Repara, Português ao Volante, eu optei por não te responder à provocação do Slummdog Millionaire porque entendia, entendo, que se para fazer valer as nossas opiniões temos de menorizar aquele(s) que têm uma opinião contrária à nossa isso diz muito quer da nossa personalidade quer da incerteza que temos na força dos nossos argumentos.
Amigo, eu não faço provocações... tenho mais que fazer que andar a picar pessas atrás de um teclado. Eu quero é debater tópicos com outras pessoas com opiniões diferentes da minha.
O que fiz foi apenas uma analogia para te mostrar de uma forma mais clara porque é que considero que eles estão a atravessar a linha e a entrar claramente em território de plágio, OK?
Quanto ao resto, ao sumo, tu estás a criticar o formato que eles estão a utilizar, mas por outro elogias o formato que eles usavam quando surgiram pela primeira vez, quando a verdade é que também esse é um "plágio" (na tua óptica) ao Monthy Python Flying Circus.
Não, não, não. Estás a apanhar tudo errado. Há uma diferença entre um GÉNERO (humor, musical, filme, etc) e um INSTÂNCIA (os programas, álbuns, filmes de cinema).
Uma coisa é eu gostar de Tarantino e fazer filmes do mesmo género. Outra bem diferente é fazer filmes que são uma cópia descarada dos do Tarantino, só muda o país onde é feito.
Para ser igual só faltava terem um gajo com jeito para o desenho. O que é certo é que inovaram nesse programa, porque aquele tipo de humor ainda não se tinha feito em Portugal. Tal como, na minha opinião, acontece com este programa que estão a fazer agora e que se segue a alguns programas menos bem conseguidos em que me parecia que de facto eles tinham estagnado.
Não estou para aqui a fazer de advogado de defesa deles nem tenho qualquer especial reverência para o grupo, apenas a gratidão por já me terem feito rir muitas vezes desde que surgiram naqueles sketches iniciais d'o Perfeito Anormal e a sensação de que nesta altura é cool criticá-los. Estão na fase "Nuno Markl".
Quero lá saber se é cool. Critico-os porque não estão a fazer um programa inspirado no Daily Show, estão a copiá-lo descaradamente! Volto a frisar, há uma gigantesta diferença entre estes dois conceitos, inspirar e copiar.
O Markl pode ser muita coisa, mas ao longo destes anos todos é um argumentista coerente. Quando é argumento original é, quando é inspirado é dito, quando é "copiado" (sketches dos Monty Python), não é uma cópia: é uma conversão clara e com a aprovação destes (até o Terry Jones gostou).
Não estou a ver o Markl a copiar piadas descaradamente.
De resto, a minha esperança é que este programa continue por muitos e bons anos pois a tendência será afastarem-se cada vez mais do Daily Show, à medida que amadureçam como humoristas e que os próprios convidados se consigam distanciar cada vez mais do politicamente correcto. Para já há uma coisa que me parece inegável: têm um certo estatuto que adquiriram por mérito próprio que lhes permite convidar quem quer que seja e fazer-lhe basicamente as perguntas mais indiscretas sem que isso leve o convidado a recusar o convite inicialmente ou a fazer cara feia no decurso da entrevista.
Infelizmente, acho que já estão na fase pós-maduro... mais podres, pois é feio o que estão a fazer. Lá por dizerem que é inspirado no Jon Stewart, não tira o facto de andarem a colher lucros da ignorância de quem não conhece o formato original, sem se darem ao trabalho de meter um pentelho de originalidade.
Se é inovador ou simplesmente uma pedrada no charco social português, isso é apenas uma questão de semântica que pode interessar bastante a quem viva e seja pago para fazer essas análises mas que a nós, carolas, penso que devia passar ao largo.
Pois, mas no final, o saldo é simples:
O Daily Show ganhou o 7º Emmy consecutivo, é o programa de comédia mais visto nos EUA, e etá melhor que nunca.
Os Gato Fedorento devem ganhar um globito de ouro por falta de mais candidatos, e em 3 anos já ninguém se lembra deles. Com muita pena minha, mas digamos que a curva descendente deles é mais que evidente.