pouco mais de "final" na boca.

Moras perto de Paços de Ferreira?
 
Estou ciente disso. Estou e trabalho em parte nesse mercado. Muitos desses vinhos são até feitos com uva madura e com mostos espanhóis que de castas de vinho verde nada têm. Há uma máfia do caraças nas grandes quintas e quem está no mercado sabe bem o que acontece.

O que tu referes e chamas de ponto de vista tecnológico, eu chamo de química pura e dura, na medida em que vais sempre manipular fortemente as verdadeiras características da produção colhida daquele ano. O mateus é sempre igual, o muralhas também... É química a trabalhar. Claro que levam mosto, mas é um mosto indiferenciado, são os restos das boas produções porque depois é "martelado" na adega.
Eu não tenho nada contra isso, eles saem com bons resultados aos olhos de quem os compra e há imenso mercado para eles. O mateus é best seller e o muralhas também.

Eu já pensei em criar uma marca de vinho até, mas para compensar a sério e poder fazer disso vida teria de ser capaz de engarrafar 100 000 gf e não tenho area para tal. Teria de arranjar um mercado de nicho, e sendo vinho verde, ainda mais complicado se torna porque é sempre associado à zurrapa de portugal.
Portanto até lá, mantemo-nos produtores de uva e fazemos uma pequena quantidade para casa vizinhos e amigos - não rotulado, mesmo tendo adega para vinificar mais de 100 pipas.

Muitas vezes é mais física que química [;)]. Se os mostos vêm de fora, não sei. Como são vinhos com IG, espero que a CVR faça o seu trabalho. Tenho mais medo dos armazenistas do que destas grandes casas.
É impressionante o numero de visitantes estrangeiros que já trazem o nome "vinho verde" na boca. Do tipo, perguntarem numa adega da zona de Lisboa/Oeste, e nos resturantes de todo o lado, se têm vinho verde....Foi um grande trabalho de divulgação no estrangeiro, especificamente US, e a região tem níveis de exportação muito bons. Se fosse considerado zurrapa, eles não o queriam beber. O mesmo acontece com os Prosseco italianos. É bom para voçês que são produtores.
Há lugar para o nicho nesses mercados, sobretudo para quem aposte numa abordagem bio. Já pensaste nisso?
 
Hoje fico-me pelo branco. Mas não sou fã de branco português, prefiro os Suiços.
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Póvoa de Varzim. Porquê?

Há já bastante tempo um colega daqui deu-me um contacto de um produtor em Paços para verde e espadal.
Fiquei agradavelmente surpreendido,principalmente com o espadal.
Caixa de 6 garrafas custa 7.5€.
E eu que tenho um pós operatório complicado com verdes que já experimentei,chego a beber uma garrafa desse espadal e não se passa nada.
Fica perto da saída da A41 em Frazão.
 
Estou ciente disso.
Portanto até lá, mantemo-nos produtores de uva e fazemos uma pequena quantidade para casa vizinhos e amigos - não rotulado, mesmo tendo adega para vinificar mais de 100 pipas.

Precisava de um amigo assim, boa pjnga a bom preço ahahah
 
D

A brincar que o digas, também não sei. Vinho que leva pouca uva é o muralhas, não fosse ele igual ano sim ano sim.
Esse que colocaram é dos piorzitos da QL. Se as minhas uvas fossem fracas, é possível que lá estivessem. Eles fazem uma seleção à entrada do mosto que vai das quintas forncededoras e depois trabalham-no na adega de acordo com a qualidade. Têm um tracking de onde está cada uva recebida e para onde foi, se Polónia Alemanha etc. Há 4 anos ele disseram-me que a uva cá da quinta era 5* e que integrou um reserva deles qualquer. Fiquei contente [:cool:]

Vou discordar de ti quanto a Muralhas.
De uma maneira geral, os vinhos das cooperativas levam mesmo uvas (e os outros também, essa de martelar vinho a partir do mosto é coisa que vai caindo em desuso...).
Ora, sendo o Muralhas da Cooperativa de Monção é, sob esse ponto de vista, confiavel.
A qualidade ano após ano deriva mais de agora, mesmo as cooperativas, terem um bom trabalho de enologia, coisa que nem sempre se verificava no passado.
 
