Amici forunisti,
Hoje foi o meu dia de conduzir pela primeira vez um Porsche
O modelo em questão é um 911 Carrera 4 (964), penso que de 1991. Negro, com as tipicas jantes Porsche
que desapareceram no 996 e prometem reaparecer no 997.
O primeiro contacto, o visual, não me agrada particularmente, devido à excessiva altura da saliência
que vem do pilar A aos faróis frontais. Por esta razão e para ser sincero, só comecei a gostar
(estéticamente) do 911 a partir do último 993.
Entrando no carro, gostei muito do interior, mesmo sendo um carro com mais de 10 anos. E já contava
com coisas muito interessantes, como o duplo airbag, vidros e retrovisores eléctricos, climatização,
rádio CD Porsche com excelente som, regulação eléctrica das acolhedoras bacquets em pele negra, entre
pormenores que me terão escapado. Não que alguma destas coisas interesse verdadeiramente num Porsche,
mas para dar uma apreciação global.
Já instalado (não achei o acesso demasiado complicado, ainda que sem dúvida baixo), disfruto da
regulação eléctrica para encontrar uma posição de condução favorável, embora lamente o facto de o
volante não ter qualquer tipo de regulação. Bem, mas que se lixe, ia conduzir um Porsche.
Dou à chave, tipicamente localizada à esquerda do volante. Atrás começa a ressonar um boxer de 6
cilindros. Penso que ressonar é mesmo a melhor palavra para descrever o seu som ao ralenti, que, de
novo confesso, não me soa fantástico, ainda que poderoso. Pé na embraiagem, encontro-a muito pesada.
A direcção, idem...
E arranco.
Eu não sou mesmo nada habituado nestas andanças, mas fico assombrado com a subida de regime, com a
resposta do acelerador à minima pressão. Escusado será dizer que o arranque foi bem maçarico, a fazer
mais barulho que sei lá o quê [8D]
Já na estrada, a única palavra que me ocorre para descrever a aceleração do carro é: brutal! Não se
assemelha a nada que tenha conduzido antes. E melhor, o som do boxer em carga transfigura-se... é
como se daquele "ressonar" acordasse mal disposto. Reclama, mas eu não me importo. Soa fantástico!
Bem, o percurso feito era de uns 6km e sem grande estrada aberta, predominantemente citadino, pelo
que não deu para grandes aventuras. Ao invés, deu para testar a praticabilidade do carro. E... não é
muita. A direcção e embraiagem pesadas são fortes handicaps, bem como a brutal resposta do
acelerador. Os comandos de um carro são o interface entre a máquina e o condutor, e por conseguinte,
achando-os eu de accionamento complicado, não consegui estabelecer uma perfeita simbiose, pelo que me
sentia algo inseguro. A falta de hábito também muito contribuiu para isto. Mas uma maneira de
contornar alguma "nabice" era utilizar uma mudança alta. Ele aguenta perfeitamente uma 4ª a 40km/h e
mesmo assim transmite uma constante sensação de força...
Foram 10 minutos e acabaram. É dificil de sumariar as sensações. Em todo o caso, a experiência foi
fabulosa, não haja dúvidas. Nunca senti tanto poder debaixo do pé direito.
Mas chego à conclusão que não sou grande apreciador de carros antigos (ainda que este o seja apenas
em pouca medida - imagino o contacto que teria com alguns mais «puros & duros», lembrando-me de um
extremo de impraticabilidade, Lamborghini Countach) De certeza que alguns mimos de um bem mais
prático 996 tornariam a experiência mais gratificante.
Espero no entanto ter uma segunda chance de apreciar devidamente o 964 Carrera 4, desta feita em
habitat que lhe seja bem mais favorável.
1 Abraço!
PS: A sensação de voltar à terra com um 147 a diesel é terrível: mas que arrastadeira!
[8D]