Por alto temos Trasaero (4), Virgin (6), Air Austral (2), Amedeo (20). E duvido que a AF queira os últimos 2 da sua encomenda original.
O A380, como disse, está longe de ser um sucesso e ficou muito abaixo das expectativas. É um modelo de nicho que só pode funcionar em companhias que tenham trunk routes muito fortes. Quem o comprou por prestígio (Malásia, Thai, por exemplo) duvido que queira repetir a experiência. E é um modelo que em momentos de dificuldade interna (a Qantas é um exemplo) é delicado.
Mas também é um modelo que dá muito dinheiro a ganhar quando funciona: Emirates, Singapore, LH, BA estão mais que satisfeitas com ele. Particularmente a BA claramente subestimou os que consegue ter e não me admirava nada numa adição nos próximos tempos...
Mas o facto é que ao ritmo que se está a produzir (20-25/ano) a Airbus consegue ter break-even de produção com base no backlog realista nos próximos anos. E enquanto isso acontecer, a Airbus não tem necessidade de fechar a linha.
Parece-me que este ano e o próximo vão ser interessantes para perceber se a Airbus consegue as encomendas suficientes para sustentar uma bridge de produção para um eventual NEO já com uma nova geração de motores que lhe permita um gap de eficiência face ao 777-9X que justifique a sua existência. Algo só com um EIS lá para 2025...
Se não o conseguir teremos o A380 a morrer no final da década.
De rumores fala-se há anos da Turkish e, mais recentemente, de um operador americano (que simbolicamente seria uma grande lufada de ar fresco no programa). Vamos ver, eu não contava nem com grandes euforias nem com um funeral precoce.
Até porque as coisas estão sempre a mudar. Os preços actuais -e no futuro próximo- do crude vieram dar uma nova vida às operações do A380.
O mesmo para o 777-LR que está, veja-se as novidades dos últimos dias, a regressar a trajectos de ultra longo curso que eram inviáveis. Empresas como a Emirates chegaram a usá-los em rotas "curtíssimas"(Dubai Lisboa) tal era a sua falta de viabilidade aos preços da altura para o pôr nas rotas para as quais foi desenhado. Agora já o querem pôr a ir para a Nova Zelândia. Se calhar outras que se livraram deles, agora até os queriam ter...
Outra grande incógnita é o mercado de usados do A380. Irão os operadores usá-los "até o D-check" ou prolongar as leases se for o caso?
Uma coisa parece ser...o singleclass mega jumbo de 853 lugares para longo curso lowcost parece ter sido um mega flop. O A380 parece só fazer sentido em 3/4-class. Só mesmo agora a Emirates arrisca uns quantos em 2-class.