"Mais do que a gasolina, o gasóleo tem sido, este ano, alvo de fortes aumentos. Só na semana passada, o preço do litro foi agravado em três cêntimos, prevendo os revendedores que, até à próxima sexta-feira, atinja o euro e trinta cêntimos.
As associações do sector – tanto a dos revendedores (ANAREC) como a das petrolíferas (APETRO) – falam da enorme pressão internacional, alegando que, se a escalada do preço do barril do petróleo continuar a este ritmo, “o mais certo é que o gasóleo rodoviário ultrapasse, até ao fim deste ano, 1,5 euros por litro, na venda ao público”.
António Saleiro, empresário do ramo e presidente da Associação dos Revendedores da Petrogal (ARCPN), diz que “o mais certo é que a barreira de 1,5 euros seja ultrapassada ainda antes do final do ano”, sublinhando que “chegámos ao ponto em que os aumentos, do gasóleo e da gasolina acontecem praticamente todos os dias e ninguém diz nada”.
E Saleiro diz mesmo que “os grandes culpados desta situação insustentável estão devidamente identificados: o Governo e a Autoridade da Concorrência”.
O empresário e dirigente associativo assegura que “não há razão nenhuma para que os combustíveis estejam tão caros em Portugal” e salienta que “nem o aumento do petróleo nem os impostos sobre os produtos petrolíferos obrigam a esta subida desmesurada dos preços”.
E explica porquê: “O petróleo passou a barreira dos cem dólares, mas a verdade é que a subida do euro face ao dólar tem sido ainda mais acentuada. Repare-se que o barril do petróleo está a menos de 75 euros [como consequência da valorização da moeda europeia face ao dólar], idêntico ao que se verificava há três anos, quando o litro do gasóleo se cifrava nos 90 cêntimos. Quanto ao imposto, devo esclarecer que se trata de um valor fixo que não sofre qualquer actualização há mais de dois anos. Estas desculpas são, portanto, falaciosas.”
De resto, António Saleiro diz que “as coisas só não mudam porque os revendedores vivem num terrível clima de medo e não se atrevem a afrontar as petrolíferas”. E sem uma intervenção do Governo, diz Saleiro, o gasóleo vai, sem dúvida, ultrapassar, este ano, o 1,5 euros por litro.