É isso que tenho andado a dizer.
Quando o Ice disse que andava a ver um MG, eu disse logo, se é o que faz mais sentido para ele, tudo bem. Não é uma compra isolada que destrói ou salva a economia europeia.
A questão é mais larga. A haver mudança, tem de ser um esforço de todos. Desde o pequeno consumidor ao grande produtor e especialmente a classe política. Mas pela mentalidade que se vê, isso está muito difícil.
Eu, dentro do possível (porque sei que é impossível) tento comprar o mais próximo possível e chamar a atenção para isso. Não por patriotismo bacoco, mas porque percebo que a economia é circular.
E é essa a mentalidade que eu defendo. Eu não tenho inveja se o meu vizinho andar de Classe S. Eu quero é que o meu vizinho possa andar de Classe S, porque isso significa que há dinheiro, bons salários, empresas fortes e poder de compra. E se a economia à minha volta estiver mais forte, inevitavelmente também ganho com isso.
Tomara eu que, em vez de andarmos aqui a discutir se alguém compra um Dolphin ou um B5, estivéssemos a discutir se comprava um Macan ou um iX3.
Imagina o seguinte cenário: Se a VW me tivesse proposto o IdPolo com a bateria de 50kw/h LFP que tem no Id3, com aquele equipamento que considero absolutamente essencial (bomba de calor, pack inverno, pintura metalizada) pelos tais 32k, acredita que era o que tinha comprado. Dava mais 3 mil euros mesmo fazendo algumas concessões de espaço, câmara 360, ventilação atras. Gosto da marca e do carro e podia contribuir para a tal economia de proximidade, algo que faço no dia-a-dia por exemplo em relação à alimentação, calçado e turismo.
O problema é que a oferta das marcas europeias é tão distante daquilo que eu em particular preciso e posso pagar que é impossível para mim dar esse passo de sacrifício. O esforço tem que, pelo menos, ser mútuo.
O trio chinês de que falava atrás (B05, Urban, Aion UT) deviam chamar-se Fiat Tipo, Opel Astra, Ford Focus, Skoda Scala, Mitsubishi Lancer ou Citroen C4. Modelos que existiram sempre com uma boa relação entre produto e preço e que eram a espinha dorsal da motorização da classe média europeia.
Em vez disso as marcas legacy preferiram tentar ser cool, bué inclusivas, modernaças, lançar SUVS caros sob pretexto de um lifestyle incomportável e desligado de uma grande parte dos europeus comuns, de classe média. Nem todos os carros têm que ser retro-cool como a R4/5 que se fazem pagar de preços absurdos e não oferecem nada de especial em troca além do design. Nem todos podem ou querem andar de SUV de 2 toneladas com 1,90m de largura e 4,80 de comprimento com 400cv.
As marcas europeias têm que voltar a oferecer carros normais, mesmo que não sejam particularmente excitantes, com boas qualidades e segurança sem que isso signifique obrigar os cidadãos a gastar uma fortuna. É isso que os chineses estão a fazer com algum sucesso.