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Hoje ofereceram-me este branco.
Para mim completamente novidade, mas li coisas interessantes
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Aqui: Dona Niza é nova ‘estrela’ dos vinhos de Lagoa.
Dona Niza é nova ‘estrela’ dos vinhos de Lagoa
São 8200 garrafas de dois vinhos brancos, um da casta crato e outro da arinto, que estão ‘a postos’ para conquistar o mercado neste Verão. São o mais recente investimento do empresário lagoense João Raposo, da área da comunicação visual, e dão pelo nome de Dona Niza.
É a primeira produção do viticultor, que apostou na renovação de três propriedades no limite de Carvoeiro e Lagoa. Os Montes do Lobo, da Luz Bonita e do Pirolito perfazem sete hectares de terreno que até há quatro anos estavam abandonados. Uma paixão antiga, levou a que a primeira vindima, realizada no Verão de 2018, com 8400 quilos de uva apanhada, materializasse agora 6500 litros, dos quais 5500 são de crato branco e 1000 de arinto.
“Optámos por plantar estas duas castas porque são autóctones. Os meus avós, tanto os maternos como paternos, chegaram a ter naqueles terrenos, vinhas de crato”, recorda. A ideia foi usar castas regionais e a opção pelos vinhos brancos foi uma preferência pessoal, mas também uma estratégia.
“No Verão, aqui, bebe-se branco e todos produzem vinho tinto. Para não entrarmos em concorrência com mais um tinto é preferível concorrer com os brancos que existem, que não são assim tantos”, argumenta João Raposo.
Ainda assim, no futuro, o viticultor terá uma pequena produção de tinto, pois já foram plantados 3000 bacelos de negra mole, a famosa casta que deu fama aos vinhos de Lagoa em décadas passadas. “Vamos fazer a armação desta vinha nova dentro de mais uma semana. Para o ano, de certeza, que já vamos tirar algumas uvas. No entanto, só em 2021 é que deveremos ter tudo pronto”, diz. No total, das três castas, há 14 mil plantas.
O plano não inclui, porém, uma adega, pois é um investimento pesado. Isto, porque, por exemplo, fazer o vinho branco requer uma prensa própria que faça uma prensagem muito leve das uvas. Por esta razão, João Raposo recorreu à Adega Única, local onde descobriu a paixão pelo vinho, e ao enólogo João do Ó. “O processo foi todo acompanhado por nós. Demos algumas preferências sobre como gostaríamos que o vinho ficasse. Ele como bom técnico conseguiu fazer aquilo que pretendíamos e ficamos satisfeitos com o resultado”, refere. Em 2018, o Monte do Lobo foi o primeiro a vindimar no concelho, no final de agosto.
“Quis que a uva estivesse no ponto certo para que o vinho ficasse com alguma acidez, algo que fica sempre bem nos vinhos brancos”, caracteriza. Neste momento, o Monte do Lobo é o que está a produzir uvas, pois é o local onde foi plantada a primeira parte da vinha. O viticultor espera que em dois anos toda a propriedade trabalhe como um todo.
Aproveitar Carvoeiro
Com um sonho que começou há quatro anos, João Raposo quer aproveitar a proximidade a Carvoeiro para assumir uma ligação ao mar. “O mar traz sempre um bom ‘terroir’. Apesar da nossa exposição e Monchique ser um local alto, estamos bastante expostos. Sobretudo em relação à salinidade que entra naquelas uvas”, explica. Quanto à comercialização, João Raposo não quer apostar nas grandes superfícies comerciais.
“Neste momento, estamos a pensar numa dimensão local. Acho que não vale a pena criar falsas expetativas. Vou evitar colocar o vinho em supermercado, exceto talvez dois no concelho que são próximos e que privilegiam os produtores locais”, defende. Outra das apostas será na restauração do município. “Acho que, cada vez mais, os restaurantes começam a assumir a importância de ter um vinho local, para oferecer ao cliente, que quer provar os produtos locais e acho que isso é uma consciência que começa a aparecer nesse setor”, defende.
