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E como vê o mercado? E qual a tendência?
Até junho de 2022 estávamos num mercado a que chamamos de vendedor, em que quem vendia a casa era o rei. Colocava preços muito altos e como havia falta de produto e havia muitos compradores tudo se vendia. Era caro? Sim, mas as pessoas compravam porque não havia alternativa e achavam que passado dois meses ainda ia custar mais. À medida que as taxas de juro começaram a aumentar deixou de haver tantos compradores. Nem todos os que querem comprar podem, ou podem mas tem de ser uma casa mais barata. E o número de transações desce. Houve um crescimento das transações em 2022, mas porque os primeiros seis meses foram muito bons. Mas no final do ano, o número já estava a descer e o mercado passou a ser aquilo a que chamamos de mercado comprador, onde quem consegue o crédito é o rei. E quem está a vender vai depender muito do comprador. Por exemplo, posso dar por esta casa 185 mil euros. Aceita ou não? Se não aceita vou procurar outra porque é o máximo que posso gastar. O que é que isto faz? As casas já não são vendidas pelo valor que quer o proprietário e começam a descer de preço.
E qual vai ser essa descida?
Pode ser 10, 15 ou 20, mas já começaram a descer. Agora como tudo na vida há um senão. Se querem um típico apartamento na Avenida da Liberdade ou no Chiado como não há oferta o preço continua a ser alto e continua a ser vendido.