Cada caso é um caso.
Eu trabalho a 16km de casa (arranjava trabalho mais perto mas a receber bastante menos). Posso ir de transportes públicos, mas tenho de sair de casa 2h mais cedo: apanhar um autocarro da minha freguesia até outra a 5km de distância, de seguida apanhar um STCP nessa freguesia e ir até ao Marquês no Porto, e daí finalmente apanhar um autocarro para o meu trabalho (ou procurar metro perto), que fica na Maia. Esta ginástica absurda ficar-me-ia por cerca de 50€/mês e custar-me-ia 4h de transporte diárias, ou seja 4h a menos com a minha família. Por mais 30€/mês, gasto 30 minutos (ida+volta) de carro.
E sabes que mais? Tudo isto acontece dentro da área metropolitana do Porto! Imagino o filme fora das AM.
Poderás também alegar "sim, mas podias ir morar para um sítio onde tivesse mais transportes públicos e a toda a hora". E tens razão, só que em vez de pagar 300€ por um T2 (sim, sou um sortudo), iria pagar 800€.
Por fim, também poderás alegar "bem, 16km até se fazem de bicicleta elétrica". E voltas a ter razão, não fossem as constantes subidas e descidas até ao trabalho e a falta de balneário na minha empresa. Fora que em dias de chuva ou calor intenso seria terrível.
Este é o caso do MVinhas. Haverão casos piores. Portugal é um país que não incentiva à circulação por transportes públicos, não tens de colocar o ónus da culpa nos condutores. Basta veres os nórdicos ou os neerlandeses. Não são seres humanos superiores a nós, simplesmente são incentivados a não usar carro.
Saúdo-te, contudo, por tomares a iniciativa de encostar o carro.