Como adepto de futebol, e polémicas à parte (deixo isso para as minhas "brincadeiras" com amigos), tenho, desde algum tempo a esta parte, um sentimento estranho em relação a estas "novas regras" e à usurpação daquilo que deve ser o VAR. E passo a explicar.
1. Claro e óbvio. Ora, isto significa que não pode haver espaço para a interpretação. Infelizmente é o que mais acontece. Ou o lance é um erro grosseiro e analisado em poucos segundos como algo, lá está, claro e óbvio, ou então compromete o protocolo do VAR. E se compromete, não deve ser escrutinado pelo mesmo. Como é que se compreende que o VAR assinale lances que estão minutos a ser analisados para se tomar uma decisão? Como se percebe que o VAR assinale lances que depois o árbitro reverte? Onde está o claro e óbvio nestas situações?
2. Contactos. Anda-se a procurar pequenos contactos dentro de área que, na maioria das vezes, não têm qualquer impacto na disputa de bola, e consideram-se faltosos. Contactos esses que acontecem inúmeras vezes no meio campo e não se assinalam (e bem, diga-se). Antigamente era ao contrário, assinalava-se "tudo" no meio campo e muito pouco na área. O futebol é feito de contactos, há que ver se esses contactos têm uma relação causa-efeito. O que acontece, e tem acontecido muito, é que por causa destes lances serem constantemente assinalados, temos jogadores que ao mínimo toque dentro de área viram actores, teatralizando o lance e levando à marcação de grandes penalidades. Se não fossem assinalados de forma tão leviana, certamente que estes comportamentos diminuíam drasticamente.
3. Mãos na bola. Eu ainda fico surpreendido quando agora todas as mãos na bola são penaltis. Um jogador tem que ter os braços encostados ao corpo para não ser penalti. Como é que se chegou a este ponto? Há um centro para a área, o defensor tem o braço para baixo ligeiramente aberto, a bola vai direitinha à mão/braço, não existe qualquer movimento do braço nesse sentido e...penalti. Um jogador disputa uma bola nas alturas, perde o lance, o adversário cabeceia a bola, que até nem vai na direção da baliza, bate-lhe no braço sem sequer ter feito nada para tal acontecer e...penalti. Isto faz sentido? Deixou de haver espaço para a intencionalidade e bom senso.
4. Fora de jogo. Se existe mão humana na colocação de pontos num qualquer programa, então tem que haver uma margem, seja ela de 10/15/20 cms, mas tem que haver. Se for algo a nível tecnológico, aí compreende-se que não haja qualquer margem.
Tudo isto devia ser revisto rapidamente sob pena de se tornar o futebol dos penaltis dos micro-contactos e das bolas nas mãos, dos fora-de-jogo de 2 cms, e da adulteração do claro e óbvio do VAR.
O VAR deveria ser usado como tem sido na champions, simples e básico, não é preciso inventar nada. Erros grosseiros apenas. Em Portugal é que usam o VAr a belo prazer para situações que nalguns casos nem dúbias são.
Obviamente que há sempre ali uma questão subjetiva, nas mãos como falas, é o principal problema que o VAr nunca vai resolver, em minha opinião deve prevalecer a decisão do arbitro no jogo nesse caso.
Depois há os árbitros ou os VArs que sofrem de cegueira como foi o caso do penalty do Sporting desta semana, que é um lance claro e objetivo (só para dar um exemplo que toda a gente se lembra, não para alimentar polémicas), nestes casos o problema não é o VAr nem há muito a fazer que não seja castigar exemplarmente este pessoal.
Relativamente ao fora de jogo, terá sempre mão humana na maioria dos jogos e existe sempre uma possibilidade de erro efetiva, que deve ser colmatada como em Inglaterra, há uma margem onde é sempre considerado em jogo, beneficia o ataque.
A tecnologia como se tem visto estes dias no ténis com o olho de falcão erra e por margens ainda significativas, se juntarmos a mão humana ainda mais amrgem para erro há. Aqui deve prevalecer a equidade, que é o que se tem feito no tenis.
