citação:Originalmente colocada por corsa
Antes de mais quero pedir desculpa mas... (re)li este tópico assim um pouco... á pressa.
Queria aqui apenas deixar uma questão que penso fazer todo o sentido e gostava de ouvir os vossos pontos de vista: tenho uma filha com 4 anos (foto numa das páginas anteriores) e ela, de vez em quando quer vir dormir para a cama dos pais. Não creio que isso seja nada demais mas "coloco-me" no lugar dela e penso: então eu com 4 anos tenho que dormir sozinha e os meus pais sendo "mais crecsidos" do que eu dormem juntos...
Comentem sobre este ponto de vista (que creio que faz todo o sentido) pf!
Quer dormir na mesma cama com a mãe...
"No seu caso, receita-se uma cama!"
"... Mas há um remédio com esse nome?"
Não, minha senhora, não há remédio algum com esse nome. Mas o remédio para o caso do seu filho é esse mesmo: uma cama, este clássico móvel que as pessoas usam para dormir inclusive.
Acomodar o seu filho no seu leito conjugal é um erro com graves consequências futuras e nesse erro incorrem milhares de casais.
A mãe justifica que o menino é "muito pegado" a ela, e que "não faz mal porque ele ainda é muito pequeno". Muito bem! Até quando será possível tolerar essa situação? "Quando ele for grandinho, naturalmente que dormirá noutro quarto..."
Bem quando ele for "grandinho", então, o mal que se poderia fazer terá chegado a seu término. A mãe irá "aconchegá-lo", novamente, para que o "proteja". Nessa fase não receitarei mais uma cama! Ele precisará, talvez, de um dispendioso tratamento psicológico, demorado e paciente. E, possivelmente, reflectirá na sua vida social a "carga negativa" que o acompanha! Ah, a senhora conhece muitas pessoas que quando meninos dormiam com os pais e que não padecem dos "nervos"? Dormir na cama dos pais não causa uma "doença nervosa", propriamente dita, o que provoca ou pode provocar é uma série de
distúrbios na formação da personalidade do indivíduo. Distúrbios que poderão vir à tona sob a forma de desvios, perversões, fixação e complexos diversos que marcarão a vida do adulto mais tarde.
E veja bem: mesmo dormindo numa outra cama, mas no mesmo quarto, continua a ser uma prática nociva; pois, a vida íntima do casal não deve constituir um espectáculo para os olhos da criança.
Diz a senhora que o "inocentinho" não percebe nada... Pois sim. Os adultos facilmente esquecem que a perceptividade da criança é mais "apurada" do que se imagina e que as imagens gravadas até aos quatro anos de idade, no seu inconsciente, podem determinar as mais variantes normas de conduta e atitude, reflectindo-se, depois, à distância, como um nódulo ignorado mas actuante sobre o seu Ego, na sua vida futura.
As crianças devem ser habituadas a dormir na sua própria cama num outro compartimento, sem a participação de adultos. Devem ser habituadas a deitarem-se a uma hora certa e a adormecer naturalmente. Sem ameaças, sem rituais e sem medo. O medo que algumas crianças têm do escuro ou do isolamento é-lhes incutido pelos adultos que exaltam a sua imaginação com histórias impróprias ou com o terror condicionado: "se não dormires logo vem o papão e leva-te" ou qualquer outra variante ridícula.
Se algum familiar já se encarregou de lhe "semear" o medo, cesse essa influência malévola - explique que tais "coisas" não existem, incutindo-lhe a noção de segurança que deve sentir no seu lar.
Preparar uma pequena estante de brinquedos ao lado da cama da criança pode transmitir-lhe alguma segurança. Aquele será o seu "território", onde poderá desenvolver-se guiado por sadias normas e onde lhe poderá incutir hábitos correctos.
A criança deve dormir na sua cama e fora do quarto dos pais. Esta é mais do que uma receita. É uma orientação para que ele possa vencer as diversas fases da evolução natural dos seus sentimentos em relação aos pais, condicionadas por um fenómeno psicológico conhecido pelo nome de Complexo de Édipo.