Eu acho que estás a acordar 20 anos atrasado. A dependência já existe neste momento. Mas não é da nossa reponsabilidade enquanto consumidores resolvê-la. Eu não aceito uma responsabilidade que não é minha, de pesar dimensões que me ultrapassam e das quais não tenho dados completos. É das entidades políticas europeias e construtores.
No caso da indústria e produtos chineses a opção é muito simples: Ou não permitem a entrada como os EUA (e não é por isso que a indústria americana de carros está bem de saúde...) e somos impedidos de comprar os veículos sujeitando-nos ao que há, ou deixando entrar os produtos chineses, que não são só mais baratos, há muitos efetivamente melhores, não se pode andar a culpabilizar ou rebaixar os consumidores quando os compram. Façam escolhas, não transfiram as responsabilidades para os cidadãos. Até porque quando se trata de baixar salários ou fechar fábricas aí já não há cá preocupações com a dependência externa, empregos europeus e know how. Aí é "boa gestão".
Aliás são os próprios construtores europeus a fazer alianças com eles e a ser contra o protecionismo. Esta é a realidade. Têm que saber viver com ela.
Não estou 20 anos atrasado. Quanto muito, estou a olhar 20 anos à frente.
Eu concordo contigo numa coisa, não é responsabilidade individual do consumidor salvar sozinho a indústria europeia. Cada um compra o que pode e o que faz sentido para a sua vida. Se o MG cumpre o que precisas e cabe no orçamento, fazes bem em comprar.
O problema é que a mentalidade de “eu compro mais barato e o resto não é comigo”. Isso funciona no imediato, mas a economia não funciona em compartimentos isolados. O dinheiro que gastas num lado alimenta esse lado. O dinheiro que deixa de circular cá deixa de voltar cá.
Vejo isso todos os dias. Tenho clientes que compram produtos de 5€ e ainda pedem desconto. E tenho clientes que gastam 1000€ e ainda deixam gorjeta. São mentalidades completamente diferentes.
Conheço uma empresa ligada à hotelaria que faz questão de não comprar tudo no supermercado. Quando compra vinhos, vai diretamente às caves. Quando precisa de certos produtos, tenta comprar no comércio local. Podia comprar mais barato no supermercado? Muitas vezes sim. Mas depois, quando aparece alguém nas caves a perguntar onde ficar, recomendam aquele hotel. Há retorno. Há relação. Há economia local a funcionar.
Quando compras tudo no supermercado, na Amazon, no AliExpress ou diretamente à China, pode sair mais barato naquele momento. Mas dificilmente esse dinheiro volta para ti. Não te manda clientes, não te sustenta o emprego, não sustenta a empresa do teu vizinho, não mantém oficinas, fornecedores, fábricas ou serviços à tua volta.
Tu defendes que somos pobres e a única solução é comprar o mais barato possível. Já eu prefiro uma economia forte, com bons salários, indústria competitiva e pessoas com poder de compra para escolher bons produtos sem andar sempre no limite.
Qual das duas versões preferes?