Considero os lamborghinis os carros mais espectaculares dos respectivos segmentos; não são os mais rápidos, não são os que têm melhor dinâmica mas são aqueles que onde passam fazem desaparecer tudo o resto que esteja ao lado.
Este lambo, entra na gama do 918, P1 e LaF. Isto para dizer, que não segue o legado da marca (pelas fotos): não é o mais espectacular nem o mais exótico do grupo, muito pelo contrario. E temo que no resto também seja inferior.
Não tem nada a ver com esses 3.
Isto é a interpretação da marca sobre um hipotético GT de altas performances (independentemente de ser hibrido ou não), ao contrário dos outros 3, que são "especiais de corrida", máquinas exóticas, de produção limitada, com foco absoluto na performance.
Acho que o facto de ser mid-engine e apresentar esse valor de potência, pode enganar sobre o objectivo da máquina.
Mas a aparência não engana, nem aquele interior todo "pipi", muito mais luxuoso e "habitável" do que encontramos na Lamborghini, com tons claros, alguns ecos do passado, como o couro castanho.
E claro, o exterior.
Foco na visibilidade, estilo soft e mais uma vez, evocação de tempos idos, mesmo não caindo no retro.
E digo isto, porque a referência para o desenho deste carro é, curiosamente, o supercar Miura. Um dos primeiros carros de estrada com motor central, e tudo no seu desenho parecia-o esconder. Felizmente não seguiram a receita retro como aconteceu com o concept de alguns anos atrás, mas as proporções do Asterion são muito mais Miura que Countach. Ou seja, as proporções são mais dignas de um GT com motor frontal do que um superdesportivo com motor central traseiro. Comparem com o perfil do Huracan ou o Aventador e percebe-se facilmente as diferenças.
O capot é mais longo e plano, o habitáculo surge mais recuado e a traseira é relativamente curta. O pilar A mais vertical ajuda a essa percepção, quando a receita visual da Lamborghini desde o lançamento do COuntach tem sido uma quase fusão entre o plano do capot e o pilar A, como se de apenas uma linha se tratasse, um perfil verdadeiramente monovolume. O Asterion assume-se como um 2 volumes.
Mesmo nos videos e reportagens que já vi, fala-se numa posição de condução mais vertical e visibilidade acrescida para todos os lados.
Junte-se o estilo mais soft e curvilineo, afastando-se das referências mais acutilantes do Aventador e Huracan, e percebe-se que estão À procura de outro tipo de clientela.
Tendo em conta os rumores que apontam para o Urus ainda não ter tido luz verde para avançar, será que a Lamborghini vai-nos tentando para que o seu 3º modelo possa ser um GT em vez de um SUV?