Ainda não totalmente refeito da tenebrosa experiência recentemente vivida naquela a que chamam de Invicta, e aproveitando a minha jornada de hoje para lá do Marão (para lá do qual mandam os que lá estão, como disse o poeta, com todo o exagero natural de que a poesia é composta, ou poesia não seria ela), ávido de uma boa sande de carnes diversas com molho, à qual se convencionou epitetar de Francesinha, dirigi o meu passo vagaroso ao Restaurante Cardoso, em Vila Real. A mesma foi-me apresentada nos seguintes moldes, à primeira vista nada despiciendos:
Mas debalde! Fui brindado com dupla ignomínia, a saber: uma carne sangrenta, no limite do tragável, que se enrolava insidiosamente nas mandíbulas e se recusava a descer pela goela, para lá de qualquer tolerância ou boa vontade que pudesse mitigar o mau estar de sentir uma massa pastosa. Pelo que sem mais delongas tratei de devolver a mesma à procedência, exigindo mais do que aqueles prováveis míseros dez segundos de chapa. Não menos grave foi o estado lastimoso em que se apresentaram as batatas fritas, não apenas pré-congeladas mas, heresia máxima, confeccionadas em óleo de mil sóis e outras tantas luas.
O veredicto final foi francamente negativo e é com mágoa que se regista a queda a pique de uma casa que já foi referência nas francesinhas da capital transmontana.