TAP cresce cinco vezes mais que Europa
A TAP teve em 2010 um ritmo de crescimento cinco vezes mais forte que a média das suas congéneres de rede europeias associadas da AEA, de acordo com os dados a que o PressTUR teve acesso, segundo os quais a companhia portuguesa teve um aumento do tráfego de passageiros de 13,6%, enquanto a perspectiva da Associação europeia é de que o crescimento médio do sector tenha ficado em 2,5%.
As previsões avançadas pela AEA indicam que em 2010 as suas 36 associadas transportaram 335 milhões de passageiros, mais dez milhões que em 2009, o que significa um aumento da ordem dos 3%, e tiveram um crescimento de 2,5% em RPK (passageiros x quilómetros percorridos), unidade mais utilizada no sector.
A TAP, por sua vez, teve um aumento médio do número de passageiros em 7,7%, para 9,088 milhões, que é um novo recorde anual para a companhia, e em RPK, segundo avançou ao PressTUR o seu Gabinete de Comunicação, o aumento atingiu 13,6%.
A aviação usa preferencialmente o indicador de passageiros x quilómetros percorridos para avaliar o tráfego por considerar que do ponto de vista do seu negócio conta o número de passageiros transportados bem como a distância média que foi percorrida, porque não é a mesma coisa, tanto em receitas como em custos, viajar mil quilómetros ou dez mil quilómetros.
As estimativas da AEA para o ano de 2010 foram avançadas em comunicado no qual a Associação salienta que no ano transacto ocorreram eventos que distorcem a comparação com os anos anteriores, entre os quais avultam os encerramentos do espaço aéreo em Abril e Maio passados devido à nuvem de cinzas vulcânicas, os fechos de aeroportos em Novembro e Dezembro devido a nevões e um aumento da frequência e intensidade de greves, “muitas vezes em resposta a medidas de austeridade associadas à recessão e seus efeitos posteriores, especialmente na Zona Euro”.
A AEA assinala que segundo dados do Eurocontrol 160 mil voos foram cancelados na Europa por essas razões, cem mil dos quais pela nuvem de cinzas vulcânicas e que os outros 60 mil, por outras razões, traduzem um aumento de 150% em relação aos cancelamentos ocorridos em 2009.
“Com tantas perturbações a afectarem as tendências de tráfego, é difícil ter uma perspectiva clara do estado do mercado, mas há dados suficientes dos números mensais que sugerem uma tendência de crescimento, à medida que o ano foi avançando, na ordem dos 5% a 6%”, diz a AEA.
A Associação especifica ainda que na primeira metade de 2010 o sector ainda não estava a recuperar o tráfego perdido em 2009, pela recessão económico-financeira mundial, mas que na segunda metade já houve crescimento, embora fraco e ainda sem demonstrar a resiliência evidenciada em outras ocasiões de crise, como na sequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, da segunda Guerra do Golfo e da epidemia de SARS.
“Na Europa estamos a ficar atrás do resto do mundo”, diz nesse comunicado o secretário-geral da AEA, Ulrich Schulte-Strathaus, referindo-se ao crescimento mais moderado da aviação europeia.
A consequência é que as companhias europeias estão em desvantagem, acrescenta, para sublinhar que é “de importância vital” que o quadro regulador não seja ainda mais penalizador.
O comunicado diz ainda que a estimativa da Associação é de que em 2010 a aviação europeia tenha um “pequeno lucro operacional”, mas com grandes discrepâncias entre companhias, com algumas a terem resultados “impressionantes” e outra “ perdas significativas”.
“Mais consolidação parece inevitável nestas circunstâncias”, acrescenta Ulrich Schulte-Strathaus, que também reclama mais eficiência em toda a cadeia de valor da aviação.
Os últimos dados publicados pela Associação, ainda relativos aos meses de Janeiro a Novembro de 2010, indicam um aumento médio do número de passageiros embarcados em 2,8%, para 318,395 milhões, e um crescimento do tráfego em RPK em 2,7%.
Embora modesto, esse crescimento dos RPK, porque num quadro de ligeira redução da capacidade (em ASK = lugares x quilómetros percorridos), em 0,2%, leva a uma subida da taxa de ocupação dos voos, que é um dos indicadores mais escrutinados, em 2,2 pontos, para 78,1%.
Em relação à TAP, os dados publicados pela AEA indicam que de Janeiro a Novembro tem um aumento do número de passageiros embarcados em 7,6%, para 8,358 milhões, o tráfego em RPK cresce 13,9% face a um aumento da capacidade em 4,1%, tendo assim uma subida da taxa média de ocupação dos voos em 6,41 pontos, para 74,6%.
Embora ainda 3,54 pontos abaixo da taxa média de ocupação das companhias da AEA, a TAP, que até Outubro era a companhia com a maior subida deste indicador, tem uma forte recuperação, atendendo a que em 2009 ficou 8,13 pontos abaixo e em 2008 tinha ficado 9,32 pontos abaixo.
Os dados da AEA mostram ainda que a TAP, de Janeiro a Novembro de 2010, está claramente acima do período homólogo de 2008, considerado referência pré-crise mundial, tendo aumentos de 3,4% no número de passageiros embarcados, 8,7% em RPK e 7,12 pontos na taxa de ocupação.
A confirmar-se a estimativa da AEA de 335 milhões de passageiros transportados pelas suas associadas em 2010, este total ainda ficará aquém dos anos de 2006 (345,6 milhões), 2007 (362,9 milhões) e 2008 (350,3 milhões), se bem que entre estes anos também ocorram diferenças por alterações no leque de companhias associadas.
A AEA indica na sua última informação ter 36 companhias aéreas associadas, que anualmente transportam 377 milhões de passageiros e seis milhões de toneladas de carga, que em conjunto operam 2,8 mil aviões e diariamente fazem em média 12 mil voos para 630 destinos em 163 países.
A AEA diz ainda que as suas associadas empregam 392 mil pessoas e geram um montante conjunto de receitas de 82 mil milhões de euros.