O entrave, às vezes, é o fator preço que leva a que os empresários não aceitem muito bem. Apesar de garantir que o valor por garrafa terá em conta o custo de produção, que tem um custo mais elevado em relação a uma produção maior, João Raposo não quer entrar no mercado com um vinho caro. “Tenho que ter algum retorno financeiro em relação aos anos de investimento, mas penso que será dentro dos valores médios de mercado dos regionais algarvios. Quero que tenha um equilíbrio entre preço e qualidade. Não quero enganar ninguém”, diz. O futuro passa ainda por melhorar e por assumir o Dona Niza como um vinho regional de proximidade, assumindo a terra, a vila e Lagoa como berço do vinho.
PAIXÃO DOS TEMPOS DE LICEU
Com raízes em Lagoa, que remonta aos avós, João Raposo tomou contacto com a arte de vinificar quando frequentava o antigo Liceu em Portimão, no 10º e 11º ano. “No final das férias, aceitavam pessoas para trabalhar na Adega Cooperativa de Lagoa. Ia sempre para a receção do mosto. Havia sempre a expetativa de quando chegavam as uvas com o mosto mais forte. As mais elevadas eram as últimas, as de crato branco, do Tenente Dias Ferreira”, conta. O valor era pago não pelo peso, mas pelo grau alcoólico. “Essas duas épocas marcaram-me. Foi daí que fiquei com a vontade de fazer vinho. Cheguei a esta altura da vida e deparei-me com os terrenos que estavam abandonados. Foi daí que surgiu a ideia. Arrisquei e concretizei o sonho”, confessa.
SENTIDA HOMENAGEM
Dona Niza é uma homenagem à mãe de João Raposo, que se chamava Dionísia. “Acaba por ser uma homenagem aos meus pais, pois só pode ter um nome. Quisemos respeitar e homenageá-los. Nem sempre é fácil escolher um nome, mas falámos em família, todos concordaram e eu avancei com o registo”, revela. “A minha mãe assinava com ‘s’, mas nós optámos por registar Niza, para não haver nenhum conflito com a marca dos Queijos de Nisa. Graficamente, o ‘z’ também dá um aspeto mais bonito”, admite.
VISITAS À VINHA SERÁ PROJETO FUTURO
A estimativa será que daqui por dois anos, os sete hectares de propriedade, dos quais quatro são vinha, estejam preparados para receber visitas de residentes e turistas à vinha. “Estamos a preparar o espaço e pensamos que ficará bastante bonito e agradável, com uma série de parcelas e caminhos à volta o que dará um aspeto romântico. Entretanto, estamos a criar condições para promover algumas provas e passeios”, explica. O viticultor quer ainda instalar um posto de vendas na propriedade, junto à estrada que liga Lagoa a Carvoeiro.
PRODUTOR EVITA USAR HERBICIDAS
O empresário afiança que não são utilizados herbicidas na vinha, sendo apenas aplicados os tratamentos normais para as pragas. “As ervas são apanhadas à mão, com recurso a máquinas e pessoas, como se fazia antigamente. É um cuidado com a vinha que nos sai muito caro”, diz João Raposo. Mas o caminho é seguir um modo de produção integrada. “Não vamos chegar mesmo ao biológico, porque é difícil, mas o caminho será usar a menor quantidade possível de produtos químicos no tratamento da vinha”, assegura. Não é fácil para quem não tem conhecimento na área investir na produção. “Sozinhos, podemos cometer muitos erros. Conheci o engenheiro Aníbal que tem sido um conselheiro e tem dado dicas muito importantes, bem como outros amigos”, resume. Há também informação especializada de diversas entidades, mas a realidade é que é muito técnica. “Há que reconhecer também os sintomas das pragas nas plantas, os fungos, os insetos. Independentemente da investigação que façamos, precisamos de saber o momento certo para atuar e, nesse caso, tenho uma pessoa a que recorro em prestação de serviços”, conclui.
RÓTULO PURO E SIMPLES
Apesar de ser proprietário de uma empresa de comunicação visual e artes gráficas, João Raposo quis encomendar o rótulo. Depois de alguma procura, lembrou-se de desafiar o artista plástico e ceramista Ian Fitzpatrick, da Olaria Pequena. “Tem um traço muito bom em termos de caligrafia. Fez o ensaio do Dona Niza e quando vi o resultado final verifiquei que era aquilo que eu pretendia. Queria um rótulo diferente, simples e sem muita confusão. Fiz a composição, a montagem do rótulo, mas o grafismo foi o Ian. No contra-rótulo, a descrição foi um amigo jornalista que fez e conseguiu dar um enquadramento adequado”, revela.
