A questão aqui é alterações à posteriori não divaguem!...
Quanto a andar com carros ilegais, nada a dizer. Em tese deveriam ser multados todos. Quem não concorda com a lei faz manifestações, funda partidos e candidata-se a P.M..
Quantas pessoas aqui (e no mundo das alterações auto) passaram por uma faculdade de engenharia e sabem o que quer que seja sobre metodologia de desenvolvimento e teste de sistemas no geral e automóveis em particular... A engenharia assenta na técnica e na ciência (não é só na experiência). Parte-se de uma ideia, pesquisa-se o estado da arte, desenvolve-se e testa-se, se o resultado não for satisfatório retorna-se ao inicio (ou lá perto). Desenhar um carro é sobretudo uma gestão de características concorrentes. Parte-se de especificações ao nível do utilizador, faz-se um projecto, testa-se até a exaustão, produz-se e volta-se a testar até à exaustão.
Os carros que circulam na via pública passaram por todo este processo ,que demora muitos anos, existe carros mais desportivos, outros mais utilitários e podem diferir em meia dúzia de componentes mas todo o projecto foi re-equacionado por quem tem uma noção global do carro, das regulamentações e das especificações do clientes alvo.
Em nada tenho contra alterações, na condição de que toda e qualquer alteração às características do carro passe por uma coisa muito parecida com a que descrevi, isto para ter qualidade e segurança equivalente ao original. Argumentos de que os fabricantes de peças tem homologações genéricas, de há de origem outro modelo ou carro com a mesma característica valem ZERO!... e quem diz o contrario nada sabe de engenharia ou deve cancelar imediatamente a inscrição na ordem, os restantes estão à vontade....
Há técnicos e mecânicos de grande craveira, e até mulheres da limpeza podem fazer alterações, e dizer qual o(s) componente(s) a mudar para atingir um determinado objectivo, a questão é que não tem noção do carro como um todo nem dos milhares de regulamentos a respeitar (que em teoria foram desenhados no sentido de obter o melhor compromisso segurança/impacto-ambiental/melhor-custo).
Podem acusar o sistema de homologação de alterações de não existir, de ser burocrático, de não ser regulamentado, e de aparentar proteger demasiado interesses nublosos. Até pode ser verdade, mas não ponham em causa que uma alteração tem de respeitar um regulamento, ter um projecto assinado por alguém com formação para o efeito, outra do instalador e outra de uma vistoria. Pode-se agilizar a situação nas alterações mais normais, podem-se reciclar projectos, pode-se usar projectos dos fabricantes de peças desde que sejam específicos (modelo-carro-peça). Mas jamais se poderá comprar uma peça com especificações diferentes da original (carro-modelo) montar numa esquina qualquer e dizer que está bom porque tem uma homologação genérica tirada não sei onde.
Vocês sabem porque é que não se pode por pneumáticos de dimensões arbitrárias; aqua-planing, desvio no coeficiente de amortecimento da suspensão e erro de velocimetro... Sabem porque não se pode mudar o ofset e fazer rebaixamentos; alteração da geometria da suspeição. Sabem porque é que não se pode usar barras AA; crash tests, nomeadamente, protecção dos ocupantes (que podem ficar um ela espetada na barriga) e peões (que perdem as capacidades de absorver energia do capon). Poderia estar aqui a noite toda e enumerar situações de alterações que melhoram a segurança a custa de comprometer outro parâmetro qualquer. Segurança é muit mais do que curvar melhor é um "bolo com muitas fatias" puxas de um lado podes destapar do outro.
A questão aqui é que modificar uma peça de engenharia tão complexa como um carro tem de ser feito por gente especializada. É possível ajustar alguns parâmetros do carro, isso já existe no mercado stock, mas nunca se pode negligenciar outras características ao ponto do carro não cumprir os requisitos necessário para circular na via pública. Isso são alterações de competição e aí é à vontade do freguês. O carro pode ser mais potente, mas não pode emitir muito mais, nem fazer mais barulho. O carro pode ser mais bonito e agressivo, mas o Cx tem de ser parecido e não pode diminuir a segurança pedestre. Isto só pode ser atingido com um regulamento para as alterações a veículos, gabinetes de projectos ou casas especializadas e tecnicamente acreditas para desenhar/implementar as alterações, e uma entidade fiscalizadora das mesmas. Se é isso que os tunners querem, é direito deles exigiram esta imediata implementação e regulamentação.
Esquema das duas barras AA: