Porsche 911 Turbo 1991 vs. Porsche 911 Turbo 2000
Uma década de evolução
O 911 é o modelo mais famoso da marca Porsche. E as versões Turbo sempre foram as mais impressionantes e desejadas, tanto em 1991, quando foi lançado o último modelo com tração traseira, como o mais recente 911 Turbo
O primeiro modelo Porsche 911 foi lançado em 1963. O primeiro 911 Turbo surgiu em 1974, tinha 260 cv e atingia os 250 km/h. Em 1991 a Porsche produzia os últimos modelos com tração traseira com a série 964. O 911 Turbo seria o último com tração nas rodas traseiras, com 320 cv de potência e velocidade final de 270 km/h.
Para começar, temos de dizer que a Porsche investiu bastante na Série 964 a partir de 1989. O 911 Turbo de 1991 foi o primeiro com suspensão dianteira McPherson, antes dele, os Turbo tinham suspensão com barras de torção. A carroceria é das mais bonitas com saias e pneus largos que saíam dos limites dimensionais do Carrera 2. O aerofólio traseiro, um eterno símbolo dos Turbo, atingia aqui as suas maiores proporções, assegurando apoio aerodinâmico e alimentação de ar para o intercooler.
Os nove anos que o separam do novo 911 Turbo (o veículo comparado foi um modelo 2000) parecem muito mais, pois a série 996 abandonou muito das linhas originais. As grandes diferenças estão nas entradas de ar dianteiras e laterais, que fornecem ar para os radiadores de água - coisa que o modelo 1991 não precisa, pois seu motor é refrigerado a ar - e para o intercooler, que está dividido em duas partes colocadas atrás das rodas traseiras. O aerofólio traseiro é minúsculo se comparado ao modelo 1991, mas tem um sistema de elevação automático que o ergue acima dos 120 km/h e fornece 9 kg de downforce a 305 km/h.
Entrar num 911 de 1991 é como reencontrar um velho amigo. Reencontrar um painel com enormes instrumentos redondos, com os pedais articulados no piso, com o volante fixo, mas com o mesmo desenho dos bancos de couro com encostos de cabeça integrados e a mesma colocação da chave de ignição do lado esquerdo. Porém, o novo modelo é mais organizado, com maior espaço interno na frente, mas principalmente na parte de trás.
Para se ter uma noção, o 911 Turbo de 1991 deste comparativo tem motor 3.3 litros e possui 320 cv de potência, 70 cv a mais que o Carrera 2 da mesma época. Hoje, um Carrera 2 tem 100 cv a menos que o Turbo, mas tem a mesma potência que o 911 Turbo de 10 anos atrás.
O som rouco do motor refrigerado a ar é inconfundível e único. Ao seu lado, o barulho do motor refrigerado a água parece uma remasterização em CD de um original gravado em vinil.
Até os 4 000 rpm, o motor de 1991, com um só turbo, mostra-se enérgico. Ao dirigi-lo o motorista reencontra o significado original da palavra Turbo: é literalmente um empurrão pelas costas - no futebol seria uma falta grave - uma descarga de potência que atira o 911 vermelho para frente. Atenção e determinação são as qualidades necessárias para guiá-lo. É preciso respeitar a sua gênese, o seu DNA.É preciso saber manter o pé direito embaixo quando o instinto diz para levantá-lo. É preciso recordar que este 911 Turbo não possui diversos recursos tecnológicos do novo 911 Turbo. Existem algumas "ajudas", mas é preciso saber ser ajudado. O câmbio tem um comando melhor e mais preciso que no novo 911 Turbo, os freios têm uma resposta inicial mais violenta, mas também mais reconfortante. A direção assistida fazia sua estréia no modelo de 1991, resultando num maior controle, mais estabilidade e melhor dirigibilidade.
No modelo 2000 tudo se passa com uma maior dose de confiança. Tem-se rapidamente a noção de que, apesar de 100 cv a mais, o ponteiro do conta-giros só passa a subir de verdade a partir das 3 000 rpm, resultado de dois turbos menores que geram a mesma pressão de 0,7 bar. Mas a verdade é que o velocímetro conta uma história diferente. Aquilo que parece suavidade é de fato potência pura, é velocidade adquirida a um ritmo de difícil compreensão. É rodar a 200 km/h quando se pensa estar a 140 km/h. Aqui o exercício é o de deixar de pensar que está tudo sob controle. Porque pode não estar...
A suspensão do modelo atual tolera os pisos ruins de uma maneira, digamos, bastante agradável. No seu antecessor tudo se passa com mais violência, como se estivéssemos dirigindo um carro de competição. As experiências de condução são realmente muito diferentes. Dirigir o 911 Turbo de 1991, o último com motor refrigerado a ar e tração traseira, é como fumar um charuto, um ato planejado, exclusivo e que deve ser saboreado em todos os momentos. Dirigir o novo 911 Turbo é como fumar um cigarro, um ato diário, mas que rapidamente se torna um vício insuperável.
Uma década de evolução
O 911 é o modelo mais famoso da marca Porsche. E as versões Turbo sempre foram as mais impressionantes e desejadas, tanto em 1991, quando foi lançado o último modelo com tração traseira, como o mais recente 911 Turbo
O primeiro modelo Porsche 911 foi lançado em 1963. O primeiro 911 Turbo surgiu em 1974, tinha 260 cv e atingia os 250 km/h. Em 1991 a Porsche produzia os últimos modelos com tração traseira com a série 964. O 911 Turbo seria o último com tração nas rodas traseiras, com 320 cv de potência e velocidade final de 270 km/h.
Para começar, temos de dizer que a Porsche investiu bastante na Série 964 a partir de 1989. O 911 Turbo de 1991 foi o primeiro com suspensão dianteira McPherson, antes dele, os Turbo tinham suspensão com barras de torção. A carroceria é das mais bonitas com saias e pneus largos que saíam dos limites dimensionais do Carrera 2. O aerofólio traseiro, um eterno símbolo dos Turbo, atingia aqui as suas maiores proporções, assegurando apoio aerodinâmico e alimentação de ar para o intercooler.
Os nove anos que o separam do novo 911 Turbo (o veículo comparado foi um modelo 2000) parecem muito mais, pois a série 996 abandonou muito das linhas originais. As grandes diferenças estão nas entradas de ar dianteiras e laterais, que fornecem ar para os radiadores de água - coisa que o modelo 1991 não precisa, pois seu motor é refrigerado a ar - e para o intercooler, que está dividido em duas partes colocadas atrás das rodas traseiras. O aerofólio traseiro é minúsculo se comparado ao modelo 1991, mas tem um sistema de elevação automático que o ergue acima dos 120 km/h e fornece 9 kg de downforce a 305 km/h.
Entrar num 911 de 1991 é como reencontrar um velho amigo. Reencontrar um painel com enormes instrumentos redondos, com os pedais articulados no piso, com o volante fixo, mas com o mesmo desenho dos bancos de couro com encostos de cabeça integrados e a mesma colocação da chave de ignição do lado esquerdo. Porém, o novo modelo é mais organizado, com maior espaço interno na frente, mas principalmente na parte de trás.
Para se ter uma noção, o 911 Turbo de 1991 deste comparativo tem motor 3.3 litros e possui 320 cv de potência, 70 cv a mais que o Carrera 2 da mesma época. Hoje, um Carrera 2 tem 100 cv a menos que o Turbo, mas tem a mesma potência que o 911 Turbo de 10 anos atrás.
O som rouco do motor refrigerado a ar é inconfundível e único. Ao seu lado, o barulho do motor refrigerado a água parece uma remasterização em CD de um original gravado em vinil.
Até os 4 000 rpm, o motor de 1991, com um só turbo, mostra-se enérgico. Ao dirigi-lo o motorista reencontra o significado original da palavra Turbo: é literalmente um empurrão pelas costas - no futebol seria uma falta grave - uma descarga de potência que atira o 911 vermelho para frente. Atenção e determinação são as qualidades necessárias para guiá-lo. É preciso respeitar a sua gênese, o seu DNA.É preciso saber manter o pé direito embaixo quando o instinto diz para levantá-lo. É preciso recordar que este 911 Turbo não possui diversos recursos tecnológicos do novo 911 Turbo. Existem algumas "ajudas", mas é preciso saber ser ajudado. O câmbio tem um comando melhor e mais preciso que no novo 911 Turbo, os freios têm uma resposta inicial mais violenta, mas também mais reconfortante. A direção assistida fazia sua estréia no modelo de 1991, resultando num maior controle, mais estabilidade e melhor dirigibilidade.
No modelo 2000 tudo se passa com uma maior dose de confiança. Tem-se rapidamente a noção de que, apesar de 100 cv a mais, o ponteiro do conta-giros só passa a subir de verdade a partir das 3 000 rpm, resultado de dois turbos menores que geram a mesma pressão de 0,7 bar. Mas a verdade é que o velocímetro conta uma história diferente. Aquilo que parece suavidade é de fato potência pura, é velocidade adquirida a um ritmo de difícil compreensão. É rodar a 200 km/h quando se pensa estar a 140 km/h. Aqui o exercício é o de deixar de pensar que está tudo sob controle. Porque pode não estar...
A suspensão do modelo atual tolera os pisos ruins de uma maneira, digamos, bastante agradável. No seu antecessor tudo se passa com mais violência, como se estivéssemos dirigindo um carro de competição. As experiências de condução são realmente muito diferentes. Dirigir o 911 Turbo de 1991, o último com motor refrigerado a ar e tração traseira, é como fumar um charuto, um ato planejado, exclusivo e que deve ser saboreado em todos os momentos. Dirigir o novo 911 Turbo é como fumar um cigarro, um ato diário, mas que rapidamente se torna um vício insuperável.