Muitas vezes é mais física que química [;)]. Se os mostos vêm de fora, não sei. Como são vinhos com IG, espero que a CVR faça o seu trabalho. Tenho mais medo dos armazenistas do que destas grandes casas.
É impressionante o numero de visitantes estrangeiros que já trazem o nome "vinho verde" na boca. Do tipo, perguntarem numa adega da zona de Lisboa/Oeste, e nos resturantes de todo o lado, se têm vinho verde....Foi um grande trabalho de divulgação no estrangeiro, especificamente US, e a região tem níveis de exportação muito bons. Se fosse considerado zurrapa, eles não o queriam beber. O mesmo acontece com os Prosseco italianos. É bom para voçês que são produtores.
Há lugar para o nicho nesses mercados, sobretudo para quem aposte numa abordagem bio. Já pensaste nisso?

Com apenas 5 ha de vinha fica complicado mesmo em mercado de nicho. O máximo que já tiramos foram 110 pipas e na altura vendeu-se tudo à porta da quinta. Agora apostamos mais na venda a da uva.

A comissão dos vinhos verdes trabalha bem, mas somos todos amigos [:D]

Inicialmente gostava de aumentar a área de vinha para algo superior e só depois gostava de equacionar uma marca. E já pensei, pensei bastante até. Os custos fixos de um negócio destes assustam ... Já tenho plano de negócios feito e tudo, mas para se fazer algo direito, preciso de área e de uns valentes milhares para iniciar.
 
Vou discordar de ti quanto a Muralhas.
De uma maneira geral, os vinhos das cooperativas levam mesmo uvas (e os outros também, essa de martelar vinho a partir do mosto é coisa que vai caindo em desuso...).
Ora, sendo o Muralhas da Cooperativa de Monção é, sob esse ponto de vista, confiavel.
A qualidade ano após ano deriva mais de agora, mesmo as cooperativas, terem um bom trabalho de enologia, coisa que nem sempre se verificava no passado.

Ja expliquei o meu conceito de levar pouca uva atrás. Nada tenho contra a adega de Monção, quero que todos se safem e que vendam ao máximo. O que é bom para eles, é bom para nós, e se extrapolar isso ao máximo, é bom para todos porque portugal ganha.

Eu não sou muito apreciador de um vinho verde demasiado trabalhado na adega, mas tudo vem dos gostos de cada um.

Mas eu estou para aqui a falar e não sou pró nenhum, apenas cresci no meio disto. Em boa verdade, devia entender bastante mais que o que sei. Aprecio mais o processo da viticultura que da vinicultura.
 
Com apenas 5 ha de vinha fica complicado mesmo em mercado de nicho. O máximo que já tiramos foram 110 pipas e na altura vendeu-se tudo à porta da quinta. Agora apostamos mais na venda a da uva.

A comissão dos vinhos verdes trabalha bem, mas somos todos amigos [:D]

Inicialmente gostava de aumentar a área de vinha para algo superior e só depois gostava de equacionar uma marca. E já pensei, pensei bastante até. Os custos fixos de um negócio destes assustam ... Já tenho plano de negócios feito e tudo, mas para se fazer algo direito, preciso de área e de uns valentes milhares para iniciar.

Nunca pensaste em fazer marca para exportação?

3 anos e meio a viver na Holanda e foi visível a tristeza que é a divulgação do vinho português por lá. Então se falarmos de verde branco, que casa tão, mas tão bem com o que aquela gente come... E nada... Vês Crasto, Altano e pouco mais. Algumas coisas que não apanhas em PT. E o Casal Garcia e Gazela do costume.

Há um filão por explorar naqueles países da Europa Central.
 
Ja expliquei o meu conceito de levar pouca uva atrás. Nada tenho contra a adega de Monção, quero que todos se safem e que vendam ao máximo. O que é bom para eles, é bom para nós, e se extrapolar isso ao máximo, é bom para todos porque portugal ganha.

Eu não sou muito apreciador de um vinho verde demasiado trabalhado na adega, mas tudo vem dos gostos de cada um.

Mas eu estou para aqui a falar e não sou pró nenhum, apenas cresci no meio disto. Em boa verdade, devia entender bastante mais que o que sei. Aprecio mais o processo da viticultura que da vinicultura.

Até estarás mais enfarinhado no meio do que eu.
Uma boa viticultura é essencial para se fazer um bom vinho.
Apenas creio que a Adega de Monção receberá muita uva de muito produtor local...
 
E fizeste muito bem.
Compra mais. O Vintage 2017 da Nieport foi um dos melhores de 2017 e um dos mais baratos.
Compra agora que daqui a 20 anos valem muito mais.

Comprei-o por ser o ano de nascimento do meu filho. Daqui a uns valentes anos, quando ele apreciar, é para abrir.
Até porque o meu sogro também comprou.
 
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